Mais Opinião

Mafalda Oliveira Monteiro
Mafalda Oliveira Monteiro

Empréstimos Participativos, financiamento out of the box

Respondendo às prementes necessidades de capitalização das empresas e de diversificação dos seus meios de financiamento, o Decreto-Lei n.º 11/2022, de 12 de janeiro, veio consagrar os "Empréstimos Participativos", uma figura de financiamento híbrida, situada algures entre o capital próprio e a dívida. Trata-se, na verdade, de um empréstimo sujeito a um certo nível de risco, cuja remuneração, reembolso e amortização ficam "indexados" ao desempenho financeiro, lucros ou prejuízos da empresa financiada, podendo o valor em dívida ser convertido em capital social.

Rui Martins
Rui Martins

Por uma rede de mobilidade automóvel partilhada, integrada e inteligente

No total, estima-se que existam hoje mais de 1.4 mil milhões de veículos particulares, a esmagadora maioria dos quais (e apesar dos progressos dos últimos anos) poluentes, emissores de CO2, micropartículas e grandes consumidores de combustíveis fósseis. Para sustentar toda esta imensa massa circulante é preciso sustentar uma gigantesca estrutura rodoviária, estacionamento, manutenção e logística que transforma este sector da economia num dos que maior peso tem nas alterações climáticas e num dos maiores obstáculos para a transição para uma economia verde e mais amiga do ambiente.

As pessoas habituaram-se de tal forma ao uso destes veículos que, para muitas, os confundem com a sua própria independência e autonomia pessoal razão pela qual mesmo se a oferta de transportes públicos for aumentada de forma exponencial e o preço descer ou se o seu uso for gratuito muitos continuarão a recorrer apenas ao transporte individual. O factor psicológico joga assim, aqui, um papel importante mas se for possível resolver este factor e se nos focarmos no serviço que se pretende obter: a mobilidade individual ou familiar podemos obter o mesmo serviço sem ter que a propriedade desses meios de mobilidade e de forma mais barata, eficiente e com menor impacto nas alterações climáticas.

Para cumprir essa promessa temos que ter uma rede ampla e diversa de veículos partilhados que esteja integrada (podendo existir vários fornecedores desse serviço: públicos e privados) e que assente num bom sistema de processamento de dados de geolocalização e utilização.

Uma rede integrada de mobilidade partilhada permitiria tirar das ruas, parques de estacionamento e bolsos das famílias os carros próprios que, na maior parte do tempo, estão parados na via ou em parques de estacionamento: por vezes dias ou semanas seguintes e, mais frequentemente, funcionando durante apenas algumas dezenas num dia de 1440 minutos.

Um sistema inteligente, que integrasse todas as redes partilhadas, desde bicicletas (vários operadores: como a GIRA e a Bolt), trotinetes (Bolt, Link e Bird), automóveis (actualmente apenas a NDrive) e os operadores de transportes públicos, assim como veículos Uber/Cabify/etc e transportes públicos, integrados num algoritmo inteligente que - com as devidas protecções impostas pelo RGPD - conhecesse os nossos hábitos de utilização e pudesse prever e antecipar os melhores percursos e meios, poderia ter um impacto significativo na quantidade de carros e no impacto climáticos dos mesmos.

Os carros emitem 72,6% de todos os gases de efeito de estufa mas transportam apenas 30% da população. Este hiato é uma oportunidade para aumentar a eficiência do transporte rodoviário e a mobilidade partilhada integrada em rede é a via para fechar esta diferença entre o "há" e o "deve haver". Recorde-se que para além dos efeitos catastróficos do aumento dos gases de efeito de estufa, os poluentes emitidos pela combustão dos motores automóveis afectam as vias respiratórias com efeitos de curto e longo prazo na saúde humana.

Jaime Quesado
Jaime Quesado

 Os clusters e a agenda de internacionalização inteligente da economia

Os Clusters voltam a assumir-se como a grande plataforma da Economia Portuguesa. Pretende-se apostar em Pólos de Competitividade e Internacionalização, que se assumam como verdadeiras plataformas para um novo Modelo Estratégico para a Economia Portuguesa. Em tempo de incerteza sobre a evolução da economia internacional, com a maior parte dos sectores de actividade confrontados com falta de perspectivas de recuperação, a dinamização desta agenda é essencial. Os Pólos de Competitividade e Internacionalização, como projectos integrados de base nacional, acabam por ser um importante teste à capacidade de encontrar novas soluções associadas à Inovação e Conhecimento, criando condições para uma nova aposta para o futuro. São por isso um grande desafio para o futuro.

Rosália Amorim
Rosália Amorim

Pergunta aos homens de negócios

A economia está a marcar de forma decisiva as eleições legislativas de 2022. Num contexto de uma esperada pós-pandemia (mas em que continuamos a ver o cenário de endemia por um canudo), de crescente inflação e de uma tendência de subida de taxas de juro, são muitos os desafios que o próximo governo terá pela frente, independentemente das cores que vieram a constituir uma maioria parlamentar. Não se avizinha um quadro estável em termos macroeconómicos e isso dificultará a atuação de um próximo primeiro-ministro.

António Saraiva
António Saraiva

O momento da política 

É costume dizer-se que tudo é política, uma espécie de axioma que é ainda mais verdadeiro em período eleitoral. A campanha para as eleições de 30 de janeiro ainda nem sequer começou e vejam bem o quanto já se discutiu sobre o assunto. Quer dizer, debates e notícias e análises não têm faltado. O interesse das pessoas também é notório - as audiências televisivas dos debates confirmam o apetite pelos confrontos entre líderes partidários. E no entanto, numa análise mais cuidada do que foi dito, isto é, se olharmos para a substância do que foi discutido... facilmente constatamos que, com honrosas exceções em que as políticas públicas foram realmente discutidas, a maioria dos debates não passaram de musculados braços-de-ferro sem tempo para a real discussão de programas e problemas.

Joana Petiz
Joana Petiz

Tirar o debate de 1980, trazer o país para 2022

Salário mínimo de achómetro, sem olhar ao estado da economia e aos fatores que o deveriam nortear. Condições laborais dos funcionários públicos discutidas sem atentar ao serviço que prestam nem diagnosticar onde são mais necessários - e com que perfil. Progressão nas carreiras dos professores reclamada sem gastar um minuto a pensar no envelhecimento da classe e na sua desadequação à revolução digital e às características dos jovens e crianças de hoje.

Inês Teotónio Pereira
Inês Teotónio Pereira

Pt tou aki

Uma pessoa quer que eles se mexam. Quer que eles se mexam e que se sentem diretos nos sofás. Já agora, que não estejam sempre a olhar para os telemóveis. Os telemóveis - alguém devia escrever um livro sobre a era dos telemóveis à qual chamam erradamente era da globalização. Adiante. E essa pessoa, que são todos os pais do mundo, também quer que eles conversem, quer que dialoguem, que façam perguntas. No fundo quer que construam frases com sujeito, verbo, complemento direto e já agora indireto. Só que eles não conseguem. Hoje, os nossos filhos verbalizam o menos possível: eles nem sequer tocam à campainha da casa dos amigos não vá alguém atender - enviam mensagem por Instagram para lhes abrirem a porta: "pt tou aki". O outro responde com uma série de palavrões em abreviatura e a porta abre-se. Sei disto porque já vi e porque não respeito a privacidade dos meus filhos quando eles deixam as contas abertas no meu telemóvel. São uma delícia aqueles diálogos que não recomendo a pais sensíveis.

Ingo Mainert
Ingo Mainert

Os bancos centrais enfrentam um dilema

A inflação a um nível não visto há muito tempo torna-o possível: o tema da política monetária mais restritiva voltou a entrar na agenda. Nos EUA, a Fed começou a reduzir as compras de ativos - o chamado "tapering". E em alguns mercados emergentes, bem como na Noruega, Nova Zelândia e Coreia do Sul, as principais taxas de juro já foram aumentadas. O Banco Central Europeu (BCE), por outro lado, está a ser tímido e hesitante. Porém, os mercados não acreditam realmente que o BCE vai continuar parado por um longo período de tempo.

Vítor Antunes
Vítor Antunes

O mundo do trabalho está a mudar

Está a mudar porque o impacto das 4 forças futuras do mundo do trabalho está mais intenso e veloz do alguma vez sentimos. As transformações tecnológicas são mais regulares, as taxas de natalidade continuam a não acompanhar a necessidade de Talento ao mesmo tempo que as nacionalidades determinam cada vez menos onde podemos trabalhar porque o conceito de fronteira também se transforma, os clientes são cada vez mais sofisticados e as escolhas individuais têm um papel cada vez mais presente.

Susana Rodrigues
Susana Rodrigues

Principais desafios para os Recursos Humanos em 2022

A área dos Recursos Humanos por estar diretamente ligado às pessoas é extremamente complexa, mas fundamental para a boa saúde das organizações. É através desta equipa que as organizações recrutam, integram novos colaboradores, desenvolvem e retêm talentos, promovem a avaliação do desempenho, entre outros. Contudo, a pandemia de covid-19 trouxe um awareness para diversos temas que até então não eram tão prementes ou emergentes.

Nuno Condinho
Nuno Condinho

Mitigar, a ação de reduzir riscos para crescer

Em todos os setores do mercado, empresas de diferentes dimensões lidam diariamente com riscos, pois são inerentes aos negócios. O problema é que, caso essas ameaças não sejam devidamente controladas e/ou identificadas, as mesmas podem aportar prejuízos à imagem, às finanças e até à operação em si. Por isso mesmo, a existência de um plano para mitigação de riscos é fundamental. E depois, transformar essas ameaças em oportunidades.