Mais Opinião

Sérgio Viana
Sérgio Viana

A Experiência como fator diferenciador

A economia global é, cada vez mais, uma economia digital. Aliás, o digital tem vindo a assumir uma preponderância sem igual nas vidas de todos nós, de diferentes formas: em primeiro lugar, porque estamos constantemente ligados. Ora estamos em frente do computador, do tablet, ou do smartphone. E fazemo-lo 24/7, sem pausas para férias. Estamos sempre disponíveis, temos acesso à informação em qualquer lugar e a qualquer hora. Aprendemos a dar como garantido, através da tecnologia que se encontra atualmente ao nosso dispor, o acesso a serviços imediatos, convenientes e acessíveis.

Mafalda Samwell Diniz
Mafalda Samwell Diniz

O papel das empresas e dos centros de negócios para a revitalização das cidades

Portugal assistiu nos anos 90 a uma mudança no conceito de economia nas cidades. Muitas empresas fugiram aos centros urbanos, atraídas pela aposta de municípios situados próximo de Lisboa e Porto. A criação de projetos capazes de integrar largas dezenas de empresas, em edifícios preparados para receber milhares de profissionais, com as melhores condições de trabalho e, inclusivamente, de lazer, criou um panorama que fez escola durante quase três décadas.

Manuel Falcão
Manuel Falcão

Estratégia digital: menos conversa, mais imagem 

Uma nova tendência editorial está a ser explorada por diversos jornais e organizações noticiosas com o objetivo de conseguir um aumento das assinaturas pagas. A mais recente evolução neste domínio vem da empresa News UK, que controla os prestigiados jornais britânicos The Times e The Sunday Times. A News UK por sua vez pertence à News Corp, uma das maiores empresas mundiais de comunicação em todas as plataformas e meios de difusão. A estratégia editorial que está a ser aplicada no The Times e no The Sunday Times aposta numa maior capacidade de fazer coberturas ao vivo em tempo real nas plataformas digitais destas publicações, ao mesmo tempo que se recorre cada vez mais à imagem fotográfica e ao vídeo. Estes jornais estão num processo de revisão da forma como decidem as coberturas editoriais da atualidade. Edward Roussel, que desde maio passado é o responsável pela estratégia de desenvolvimento digital da empresa, está a implementar novas formas de garantir a cobertura noticiosa, com prioridade ao jornalismo digital com forte componente visual.

Rosália Amorim
Rosália Amorim

Sair da crise e crescer em 2022, mas não a qualquer preço 

Começam a chegar, a conta-gotas, sinais de recuperação a um país que se encaminha a passos largos para as eleições autárquicas e a uma Europa que se prepara para uma nova liderança no seu maior motor, a Alemanha. No dia 26 os dois momentos coincidem.
Esta semana, a presidente da Comissão Europeia foi uma das protagonistas dessas boas notícias, ao referir que antevê que 19 países da União vão atingir valores pré-pandemia ainda neste ano. A presidente afiança que diferenças face à última crise são "marcantes". Se em 2008 foram precisos oito anos para que o PIB da zona euro recuperasse, desta vez, espera-se que até 2022 todos os Estados-membros se reergam".

António Saraiva
António Saraiva

Confederações unidas nas propostas para o Orçamento

Pela primeira vez em Portugal, as propostas que os empregadores querem ver refletidas no Orçamento do Estado foram apresentadas numa posição comum assumida pelas suas cinco grandes confederações, reunidas no Conselho Nacional das Confederações Patronais (CNCP).
Ficou bem patente a sintonia de posições na compreensão da situação económica em que o país se encontra e da necessidade de uma política orçamental favorável não só ao relançamento da atividade económica, mas à transformação estrutural e duradoura da economia portuguesa.
Por outras palavras, utilizando a expressão da presidente da Comissão Europeia no recente discurso do Estado da União, é preciso investir tanto na recuperação a curto prazo como na prosperidade a longo prazo.

Joana Petiz
Joana Petiz

Um depósito por 80 euros. Faça as contas às empresas

Politicamente incorreto que seja, eu, como a esmagadora maioria do país, guio um carro com motor de combustão. Não é porque desconfie da capacidade e autonomia dos motores elétricos ou porque me atenha na deficiente rede de carregamentos que, por exemplo, obriga os governantes - que até têm ao dispor uma frota elétrica - a optar pelos carros de motor tradicional sempre que têm viagens pela frente. Mas desconfio, sim. Nem sequer é porque todos os estudos apontam para a maior eficiência energética e mais reduzidas emissões de um motor a combustão vs. um carro elétrico em ciclo completo de vida - ou pelo problema que temo que estejamos a agigantar com a profusão de baterias que, mesmo com vida prolongada em novas utilizações, estão condenadas a ficar rapidamente obsoletas e a ser provavelmente abandonadas num aterro bem longe dos nossos olhos, como é costume (lá para África, onde ninguém se importa com o que se passa, mesmo que o que lá aconteça afete o mundo inteiro).

Inês Teotónio Pereira
Inês Teotónio Pereira

A minha avó

Estou eu a viver com a minha avó, já se contava mais de um ano de estadia, quando ela me pergunta o que é que eu faço na vida. Eu não dava muitas explicações para não me fazerem muitas perguntas - regra de sobrevivência para viver em liberdade -, por isso a minha avó raramente me fazia perguntas. "Sou jornalista avó", respondi com orgulho do alto dos meus 21 anos e a tropeçar num curso de Direito onde não sabia bem quais as cadeiras em que estava inscrita e muito menos o horário. A minha vida era confusa e a minha avó não tinha paciência, idade ou educação para grandes confusões. Almoçava-se às 13h e jantava-se às 8h em ponto, com pratinho para o pão, copos de água e vinho, sopa, prato e sobremesa e demorava-se a jantar o tempo que a conversa demorasse. Quem chegasse cinco minutos atrasado sem avisar jantava na cozinha. "Mas jornalista daquele tipo de jornalista que pendura o lápis atrás da orelha?". Profissional, quer avó dizer? Claro que sim. Coisas sérias, fazia eu: falava com membros do Governo, entrava em sítios onde só os jornalistas e pessoas importantes entravam e assinava textos que iriam alterar o mundo, textos esses que estão hoje encadernados com argolas e capa de plástico numa prateleira em casa dos meus pais e que nem me atrevo a folhear. A minha avó fez um sorriso condescendente que a minha mãe herdou e mudámos de assunto. A minha avó não me levava a sério, mas como eu achava que a minha avó era de outra época - tinha passado pela implantação da República, duas revoluções, duas guerras mundiais, a guerra civil de Espanha e a guerra colonial - não me amolguei. O meu orgulho era muito maior do que a sua história.

Maria Bandeira da Palma
Maria Bandeira da Palma

A relevância da comunicação no âmbito da gestão das pessoas

Nunca antes, como agora, a comunicação interna assume tamanha relevância nas organizações, ao garantir uma correta, adequada e atempada transmissão de informação relevante aos colaboradores que, devido ao contexto atual, se encontram mais dispersos e longe fisicamente. Sendo, tipicamente, uma responsabilidade das áreas de comunicação corporativa, ao assegurar a transmissão de informações cruciais para os colaboradores e organização, a sua relação com os Recursos Humanos é indissociável.

Nuno Carvalho
Nuno Carvalho

"Partir os joelhos" às empresas exportadoras

Portugal é um país que tem na sua dimensão geográfica e demográfica um desafio constante para a produção de riqueza que permita atingir os níveis de muitos países que almejamos como exemplo. As exportações são uma forma clara de vencer as dificuldades que a dimensão que o mercado interno acarreta. Ou seja, as exportações dão dimensão à economia portuguesa, fazem-na crescer dando-lhe escala. Contudo, existem problemas internos, em Portugal, que retiram competitividade e produtividade às nossas empresas exportadoras. Isto é o mesmo que dizer que retiram a capacidade da nossa economia crescer.

Tiago Manuel Rego
Tiago Manuel Rego

É esta a oportunidade para a emancipação jovem

A atual jovem geração que se assume como mais plural, inclusiva e defensora de uma igualdade de oportunidades, exige da democracia e dos seus agentes políticos processos mais participativos, transparentes e próximos dos cidadãos e das cidadãs. É esta geração nativa digital e menos conservadora, que assumiu para si a missão maior de uma vida, fazer deste um mundo melhor, que advoga por medidas e compromissos em linha com os desafios do mundo moderno e por uma sociedade mais justa e inclusiva.

Nuno Garcia
Nuno Garcia

Habitação acessível: um desejo de ontem e de hoje

Muito se tem falado acerca da necessidade de se criar habitação acessível, especialmente em zonas de grande pressão urbanística, onde a procura é maior. Este é um tema que merece a nossa atenção, numa altura em que o Governo propõe que os municípios fiquem encarregues de imóveis devolutos e os coloquem no mercado de arrendamento acessível - uma ideia incluída no decreto-lei "Função Social da Habitação", que reforça que a casa "é um direito de todos" e que o Estado deve fazer parte do processo.

Jaime Quesado
Jaime Quesado

500

Esta semana cumprem-se 500 dias desde que no início da pandemia tive a ideia de promover uma rede colaborativa com gestores, académicos e outros especialistas que têm feito parte do meu percurso pessoal e profissional nos últimos anos para partilharmos ideias, visões e desafios para o futuro. Quinhentos dias depois depois a oportunidade de fazer um ponto de situação sobre o futuro a partir de um presente que já não é o mesmo que pensávamos ter. Este é o tempo de continuarmos a acreditar e de ter um sentido de confiança estratégico para o futuro. This is the time to share and have smart ideas for a better future. Será esse o lema também daqui para a frente.

Alberto Castro
Alberto Castro

Intuições erradas

A intuição e a ciência económica nem sempre convivem bem. Esta semana, por exemplo, falou-se nos pagamentos, do Estado, aos laboratórios privados à conta dos testes covid. Tanto bastou para logo se aventar que o Estado deveria integrar essa capacidade no SNS. A ajudar nessa argumentação estavam desde os custos mais baixos apresentados por um hospital, até aos lucros extraordinários de dois desses laboratórios. "Fazer dentro fica mais barato, porque não tem de se dar lucro aos outros" é a intuição. Ignoremos a hipótese de se estarem a comparar alhos com bugalhos no que toca aos custos: estes variaram ao longo do ano - a comparação haveria de ser feita em datas iguais; os custos totais integram não apenas os custos variáveis, mas também as amortizações. Ainda assim, subsistiria uma perplexidade: se aquela afirmação fosse correta, qual a razão para as chamadas "cadeias de valor" serem tão fragmentadas, constituídas por um grande número de agentes especializados, relacionados entre si por contratos de compra e venda sucessivos? Não acredita que todos eles sejam incompetentes, pois não? Especialização e compra e venda são algumas das palavras-chave. A primeira, permite uma eficiência e eficácia que originam custos mais baixos. A compra e venda pressupõe mercados e concorrência, porventura globais, mas também agentes informados e com capacidade de negociar. Tudo conjugado, resulta que quem compra o faz a um preço (integrando o lucro de quem vende) mais baixo do que se produzisse internamente.