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Joana Petiz
Joana Petiz

O país visto da bolha e decidido na bolha

Queremos incentivar o uso de transportes públicos, mas somos incapazes de pôr autarquias vizinhas a conversar pela integração e complementaridade de condições que permitam evitar, por exemplo, os mais de 300 mil carros que diariamente entram em Lisboa. Apregoamos a eletrificação da economia, mas criamos leis que castigam quem opta por veículos híbridos, empurrando-os para os que se movem a combustíveis fósseis. Queremos cortar o custo destes, mas mantemos impostos brutais no seu preço - como queremos que os patrões subam salários, mas penalizamos o valor que chega aos trabalhadores com uma carga fiscal brutal. Queremos incentivar a iniciativa privada, mas temos cada vez mais pessoas a engordar a máquina pública. Queremos captar indústria e investimento para o país, mas mudamos constantemente as regras a meio do jogo, complicamos licenciamentos e revoltamo-nos contra os impactos dessa mesma indústria. Queremos baterias, queremos produzir e exportar com mais-valia para o resto da Europa, mas minas e fábricas de lítio aqui, nem pensar. Queremos energias renováveis, mas sem estragar a paisagem, sem barragens, sem painéis solares que aquecem o ambiente e sem aerogeradores que estraçalham passarinhos. Queremos atrair talento qualificado para o interior, mas não asseguramos que essas regiões sequer tenham serviços básicos de saúde, educação e infraestruturas digitais.

Hugo Venâncio
Hugo Venâncio

Mais negócio no imobiliário, menos agências e trabalhadores no setor: o que fica afinal?

É um facto que o mercado imobiliário está a conseguir ultrapassar as dificuldades impostas pela pandemia. Os dados são claros: em junho de 2021 o INE divulgou um aumento das transações imobiliárias de 27% em março de 2021, face a março de 2020. Nos meses da pandemia, nomeadamente nos meses de lockdown, verificou-se uma redução efetiva de entrada de novos imóveis no mercado, mas também se verificou a entrada de um grande número de imóveis para o arrendamento convencional, imóveis esses provenientes de arrendamento de curta duração (alojamento local).

Inês Teotónio Pereira
Inês Teotónio Pereira

O cospe e a distopia das férias 

Um pãozinho com fiambre, uma fruta e lá vão eles. Havia sempre alguém que fazia melhores sanduíches, mas demorava mais tempo e o importante era ir. Um dia de férias durava uma eternidade e acontecia de tudo sem querer e sem ninguém saber. Ninguém queria saber de nós. Agora vamos ali e depois um mergulho, e depois ali ao fundo, depois subir não sei onde, tipo Verão Azul mas com bicicletas mais manhosas. Ninguém saber onde estamos é o contrário de estarmos presos. De repente, com fome ou frio do fato de banho molhado, entrávamos em casa e dávamos um ar de graça, de férias bem vividas. Era tudo de repente, sem programação e só porque apetecia. Quem estava fazia parte do grupo, tipo bando. primos de primos, amigos de amigos, irmãos de todas as idades, fosse quem fosse que ali estava, ia ficando sem critério. Havia os rapazes giros que deixavam de ser giros se ligassem ao facto de serem giros, as raparigas giras, que tinham de ser burras porque assim não vale, os gordos, de quem todos gostavam, os cómicos, que nasciam assim e normalmente usavam óculos, os malucos, que nos ensinavam o que era uma asneira e uma parvoíce bem feita e os tímidos, que faziam das tripas coração para irem em bando e eram respeitados pela coragem e pelo voto de silêncio. As idades eram mais ou menos desconhecidas, assim como os talentos, as notas, as marcas, o dinheiro que se tinha ou de onde se vinha. Éramos um bando em plena liberdade num espaço limitado pelas ruas com carros. Os carros e os desconhecidos com ar suspeito de nos levarem dali raptados eram os perigos.

Bruno Castro
Bruno Castro

Verão: desligar em segurança

Aproxima-se a silly season, época do ano em que tentamos desligar das redes sociais e do trabalho e que nos permitimos a outro tipo de distrações. Mas, invariavelmente, o telefone toca, o e-mail cai e há sempre uma ou outra urgência referente à nossa atividade profissional que precisa de ser resolvida no imediato. E é nessa gestão, entre dar atenção à família, às férias e ao mundo profissional - que nunca "entra em férias" - que se cometem erros, muitas vezes apenas detetados no regresso ao escritório, já em setembro. Para que tal não aconteça, hoje deixo-vos aqui algumas dicas para que neste verão possa "desligar" em segurança:

João AB da Silva
João AB da Silva

Um café e uma jangada, por favor

Agora que estamos prestes a ir de férias imaginemo-nos numa bela esplanada de praia, ao pôr do sol - com ou sem certificado covid, irrelevante para o caso. Na mão esquerda, geralmente a menos útil, mas que mais reivindica o imerecido descanso, talvez um precioso cubano, Cohiba, Partagas ou qualquer outro de top, desde que devidamente fabricado pela miséria que alimenta os nossos sonhos utópicos. Na direita, a que de facto trabalha e bem precisa de férias, pode ser um copo de vinho ibérico, Douro, Alentejo ou Rioja, tinto ou tinto, à escolha do freguês. Com isto e mais um petisco estão reunidas as condições para pensarmos em assuntos importantes. Por exemplo, o papel de Portugal no mundo. No fim, pedimos o café.

Nuno Garcia
Nuno Garcia

Imobiliário de luxo: um exemplo do impulso de que a construção precisa

Estamos a testemunhar, desde o ano passado, uma reviravolta em todo o mundo. Ainda que vaticinada por alguns, a pandemia iniciou um ciclo de perturbações em todos os setores e indústrias - e a Construção não foi exceção. No entanto, o nosso olhar deve ser positivo. Apesar das quebras, a atividade nunca parou e, ainda que outros problemas, como a escassez de materiais, se comecem a impor, há espaço para continuarmos a crescer. Dentro da fileira da Construção e do Imobiliário, um segmento tem reagido particularmente bem: o do imobiliário de luxo, neste momento, um dos bons aliados ao crescimento da Construção.

O confisco sem condenação criminal (NCB) como arma no combate à corrupção em Angola
CEDESA

O confisco sem condenação criminal (NCB) como arma no combate à corrupção em Angola

A versão da Constituição angolana de 2010 (CRA), ainda em vigor, garante o direito de propriedade e define as condições de requisição e expropriação no seu Artigo 37.º. É um artigo de inspiração liberal e absoluta da propriedade, não prevendo sequer a possibilidade de nacionalização ou confisco, admitindo apenas a expropriação por utilidade pública sujeita ao pagamento de uma indemnização, para ser eficaz. No papel seria difícil haver garantia mais absoluta do direito de propriedade, e assim se vê que as presentes atividades do Serviço Nacional de Recuperação de Ativos (SNRA) de Angola poderiam roçar, muitas vezes, as margens constitucionais, acontecendo que muitas das apreensões realizadas até ao momento possam não ter validade constitucional. Apreensões ou congelamentos feitos a Isabel dos Santos, Manuel Vicente, generais Kopelipa ou Dino poderiam levantar dúvidas de inconstitucionalidade face ao texto do artigo 37.º da CRA. Naturalmente que este facto deve ter sido alertado ao Presidente da República que se encarregou na sua proposta de revisão constitucional de remediar essa zona cinzenta que estava a ser criada pela atuação do SNRA. Assim, o Presidente propôs o acréscimo ao artigo 37.º da CRA do n.º 4 com uma redação que previa que lei própria definiria as condições em que poderia ocorrer a nacionalização de bens privados por ponderosas razões de interesse nacional e do confisco por ofensa grave às leis que protegem os interesses económicos do Estado.

Jaime Quesado
Jaime Quesado

Porque é tão importante partilhar valor

Há lições que esta pandemia nos trouxe - uma delas prende-se com a importância de saber partilhar valor. A mensagem que Michael Porter defendeu num célebre texto da Harvard Business School a propósito do conceito de Valor Partilhado como um elemento central na gestão da competitividade do estado e das organizações ganha atualidade neste tempo de crise. Segundo o conceituado especialista, o Valor Partilhado gerado no mercado deverá ser partilhado de forma adequada e justa pela sociedade, de forma a garantir mecanismos de resposta às necessidades crescentes de segmentos da população sem alternativas de rendimento. O Valor Partilhado é assim o compromisso de afirmação da Responsabilidade Social por parte das organizações neste tempo de crise sem precedentes. E os grandes exemplos como o do Grupo Nabeiro - no ano em que o seu líder cumpriu 90 anos - são uma referência incontornável nesta agenda.

Sandy Carter
Sandy Carter

O poder estratégico da migração de dados para a cloud

Os dados são, indiscutivelmente, o ativo mais valioso que uma organização possui e a forma como são utilizados pode impactar diretamente os resultados corporativos, e os dos clientes. À medida que as equipas de TI e os responsáveis de negócios procuram um modelo de adoção da cloud, adotar a estratégia mais correta de migração é uma etapa vital para garantir que corresponde às metas da empresa. Numa altura em que os dados servem como base e elemento determinante do sucesso de uma organização, a utilização de uma estratégia de migração baseada em dados, possibilita oportunidades para melhores resultados de negócios que outras estratégias de migração em cloud não permitiriam.

Rosália Amorim
Rosália Amorim

"O que nasce torto, tarde ou nunca se  endireita", já diz o povo

À prova de bala é o mínimo que se exige para os gestores nomeados para o estatal Banco de Fomento. Gerir dinheiros públicos, incluindo o envelope financeiro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) exige uma folha de serviço imaculada. Vítor Fernandes não tem condições para assumir a presidência do Banco de Fomento e todo mercado percebeu isso antes mesmo de o governo fazer o anúncio nesse sentido. O ex-gestor do Novo Banco está sob suspeita no âmbito da operação Cartão Vermelho, que envolve Luís Filipe Vieira e o Benfica. Eleger um nome sob suspeita para liderar uma instituía pública seria dar um autêntico tiro no pé.

Alberto Castro
Alberto Castro

O bolso é que paga

Um destes dias, o Financial Times analisava os cuidados de saúde, entendidos no sentido lato, na perspetiva do investidor privado. Uma das recomendações mais enfáticas é inesperada: empresas que ajudassem a reduzir as despesas de saúde, referindo, em particular, uma empresa especializada em fisioterapia ao domicílio, pré ou pós-operatória, a uma fração do custo no hospital ou em serviço ambulatório. Não está em causa tecnologia sofisticada, apenas capacidade de organização, gestão e qualificação. Um grande "apenas".

Joana Petiz
Joana Petiz

Não foi manif, foi futebol!

Dois meses depois, anunciou o governo, com pompa e circunstância, uma descoberta de leão: afinal, o evento político com que a Juve Leo justificou a instalação de um ecrã gigante à porta do estádio José de Alvalade, onde o jogo que fez do Sporting campeão foi transmitido, não foi nada disso. Palavra de ministro da Administração Interna, que tinha até na mão o relatório oficial que comprovava as conclusões: a festa foi "abusiva", não houve "cooperação" com a polícia e o palco montado no estádio foi "abuso do direito à manifestação". Vejam lá que parece que tudo aquilo foi montado para os adeptos conseguirem ver o jogo e celebrar a vitória... não há direito!