Destaques

Filipe Charters de Azevedo
Filipe Charters de Azevedo

Vacinas: O que os outros estão a fazer

As vacinas que a União Europeia comprou estão atrasadas. Uma fonte da UE, disse à Reuters, que as entregas serão reduzidas para 31 milhões de doses, o que representa um corte de 60%, no primeiro trimestre deste ano. Esta enorme confusão, como todos os aspetos da pandemia, pode ser usada para avaliarmos os nossos preconceitos em relação à organização da atividade económica. O que está em causa neste caso? A flexibilidade governamental e capacidade pública para reagir à medida que a realidade se altera constantemente.

Mais Opinião

Rui Martins
Rui Martins

Restaurantes locais em crise podem ser úteis aos profissionais de saúde

Não é segredo para ninguém a imensa crise que a restauração local atravessa: sendo que entre o meio fala-se de reduções de facturação da ordem dos 90% no pico dos meses do confinamento e de mais de 60% no global do ano. A escala destas perdas não consegue ser absorvida pelo "Layoff Simplificado" que, em boa hora, o Governo lançou nem, agora pela versão mais leve deste modelo já que esta implica a redução das horas trabalhadas e, logo, da facturação.

Perante a escala de um problema que é dilatado pela elevada percentagem de restaurantes por habitantes (120 para 1 em Portugal quando na Europa a relação é de 450 para 1) que assenta em 85 mil pequenas empresas, a maior parte delas de base familiar (e que, por isso, deviam merecer um apoio específico) é preciso implementar apoios no campo da redução generalizada da fiscalidade que assenta sobre as PMEs (que são 99,3% do tecido empresarial lusitano) e simultaneamente resolver também o problema do esgotamento das fontes de organizações voluntárias como a Refood que usavam os desperdícios alimentares da restauração para prestarem uma importante missão de apoio social aos cidadãos e famílias mais carenciadas. Uma medida simples seria a emissão de vales que estas organizações poderiam usar para adquirir refeições nos restaurantes independentes e de base familiar que depois poderiam usar nas suas actividades de apoio social.

Outra medida que poderia ser implementada seria replicar a iniciativa britânica "Eat Out to Help Out" e incentivar os cidadãos a frequentarem pequenos restaurantes quer presencialmente quer através de serviços de "Take Out" através de um desconto que podem requerer ao governo depois de frequentarem um restaurante e através do recibo. Preparando a segunda vaga de COVID-19 seria possível também adquirir na restauração refeições e entregá-las aos trabalhadores de serviços críticos e de urgência médica.

Ana Rita Guerra
Ana Rita Guerra

Presidente Zuckerberg

Perto do centro de conferências de Pasadena, onde decorria no Verão de 2017 a terceira edição da convenção não partidária Politicon, alguém colocou um cartaz gigante onde se lia "F*ck Zuck 2020." Na altura, largos meses após a chocante derrota de Hillary Clinton nas presidenciais, havia intenso burburinho sobre quem os Democratas deviam escolher para concorrer em 2020. Seria Oprah, a apresentadora de televisão tão ou mais popular que Trump? Seria Tom Hanks, como Michael Moore chegou a sugerir? Ou seria Mark Zuckerberg, o poderoso CEO da maior rede social do mundo que a Fortune elegera "Pessoa de Negócios do Ano" em 2016?

Joana Pina Pereira
Joana Pina Pereira

Adaptar os negócios para o e-commerce, o futuro das vendas pós-pandemia

A necessidade aguça o engenho. Este é provavelmente o melhor resumo para o que aconteceu no retalho em Portugal em 2020. Após anos de tentativas de fomento do canal online - a maioria com resultados limitados - pelo menos em comparação com outras economias europeias - eis que uma pandemia que ninguém esperava e que ninguém queria, vem acelerar o e-Commerce de uma forma abismal, com um crescimento estimado acima de 60%.

Jaime Quesado
Jaime Quesado

A Universidade 5.0

Esta crise pandémica que estamos a viver já está a alterar o comportamento da nossa economia e sociedade. Neste Novo Normal, a Universidade tem que mudar de forma drástica, tendo que saber reinventar-se e estabelecer uma nova agenda em termos do seu modelo pedagógico e na forma como se vai articular com os seus diferentes parceiros. A Universidade 5.0 tem que saber protagonizar a sua própria mudança num tempo novo e num mundo mais complexo. A Universidade 5.0 não pode ficar á espera. Precisamos de uma Nova Universidade capaz de perturbar o sistema e que se assuma como uma verdadeira Universidade Nova como plataforma de geração de conhecimento com valor para a economia e sociedade, num tempo em que tudo vai ser diferente.

Óscar Afonso
Óscar Afonso

A venda das barragens não paga impostos?

É já sabido por todos que, no passado dia 17 de dezembro, numa transação económica complexa de "aparente" reestruturação empresarial, a EDP vendeu, a um consórcio liderado pela ENGIE, seis barragens com a autorização do Governo, através do Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC). Três dessas barragens, as mais produtivas, situam-se na empobrecida e desumanizada Terra de Miranda no Douro Internacional - Bemposta, Miranda e Picote. Só para ter uma ideia, durante o período de exploração das barragens, enquanto a EDP se engrandecia, extraindo mais de 5,5 mil milhões de euros, a Terra de Miranda viu diminuir a população local para menos de metade e a atividade produtiva ainda muito mais. Ao valor extraído, a EDP adicionou agora o encaixe financeiro de 2,2 mil milhões de Euros com o negócio da venda das barragens.

Rosália Amorim
Rosália Amorim

Indústria. Linhas de produção sem pessoas

Fechar as escolas era inevitável face à galopante pandemia, que coloca Portugal entre os piores países da União Europeia e do mundo, quer em termos de contágios quer em termos de mortes por milhão de habitantes. Controlar a pandemia exige tomar medidas drásticas, com um custo económico gigante, mas que é necessário. Encerrar os estabelecimentos de ensino protege os professores, os pais e avós e, claro, os próprios alunos. Afinal, as crianças, adolescentes e jovens adultos estão a ser, nesta fase, um alvo fácil para o coronavírus, ao contrário do que aconteceu na primeira vaga da pandemia, em março do ano passado.

Joana Petiz
Joana Petiz

Se é para ficar pior, que sejam todos

Aos miúdos da escola, num ensaio de valores de partilha enquanto se ensinava que não era bonito mascar pastilha nas aulas, dizia-se: "Se não tem para todos, também não pode comer." E a mensagem certamente ficou colada na alma de muitos dos nossos governantes. O que explica a permanente necessidade de nivelar tudo, o paternalismo implícito na tentação constante de tornar tudo igual e não entender que a equidade vale mais; que tratar todos por igual traz injustiças tremendas; que o papel do Estado é desenhar as condições para todos terem oportunidades semelhantes, mas deixar que os melhores sejam premiados e tirem benefício do esforço acrescido - levando os demais a ambicionar essa vantagem pelo próprio empenho e resultados, não por simplesmente existirem.

Pedro Moura
Pedro Moura

Pós-covid: a democratização dos eventos

2020 foi, independentemente do ângulo de análise, um ano mau. A pandemia trouxe uma grave crise sanitária que, mesmo com a esperança renovada que o plano de vacinação em curso nos dá, deixou e continuará a deixar profundas feridas sociais e económicas a que se juntarão as igualmente sanitárias que resultam do não acompanhamento eficaz dos doentes não-covid. E este balanço terá infelizmente que ser contabilizado cabalmente num período ainda muito alargado no futuro.

Nuno Carvalho
Nuno Carvalho

Semear oportunidades ou ventos com África?

O "paradoxo da abundância" ou a "Maldição dos Recursos" [1] são conceitos sempre presentes na análise ao desenvolvimento do continente africano. A conexão estabelecida entre os recursos naturais abundantes e economias pobres obriga governos nacionais, organizações como a União Europeia e mesmo os cidadãos a fazer uma reflexão séria sobre as relações que se pretendem estabelecer com os países africanos, na base da confiança mútua e de parcerias que beneficiem todos os envolvidos.

Duarte Líbano Monteiro
Duarte Líbano Monteiro

Como o mercado de câmbios poderá reagir em 2021

2020 não foi apenas um ano sem precedentes para os mercados financeiros, mas também para a economia global. Contrações recordes no segundo trimestre do ano foram seguidas por altas expansões históricas no terceiro trimestre. Embora a reimposição de restrições pareça ter afetado a economia global novamente no quarto trimestre, estamos otimistas em relação a uma recuperação robusta da atividade em 2021, por uma série de razões.