Money Conference

Liveblog. Os desafios da banca e o futuro do dinheiro

Acompanhe aqui, ao minuto, a conferência que reúne governantes e responsáveis do sistema financeiro e de 'fintech' para discutir o futuro do dinheiro.

Com o futuro do dinheiro no centro de debate, o Dinheiro Vivo e a TSF, em parceria com a EY, Iberinform, Sage e Audi, realizam mais uma Money Conference, no Lapa Palace Hotel em Lisboa. Os desafios da banca no Portugal 20-30 e as startups digitais no setor vão ser o foco da discussão, passando ainda pelo papel da inteligência artificial na transformação dos pagamentos e dos serviços bancários.

Faria de Oliveira: OE não dá resposta suficiente para atração de investimento

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos defendeu que o país tem “talento e competência” para tirar partido da quarta revolução industrial. Mas diz que “temos de ter mais iniciativa empresarial e empresas com alguma escala sediadas no nosso país”:

Outras das condições necessárias, na perspetiva de Faria de Oliveira, são “políticas públicas” e “reformas estruturais” que permitam “atrair investimento”. E avalia que a proposta do Orçamento do Estado para 2019 “não dá resposta suficiente”.

Em relação ao crescimento económico e à evolução do défice, o líder da associação que representa os bancos diz que são positivos. Mas coloca os números de 2017 em perspetiva. “O défice continua a ser um dos mais elevados da União Europeia e a dívida pública é a terceira maior em percentagem do PIB”.

Duarte Líbano Monteiro. “A banca sofre com o problema dos dividendos, que nós não temos”

A falta de investimento é o maior obstáculo à inovação e, como tal, uma das causas pelas quais muitas startups acabam por não sobreviver? Duarte Líbano Monteiro, Country Manager Ibérico da Ebury destaca que o investimento é uma faca de dois gumes.

“Não é só nas fintech que há empresas que não sobrevivem. Contra nós temos o facto de não ter quem nos salve. Mas, por outro lado, há uma vantagem: eu não tenho o acionista de mao estendida a a pedir-me o dividendo. Os nossos investidores dizem: usem o dinheiro e daqui a uns anos é bom que valham mais do que aquilo que eu vos dei. A banca sofre com esse problema dos dividendos, que nós não temos”.

Ifthenpay: big tech são “ameaça” comum para banca e fintech

Mais que rivais, a banca e as fintech têm um inimigo comum – grandes tecnológicas como o Facebook, a quem os utilizadores confiam já para a entrega de um grande número de dados pessoais.

“A nossa ameaça são as big tech”, diz Filipe Moura, CEO da ifthenpay, conhecida pelos serviços de geração de referências multibanco. “Essas empresas têm muito mais potencial de terem o mandato de uma pessoa para movimentarem uma conta”, diz o executivo da fintech.

Apesar disso, a ifthenpay mostra confiança num mercado de serviços financeiros digitais no qual 80% dos portugueses dão preferência a pagamentos com referência multibanco no comércio online.

Este ano, a ifthenpay conta já mais de 13 mil clientes.

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Sebastião Lencastre. “Mas quem é que quer ir trabalhar para um banco?”

A rivalidade entre bancos tradicionais e fintech está a centralizar a segunda parte do debate na Money Conference. O CEO da EasyPay afirma que é necessário “atrair talento para dentro das empresas”, e em jeito de provocação atira: “mas quem é que quer ir trabalhar para um banco?”

“Se calhar prefiro ir para uma fintech de calções e sandálias. Os meus trabalhadores mais felizes são os que o fazem em teletrabalho. Temos de trazer talento para as empresas mas também temos de nos adaptar. Do painel anterior só ficou aqui um banco, o Bankinter. Os outros não querem saber o que temos para dizer?”, questionou.

O responsável salientou a importância da diretiva PSD2 pela “transparência” que traz ao mercado, por seu um “agregador de informação financeira”. Com essa agregação, afirma Sebastião Lencastre, “transformo a minha informação num perfil público e toda a gente pode consultar. O tema da transparência é muito desafiante e importante para que não tenhamos fenómenos tipo Trump e Bolsonaro”.

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Duarte Líbano Monteiro. “Se eu sou um aluno novo, porque tenho de estar de castigo?”

A regulação das fintech é uma das batalhas dos bancos tradicionais. Duarte Líbano Monteiro, Country Manager Ibérico, garante que as tecnológicas são reguladas, “às vezes até mais”.

“A regulação está feita por duas razões: a primeira é, quem queremos proteger? Os depósitos dos clientes. O segundo motivo é: a regulação ajuda a banca em muita coisa. A regulação a que os bancos estão sujeitos deve-se a problemas do passado. Aplicá-la às fintech seria como uma sala de aula estar cheia de alunos mal comportados. Eu sou um aluno novo, porque tenho de estar de castigo? Os clientes estão hoje mais satisfeitos com os serviços das fintechs. É mais barato, mais limpo e mais rápido. Nós somos regulados, seguimos regras, às vezes mais pesadas”.

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ebankIT: “A banca deixou de investir nos últimos 10 anos”

A banca convencional não ficará para trás, mas terá de correr para “recuperar o tempo perdido”.

Renato Oliveira, CEO da ebankIT, empresa com serviços para a atualização digital das instituições financeiras, lembrou esta quinta-feira, na Money Conference, que durante a última década, marcada pela crise dos bancos, não houve investimento destas instituições.

“A banca deixou de investir nos últimos dez anos”, afirmou. Agora, as instituições estão a procurar “recuperar o tempo perdido”, seguindo em atraso face aos novos negócios financeiros.

“[A banca] vai ter que ser muito mais ágil, investir muito mais dinheiro”, defendeu.

Segundo Renato Oliveira, o futuro será apesar de tudo de parceria. “Vai haver um modelo híbrido, misto, entre as chamadas fintech e a banca tradicional”, prevê.

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Paypal. “Estamos longe de ver a banca como concorrência”

Com mais de 250 milhões de clientes ativos em todo o mundo, a plataforma internacional de pagamentos Paypal quer continuar a trabalhar com os bancos tradicionais enquanto for esse o desejo dos clientes.

“Trabalhos e damo-nos muito bem com todos os players deste ecossistema financeiro, afirmou Miguel Duarte Fernandes, head of business da Paypal em Portugal. “Estamos longe de ver a banca como concorrência”, disse.

O sistema Paypal, recordou, trabalha desde o início como uma rede para simplificar e trazer confiança aos pagamentos online, acrescentando uma “camada” às operações tradicionais da banca, das quias depende muita das vezes.

A Paypal “veio responder a uma necessidade grande do mercado: a falta de confiança que havia nos pagamentos internacionais”, disse esta quinta-feira na Money Conference.

E tal como continuará a trabalhar com grandes marcas internacionais – como o Walmart e a Chevron, com as quais estabeleceu recentemente parcerias – a Paypal pretende também continuar a trabalhar com os bancos.

O “poder” de decidir quais as relações que perdurarão no tempo estará como o cliente, afirmou Miguel Duarte Fernandes.”Somos agnósticos em termos de plataforma e queremos continuar a ser agnósticos quanto ao meio de pagamento que os clientes querem utilizar”.

Em Portugal, a Paypal conta 700 mil utilizadores ativos. Segundo Duarte Fernandes, está assim “muito perto do topo” no que diz respeito a clientes servidos em comparação com os bancos.

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Miguel Santo Amaro. “Há oportunidades para explorar relações entre bancos e fintechs”

Não é uma startup financeira mas não é por isso que a Uniplaces não está atenta à banca. Miguel Santo Amaro, fundador da startup de arrendamento de quartos para estudantes, tem uma visão mais otimista sobre a relação entre bancos e fintech.

“O modelo tradicional da banca está a morrer mas há oportunidades para explorar as relações simbióticas entre as fintech e os bancos. A partir de agosto de 2019 vou conseguir criar um banco digital com licença na Europa por 5 mil euros por mês e uma estrutura completa. É isso que o open banking vai permitir. O crédito vai ter de mudar em 2019 e isso é o presente, não o futuro. Mas é possível criar uma simbiose e fazer coisas interessantes entre bancos e fintechs, porque estas trazem agilidade e existe aqui uma oportunidade gigante para os bancos”.

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Sebastião Lencastre. “O modelo dos bancos já morreu”

As fintech são o futuro da banca, serão parceiras da banca ou vão matar a banca? A pergunta lançou o mote para o arranque do segundo painel da Money Conference, dedicado às startups digitais da banca.

Sebastião Lencastre, CEO e co-fundador da EastPay, não tem dúvidas de que o modelo atual dos bancos está “morto”.

“Quando ouvi os líderes da banca estava a imaginar uma manada de elefantes, que fazem imenso pó e não se vê nada à volta. Foi a sensação que tive: os bancos não estão a ver nada. Quando a mensagem que passam é: “temos de sentir necessidades dos clientes”… isso era há 3 anos. Hoje temos de dar poder aos clientes”, destacou.

Segundo o responsável, os consumidores hoje querem “poder”, e é isso que as fintechs dão aos clientes, ao contrário dos bancos.

“Inovação gera mais postos de trabalho do que aqueles que destrói”

Como é que a Inteligência Artificial e os serviços cognitivos estão a ter impacto na banca? Foi este o ponto de partida da intervenção de Chantal Serrano, partner da EY do Centro de Excelência para a Inteligência Artificial, na Money Conference.

Segundo a especialista, a tecnologia “não está a transformar só a banca mas também os modelos de negócio”, já que está no negócio o “ponto de partida da transformação tecnológica”.

Nesse sentido, “a tecnologia permite conhecer melhor os clientes e criar produtos personalizados e ajuda a tomar melhores decisões”, tendo por isso um “impacto enorme” nos negócios.

Quanto a uma das maiores preocupações em torno do impacto da tecnologia na economia, o emprego, Chantal Serrano tem uma visão otimista.

“A inovação está a gerar mais postos de trabalho do que aqueles que destrói. Daqui a alguns anos, 50% dos trabalhadores vão ser nativos digitais. Estas pessoas têm perfis distintos dos tradicionais. E isto não tem só a ver com o facto de andarem de ténis em vez fato e gravata: têm uma mentalidade diferente, trabalham de forma mais ágil, com um mindset diferente do tradicional”.

Paulo Macedo: “CGD vai manter um grande rede de agências”

Paulo Macedo defende que “há consenso sobre ser desejável haver menos notas e moedas”. Mas realça que “quem gosta muito de digitalização também gosta muito que os bancos mantenham as agências”. O banco público tem encerrado balcões. Mas o presidente da CGD garantiu que “vamos manter uma grande rede de agências”. No entanto, ressalvou, que “temos de dar resposta ao facto da massa monetária estar a aumentar e as notas e moedas a diminuir”.

Paulo Macedo: CGD tem o desafio das incumbentes, de não lhe acontecer que aconteceu à PT

O presidente do banco público disse que a Caixa Geral de Depósitos “tem o desafio das incumbentes, o de não acontecer o que aconteceu à PT e a uma outra série de empresas que numa altura do mercado foram líderes e depois a inovação levou-as para outro lado”. Revela que a prioridade da instituição que lidera é “cumprir o plano estratégico” mas sobretudo “fazer a transformação da CGD”.

Miguel Maya: “De repente começa tudo a hiperventilar com as novas tecnologias”

O presidente do BCP defende que “a digitalização é um meio e não um fim”. Disse que “de repente começa tudo a hiperventilar com as novas tecnologias. Mas o grande risco é morrermos com uma congestão de iniciativas sem fazer as escolhas estratégicas certas”.

Miguel Maya revela que no caso do BCP tem de se “fazer a modernização tecnológica em simultâneo com o pagamento do dividendo”. O líder do banco considera que “não vamos querer ser tudo para todos”. E considera que depois de “na última década não termos prestado a atenção devida porque estávamos focados em resolver a crise”, há prioridades na digitalização. Uma das principais “é ter capacidade de trazer pessoas para a indústria”.

António Ramalho: “Se o Facebook tivesse uma falha como teve. No dia seguinte poderia operar?”

O presidente do Novo Banco considera que deve haver condições iguais para os bancos e para fintech, principalmente as chamadas big tech. Disse que na banca nunca se passaria “estarmos preocupados com um concorrente que tivesse perdido dados”. E exemplificou com o caso do mercado cambial e do Facebook. “Imagine que o Facebook tinha uma falha como a que teve. Acha que no dia seguinte poderia operar?”. Aconselha a que exista calma “até se perceber onde vamos chegar com este modelo”.

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Paulo Macedo: “Caixa ainda tem percurso muito grande a fazer até ao grau de investimento”

O presidente da Caixa Geral de Depósitos considera que apesar da melhoria de rating da República e dos próprios bancos, os bancos portugueses ainda têm custos de financiamento mais elevados que os pares europeus. A que acrescem as despesas com o Fundo de Resolução.

“Temos juros idênticos ou mais baixos que Espanha no crédito à habitação e para boas PME. Mas os bancos com sede em Portugal têm custos mais altos do que bancos com sede em Espanha”, disse Paulo Macedo. “O custo marginal de um banco português é mais alto”.

Apesar de considerar positiva a tendência de subida dos ratings, e de a CGD ter tido uma melhoria de dois níveis por parte da Moody’s, Paulo Macedo realça que “a Caixa ainda tem um percurso muito grande a fazer até ao grau de investimento. E diz que é essencial prestar atenção aos ratings. “O rating é fundamental para os bancos portugueses poderem atender às necessidades dos nossos clientes”.

Miguel Maya: Não subscrevo viver com fardo dos custos com Novo Banco às costas

O presidente do BCP considera que é “muito importante ter um sistema financeiro estabilizado e não cinco bancos a manterem um outro banco estabilizado”. Miguel Maya diz que os custos com o imposto especial sobre o setor financeiro e o Fundo de Resolução são de 40 milhões de euros por ano. E que isso não coloca o BCP em igualdade de circunstâncias com outros concorrentes.

Miguel Maya sublinha que a decisão que se “tomou foi a correta naquele momento e era fundamental”. Mas diz que não subscreve que “vamos viver assim nos próximos 20 anos com este fardo às costas”. Realça a necessidade de se “encontrar uma forma de criar uma situação equilibrada”. Até porque, defendeu, a responsabilidade do BCP “é nula”:

O líder do BCP disse que “qualquer dia sobre o BCP e a CGD para pagar”, já que outros podem mudar a sede para o estrangeiro “para deixar de pagar a componente do imposto especial para o Fundo de Resolução”.

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Miguel Maya: “Não há bons bancos em más economias”

Miguel Maya, presidente do Millennium bcp, destacou a “preocupação de consolidação das contas públicas” patente na proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2019, que tem expressão nos ratings da República e implicações diretas no banco.

“Não existem bons bancos em más economias”, afirmou na Money Conference, que decorre em Lisboa esta quinta-feira.

O gestor sublinhou que o BCP não faz comentários políticos.

Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos, apontou que, para os bancos, a prioridade do OE para 2019 não é a redução da carga fiscal sobre o setor.

“Acho que a prioridade para a banca é ter uma celeridade na justiça”, adiantou, além de ma estabilidade do sistema que possibilite que os ratings dos bancos subam e condições favoráveis para as empresas.

 

 

António Ramalho: “Capitalização do Novo Banco terá de ser feita até resolver o problema do legado”

O presidente do Novo Banco, António Ramalho, referiu que a entidade irá necessitar de novas entradas de capital por parte do Fundo de Resolução. “A capitalização da instituição é algo que terá de ser feito até resolver o problema do legado”, disse. O responsável sublinhou que “às vezes as pessoas esquecem-se que fomos colocados no mercado já no prolongamento”.

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António Ramalho sublinhou que o banco foi colocado no mercado apenas há cerca de um ano e que isso originou a que “o processo de reestruturação tenha começado mais tarde”. Admite que a instituição “causou já um elevado custo para os contribuintes. Se bem que indiretamente porque o maior custo é sobre o Fundo de Resolução”.

O presidente do banco diz que a missão é valorizar a participação de 25% que o Fundo de Resolução tem na entidade que é controlada pelo fundo americano Lone Star. “A nós cabe-nos depois valorizar o que representa os 25%. Quanto mais valer mais poderemos devolver”, explicou.

António Ramalho indicou que “a reestruturação do banco custa tempo e dinheiro”. E alerta que quanto mais rápido for maior o custo que pode ter. Explicou que a estratégia tem sido de reduzir os ativos não produtivos que no passado ultrapassaram um terço do balanço. “Isso tira credibilidade”. A estratégia para resolver esse problema passa também pela venda de crédito não produtivo (NPL).

O banco tem em curso o processo de venda de uma carteira de NPL de 1,75 mil milhões de euros que têm 64% de impunidade. António Ramalho disse que essa carteira despertou “o interesse muito significativo de operadores internacionais”. Foi feita uma lista de três potenciais compradores e António Ramalho conta que “até final do ano se conclua o processo de desconsolidação da carteira”.

Alberto Ramos: “Todos lutamos arduamente pelas boas empresas”

O presidente do Bankinter em Portugal, Alberto Ramos, revelou que quer o banco a “ocupar espaço nas empresas”. Diz que apesar de se discutir se há ou não crédito para as empresas, o que observa é que esse é um mercado “extremamente competitivo”. Sublinha que “quando se fala de falta de apoio, nas boas empresas lutamos todos arduamente”.

Miguel Maya: BCP está a criar todas as condições para remunerar acionistas

O Millennium bcp está “a criar todas as condições para poder” remunerar os acionistas, admitindo que poderá já fazê-lo em relação ao exercício de 2018.

“A certeza não posso dar”, afirmou Miguel Maya, presidente executivo do BCP, na Money Conference, frisando, no entanto, que “para o banco é muito importante voltar aos dividendos”.

“É importante dar um sinal aos acionistas”, apontou.

Lembrou que o BCP devolveu 3.000 milhões de euros de ajudas ao Estado mais mil milhões de euros em juros e comissões.

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Paulo Macedo: “A nossa missão é devolver o dinheiro aos contribuintes”

A missão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) é devolver o dinheiro aos contribuintes mas para distribuir dividendos há que cumprir várias condições, incluindo ter autorização de Bruxelas, disse Paulo Macedo, presidente do banco estatal.

O Orçamento do Estado para 2019 prevê que o Estado receba dividendos por parte da CGD.

” O que espero é que a Caixa comece a devolver o dinheiro aos contribuintes”, afirmou Macedo na Money Conference, que decorre em Lisboa esta quinta-feira.

Destacou que essa sempre foi a missão da Caixa mas admitiu que possa existir a questão sobre haver um “aproveitamento político” sobre os dividendos do banco servirem para reduzir o défice público.

Lembrou que para distribuir dividendos a Caixa tem de cumprir uma série de requisitos contabilísticos e de capital, além de necessitar de uma autorização da DG COMP para o fazer.

 

Siza Vieira: Web Summit ajudou empresas como a BMW, Mercedes e Google a instalarem-se em Portugal

O ministro Adjunto e da Economia destacou a importância de se assegurar a realização da Web Summit em Portugal por mais dez anos. Pedro Siza Vieira salientou que “as duas edições que já ocorreram permitem colocar a imagem de Portugal no setor das tecnologias num nível completamente diferente”. Refere que “capacita as nossas startups” e que ajudou a que empresas como a BMW, Mercedes e Google se instalassem em Portugal.

Miguel Maya: Imobiliário não vai ser motivo da próxima crise em Portugal

Miguel Maya, presidente executivo do Millennium bcp, considera que o setor imobiliário, que vive um contexto de grande investimento e escalada dos preços, não vai gerar a próxima crise em Portugal.

“Não acredito que o imobiliário em Portugal venha a ser motivo da próxima crise”, afirmou Miguel Maya na Money Conference que decorre esta quinta-feira em Lisboa.

Sobre os empresários que se queixam do facto da banca não emprestar tanto às empresas como devia, Maya disse que “têm razão”.

O gestor frisou que há empresas que fizeram reestruturações e se tornaram economicamente viáveis mas ficaram marcadas pela banca como sendo de maior risco e não conseguem empréstimos.

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Paulo Macedo: “A banca não pode fazer as mesmas asneiras”

A Caixa Geral de Depósitos quer crescer em crédito e financiar projetos empresariais em Portugal mas tanto a CGD como a banca não podem repetir erros do passado e conceder crédito sem atender ao risco, disse Paulo Macedo, presidente do banco público.

“A banca e a Caixa querem fazer bons financiamentos. Não pode é fazer as mesmas asneiras”, na Money Conference que decorre esta quinta-feira em Lisboa.

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Apontou a existência de uma certa ideia do banqueiro que “com um aperto de mão dava crédito” ou do “crédito que era dado através de uma rede de conhecidos”. “Espero que isso não se repita”.

Destacou que a CGD, “numa componente clara da sua missão” como banco público, uma das suas metas ” é a aposta no credito de médio longo prazo”.

Frisou que a banca tem hoje capitais suficientes para fazer financiamento e também existe uma situação de liquidez confortável.

“A CGD quer crescer em crédito”, sublinhou Paulo Macedo.

Apontou que um problema que existe no financiamento de projetos empresariais é o facto de existir um “desajuste dos capitais próprios” dos investimentos. Por outro lado, não surgem tantos projetos quanto deviam, nomeadamente nas áreas industriais. Os que existem são na área do turismo e residencial, ainda em valores muito abaixo daquilo que existia no passado, sublinhou.

Siza Vieira: É importante que supervisores sejam flexíveis

Pedro Siza Vieira apontou que há três respostas que têm de ser dadas para responder às mudanças que se observam no setor da banca. “Há três tipos de resposta”, disse o ministro Adjunto e da Economia. “A mudança é disruptiva. Mas é também uma oportunidade. E do ponto de vista do país é uma grande oportunidade”, disse. O governante sublinhou que mais do que capital as fintech são movidas “a massa cinzenta e conhecimento”. E sublinhou que Portugal tem pontos fortes no campo das qualificações.

O ministro considera que “a segunda resposta é a flexibilidade”. Sublinhou que a supervisão tem de ser adequada às mudanças que se observam no sector e que “pode dar novas respostas nesta matéria”. Defende que é importante que “os supervisores estejam abertos e flexíveis. Queremos que em Portugal exista um mercado que habilite portugueses e estrangeiros a testar”.

A terceira resposta que Pedro Siza Vieira entende ser necessário dar tem a ver com “responsabilidade”, por parte dos operadores públicos. Diz que da parte do governo têm sido tomadas medidas para facilitar acesso a financiamento e de apoio a incubadoras. Mas considera que “os bancos não se podem alhear e têm de encarar esta oportunidade”, Defende que é importante que “bancos possam assumir um papel de investidores nesta área. Recomendou a “investir naqueles que são os disruptores futuros para tentar adquirir conhecimento e tecnologia”.

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Participantes no primeiro painel da Money Conference

 

A Money Conference vai contar com a presença dos CEO da Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Novo Banco e Bakinter

O primeiro painel da Money Conference. Da esquerda para a direita: Rosália Amorim, diretora do Dinheiro Vivo, Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, Miguel Maya, CEO do Millennium BCP, António Ramalho, CEO do Novo Banco e Alberto Ramos, CEO do Bakinter.

Siza Vieira: “Não me recordo da última vez que me desloquei a uma agência bancária”

Pedro Siza Vieira, ministro Adjunto e da Economia, destacou esta quinta-feira a grande mudança que está a afetar os bancos, “que ainda dominam o mercado mas têm cada vez mais concorrentes”.

“Já não me recordo da última vez que me desloquei a uma agência bancária”, afirmou o ministro na Money Conference.

O governante apontou existirem três fatores para a mudança em curso no setor.

O primeiro foi a crise financeira de 2008 que “obrigou a uma intervenção pública em larga escala”.

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“No rescaldo dessa crise entrou uma regulação e uma supervisão muito apertada”, apontou lembrando que os bancos são hoje obrigados a ter mais capital para operar, têm regras mais exigentes e mais custos.

“Os bancos continuam a ter a manter o exclusivo de deter os depósitos do público”, adiantou, sublinhando que os bancos “pagam um preço caro para ter esse privilégio” já que os custos por via da supervisão diminuem a capacidade para gerar resultados.

O segundo fator foi a revolução tecnológica trazida pelo aparecimento dos smartphones, nomeadamente com o iPhone. “O meu smartphone mudou a minha relação com o mundo”, frisou.

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O terceiro fator é o novo enquadramento legislativo, sobretudo a regulamentação criada na Europa que “veio retirar poder àqueles que tradicionalmente eram detentores sobre informação dos consumidores financeiros”.

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Proença de Carvalho: “Bancos souberam adaptar-se”

O presidente do Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, constatou que os bancos portugueses que sobreviveram à grande crise financeira “souberam adaptar-se”. Destacou que o sector regressou aos lucros mas alertou que “entretanto surgiu um outro choque, que exige uma nova adaptação”, referindo-se à mudança para o digital. Apesar do desafio, Proença de Carvalho considera que “os maiores bancos nacionais têm vindo a fazer o seu trabalho nesta área também com sucesso”.

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Perspetivando o papel da banca para a próxima década, Proença de Carvalho defende que “o sector é e vai continuar a ser um pilar impulsionador das empresas”. Destacou, por exemplo, o papel que a banca tem para a aplicação dos fundos comunitários. O presidente do Global Media Group destaca ainda que a banca tem de ser um “pilar determinante na importante questão da capitalização das empresas”.

Proença de Carvalho MC

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