Money Conference

Liveblog. Os desafios da banca e o futuro do dinheiro

Acompanhe aqui, ao minuto, a conferência que reúne governantes e responsáveis do sistema financeiro e de 'fintech' para discutir o futuro do dinheiro.

Com o futuro do dinheiro no centro de debate, o Dinheiro Vivo e a TSF, em parceria com a EY, Iberinform, Sage e Audi, realizam mais uma Money Conference, no Lapa Palace Hotel em Lisboa. Os desafios da banca no Portugal 20-30 e as startups digitais no setor vão ser o foco da discussão, passando ainda pelo papel da inteligência artificial na transformação dos pagamentos e dos serviços bancários.

Faria de Oliveira: OE não dá resposta suficiente para atração de investimento

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos defendeu que o país tem “talento e competência” para tirar partido da quarta revolução industrial. Mas diz que “temos de ter mais iniciativa empresarial e empresas com alguma escala sediadas no nosso país”:

Outras das condições necessárias, na perspetiva de Faria de Oliveira, são “políticas públicas” e “reformas estruturais” que permitam “atrair investimento”. E avalia que a proposta do Orçamento do Estado para 2019 “não dá resposta suficiente”.

Em relação ao crescimento económico e à evolução do défice, o líder da associação que representa os bancos diz que são positivos. Mas coloca os números de 2017 em perspetiva. “O défice continua a ser um dos mais elevados da União Europeia e a dívida pública é a terceira maior em percentagem do PIB”.

Duarte Líbano Monteiro. “A banca sofre com o problema dos dividendos, que nós não temos”

A falta de investimento é o maior obstáculo à inovação e, como tal, uma das causas pelas quais muitas startups acabam por não sobreviver? Duarte Líbano Monteiro, Country Manager Ibérico da Ebury destaca que o investimento é uma faca de dois gumes.

“Não é só nas fintech que há empresas que não sobrevivem. Contra nós temos o facto de não ter quem nos salve. Mas, por outro lado, há uma vantagem: eu não tenho o acionista de mao estendida a a pedir-me o dividendo. Os nossos investidores dizem: usem o dinheiro e daqui a uns anos é bom que valham mais do que aquilo que eu vos dei. A banca sofre com esse problema dos dividendos, que nós não temos”.

Ifthenpay: big tech são “ameaça” comum para banca e fintech

Mais que rivais, a banca e as fintech têm um inimigo comum – grandes tecnológicas como o Facebook, a quem os utilizadores confiam já para a entrega de um grande número de dados pessoais.

“A nossa ameaça são as big tech”, diz Filipe Moura, CEO da ifthenpay, conhecida pelos serviços de geração de referências multibanco. “Essas empresas têm muito mais potencial de terem o mandato de uma pessoa para movimentarem uma conta”, diz o executivo da fintech.

Apesar disso, a ifthenpay mostra confiança num mercado de serviços financeiros digitais no qual 80% dos portugueses dão preferência a pagamentos com referência multibanco no comércio online.

Este ano, a ifthenpay conta já mais de 13 mil clientes.

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Sebastião Lencastre. “Mas quem é que quer ir trabalhar para um banco?”

A rivalidade entre bancos tradicionais e fintech está a centralizar a segunda parte do debate na Money Conference. O CEO da EasyPay afirma que é necessário “atrair talento para dentro das empresas”, e em jeito de provocação atira: “mas quem é que quer ir trabalhar para um banco?”

“Se calhar prefiro ir para uma fintech de calções e sandálias. Os meus trabalhadores mais felizes são os que o fazem em teletrabalho. Temos de trazer talento para as empresas mas também temos de nos adaptar. Do painel anterior só ficou aqui um banco, o Bankinter. Os outros não querem saber o que temos para dizer?”, questionou.

O responsável salientou a importância da diretiva PSD2 pela “transparência” que traz ao mercado, por seu um “agregador de informação financeira”. Com essa agregação, afirma Sebastião Lencastre, “transformo a minha informação num perfil público e toda a gente pode consultar. O tema da transparência é muito desafiante e importante para que não tenhamos fenómenos tipo Trump e Bolsonaro”.

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Duarte Líbano Monteiro. “Se eu sou um aluno novo, porque tenho de estar de castigo?”

A regulação das fintech é uma das batalhas dos bancos tradicionais. Duarte Líbano Monteiro, Country Manager Ibérico, garante que as tecnológicas são reguladas, “às vezes até mais”.

“A regulação está feita por duas razões: a primeira é, quem queremos proteger? Os depósitos dos clientes. O segundo motivo é: a regulação ajuda a banca em muita coisa. A regulação a que os bancos estão sujeitos deve-se a problemas do passado. Aplicá-la às fintech seria como uma sala de aula estar cheia de alunos mal comportados. Eu sou um aluno novo, porque tenho de estar de castigo? Os clientes estão hoje mais satisfeitos com os serviços das fintechs. É mais barato, mais limpo e mais rápido. Nós somos regulados, seguimos regras, às vezes mais pesadas”.

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