CMVM condena auditor da Yupido a pagar coima de 50 mil euros

A J. Rito & Associada, SROC foi alvo de uma decisão de contraordenação por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Dinheiro Vivo

A J. Rito & Associada foi condenada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) por um conjunto de infrações relacionadas com as contas da Yupido, que muito deram que falar em 2017. A empresa foi constituída em 2015 com um capital social de 243 milhões de euros e passados poucos meses realizou um aumento de capital para perto de 29 mil milhões de euros, com a apresentação de um bem em espécie que o auditor, António Alves da Silva justificou com uma "plataforma digital inovadora de armazenamento, proteção, distribuição e divulgação de todo o tipo de conteúdo media", que se destaca "pelos algoritmos que a constituem". Um valor que chamou a atenção e colocou a empresa na ribalta.

O Ministério Público chegou a abrir um inquérito, que viria a ser arquivado, e a CMVM iniciaria também, nesse ano, uma avaliação à atuação da J. Rito & Associada, que culmina agora numa contraordenação e pagamento de uma coima de 50 mil euros, 25 mil dos quais com execução suspensa durante dois anos.

A CMVM considera que o auditor "violou o dever de identificação dos clientes e respetivos representantes", uma vez que "não exigiu, nem verificou a identidade dos representantes da Entidade Auditada através de documento original válido com fotografia, do qual constasse o nome completo, a data de nascimento e a nacionalidade". E também "não obteve informação sobre a identidade do(s) beneficiário(s) efetivo(s) da Entidade Auditada e sobre a estrutura de propriedade e de controlo da mesma", pois"não tomou medidas adequadas para compreender qual a estrutura de propriedade e de controlo da Entidade Auditada".

São referidas várias irregularidades relacionadas com a auditoria das demonstrações financeiras. Por exemplo, "a Arguida não documentou nos seus papéis de trabalho informação suficiente para permitir a um revisor/auditor experiente, sem conhecimento prévio da Entidade Auditada e do trabalho desenvolvido, relativamente às demonstrações financeiras da Entidade Auditada, compreender a natureza, o âmbito/extensão e os resultados do trabalho efetuado para controlar o procedimento de confirmações externas", conclui a CMVM.

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