Iniciativa

Lisboa vai ser um cluster na área da mobilidade inteligente

Lisboa, 13/09/2018 - Decorre hoje o primeiro dia do Lisbon Mobi Summit, no SUD Lisboa. Miguel Eiras Antunes, Head of Future of Mobility and Smart Cities, Deloitte

(Filipe Amorim / Global Imagens)
Lisboa, 13/09/2018 - Decorre hoje o primeiro dia do Lisbon Mobi Summit, no SUD Lisboa. Miguel Eiras Antunes, Head of Future of Mobility and Smart Cities, Deloitte (Filipe Amorim / Global Imagens)

A capital portuguesa é uma das 3 cidades onde a Deloitte quer desenvolver soluções de mobilidade inteligente a exportar para outras geografias

Lisboa é uma das três cidades mundiais escolhidas pela Deloitte para desenvolver soluções de mobilidade que possam ser exportáveis para outras geografias. As outras duas cidades são San Diego, nos Estados Unidos, e Singapura, na Malásia.

“No fundo, vamos criar um cluster da mobilidade em Portugal, que vai contribuir para a economia nacional e para atrair mão-de-obra qualificada em torno deste setor”, explica o líder global da Deloitte para a área da mobilidade.

Miguel Eiras Antunes justifica a opção pela capital portuguesa, que teve de vencer a disputa com cidades como Amesterdão, Barcelona ou Munique, com o preenchimento de uma série de critérios. “Lisboa tem uma visão estratégica para a mobilidade, qualidade na liderança municipal (por exemplo ao nível da vereação), boa governança (com estruturas orientadas para a área da mobilidade) e abertura para trabalhar numa lógica de ecossistema em open innovation”, disse.

Por outro lado, pesou também o facto de Lisboa já gozar de uma reputação internacional, sobretudo ao nível da sua visão para o futuro da mobilidade. Uma reputação que é extensível a Cascais, vila que é apontada como uma referência na área das smart cities, também com o seu sistema de mobilidade integrada, que inclui as modalidades combinadas de comboio, bicicleta e parques de estacionamento.

Para entender esta escolha da Deloitte é preciso recuar uns anos e perceber que a área das smart cities (cidades inteligentes) e da nova mobilidade foram precisamente selecionadas como duas das grandes prioridades estratégicas da consultora internacional. Em concreto, um dos objetivos da Deloitte é ajudar a criar e a implementar um sistema de gestão integrado de mobilidade, com todas as componentes interligadas, que possa funcionar tanto em Lisboa como noutras cidades.

Numa primeira fase, o foco da atenção vai centrar-se em sistemas de mobilidade partilhada e na logística urbana. Miguel Eiras Antunes referiu, por exemplo, a necessidade de otimizar a circulação dos transportes de mercadorias nas cidades, de modo a gerir melhor os fluxos de trânsito, a partir de um estudo criterioso sobre questões como os melhores horários e locais de estacionamento.

Ao nível da mobilidade partilhada, Eiras Antunes apontou o exemplo das trotinetes, que poderão passar a ter um papel mais relevante, nomeadamente para a conclusão da última parte da viagem entre o comboio e o emprego ou da estação de metro a casa, a chamada last mile.

Embora as qualidades do ecossistema de mobilidade lisboeta não sejam necessariamente percecionadas pela maioria da população, que aponta falhas ao sistema metropolitano de transportes, Miguel Eiras Antunes considera que é preciso algum tempo para que os projetos se concretizem. Mas está otimista. “Agora é preciso implementar esta visão. Acreditamos que a visão de Lisboa é certa e que dentro de dois a quatro anos muita coisa vai mudar e as pessoas vão começar a notar.” Apesar de uma parte importante dessas melhorias depender de investimentos avultados em infraestruturas, que têm sido adiados nos últimos anos, para o líder global da Deloitte “nem tudo se resume a infraestruturas; as novas tecnologias também desempenham um papel importante para garantir, por exemplo, uma maior intermodalidade dos transportes”.

Depois de as áreas metropolitanas terem implementado um sistema de passes mais simplificados e baratos, em meados deste ano, municípios como Cascais prometem ir mais longe e avançar mesmo para o transporte rodoviário gratuito. Sobre se esta poderá vir ou não a ser uma tendência, Eiras Antunes diz que tudo depende da capacidade de financiamento do município. Certo é que “na nova mobilidade, o custo por quilómetro quadrado é mais baixo”, observou.

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