Destaques

Jaime Quesado
Jaime Quesado

O novo tempo da Web Summit

Agora que a economia e a sociedade entraram numa numa nova fase, a Web Summit volta a marcar a agenda da área da inovação tecnológica. Um evento global de referência que muito prestigia a imagem externa do nosso país e consolida a aposta feita na inovação e tecnologia como enablers de mais valor competitivo. A Web Summit é um desafio único, que tem que assentar numa verdadeira dimensão colaborativa de mobilização dos atores da mudança" (Investidores, académicos, empreendedores) para uma ação de base colectiva de reinvenção estratégica da base competitiva nacional. Trata-se dum contributo que se pretende possa ter efeitos de alavancagem na percepção da necessidade de reinventar a economia nacional. Com o Web Summit, Portugal consolida uma imagem de referência no quadro internacional e sobe na cadeia de valor global.

Alexandre Meireles
Alexandre Meireles

Melhores salários com menos impostos

Apesar das dificuldades que a pandemia trouxe a muitas empresas, continuo a defender a valorização das remunerações no setor privado, incluindo os aumentos previstos para o salário mínimo nacional. Desde logo, porque não me parece admissível que a recuperação económica pós-covid se faça à custa do fator trabalho, também ele muito sacrificado pela crise sanitária.
Para lá da necessidade de salvaguardar a dignidade humana e mitigar os desequilíbrios sociais, há razões eminentemente económicas que me levam a preconizar a valorização das remunerações em Portugal. A crise demográfica está a provocar uma crescente escassez de mão-de-obra em alguns setores, sendo necessários melhores salários para atrair trabalhadores, designadamente de outros países. A pressão sobre a procura do fator trabalho e consequentemente sobre os salários vai aumentar no futuro próximo, agravando o risco de tensões sociais e laborais, caso persista a atual política de baixas remunerações.

Mais Opinião

Manuel Falcão
Manuel Falcão

Esta mania de sermos os últimos… 

O desenvolvimento de acessos rápidos, de banda larga, à internet é um fator crítico para o desenvolvimento do país, quer a nível da comodidade dos cidadãos, quer da criação de novas oportunidades para as empresas, e nomeadamente, também, para as empresas de media. Em Portugal, segundo um estudo recente, o serviço de acesso residencial à internet cobre 84% da população, quando a média europeia é de 91% e o acesso a banda larga móvel residencial tem uma taxa de 48% em Portugal e de 58% na Europa. Em Portugal o internet banking tem uma taxa de utilização de 47% e na Europa a média é de 57%. E em termos de comércio eletrónico a taxa de utilização em Portugal para a realização de compras é de 35%, enquanto que na Europa é de 53% e nas vendas Portugal está nos 9% e a Europa nos 19%.

Óscar Afonso
Óscar Afonso

As duas "décadas perdidas"

Apesar do nível de vida em Portugal ser bem melhor que na generalidade dos países à escala mundial, os portugueses estão, com razão, cada vez mais apreensivos e preocupados. Na sequência da pertença à União Europeia (UE) foi inicialmente possível melhorar o bem-estar social, mas agora assistimos, por exemplo, à emigração massiva de jovens porque, apesar de todas as ajudas colossais entretanto obtidas da UE, a economia portuguesa deixou de lhes conseguir pagar salários aceitáveis e a esperança no futuro esvaneceu-se. É comum, banal até, ouvir relatos de recém-licenciados a caminho de outros países membros da UE porque, no desempenho da mesma função, passam a auferir 3 ou 4 vezes mais que em Portugal.

João AB da Silva
João AB da Silva

Quando a prosperidade inveja a utopia

No passado dia 8 de outubro, a seleção do Chile foi derrotada por 2-0 pela do Peru. Nem sempre o futebol anda a par da realidade económica, mas o Clássico do Pacífico reflete muito bem a rivalidade histórica entre estes dois países. Para melhor a compreendermos, teremos de recuar, pelo menos, até ao século XIX. Mais concretamente, às disputas entre o Chile e a Bolívia por uma parte do deserto de Atacama, uma zona rica em nitrato de sódio e explorada por mineradoras chilenas.

Carla Gomes
Carla Gomes

Atrair e reter talento: mais que uma dificuldade, o grande desafio das empresas

Atrever-me-ia a dizer que o Recrutamento não só é o maior desafio atual das empresas, mas será o maior desafio dos Recursos Humanos dos próximos anos. Ora, é isso mesmo que nos diz o estudo "Talent Shortage 2021", realizado pela ManpowerGroup junto a mais de 40 mil empregadores a nível global, dos quais mil em Portugal. Segundo este estudo, quase 70% dos empregadores em todo o mundo relatam dificuldades na contratação de novos colaboradores, o valor mais elevado desde 2006, o que deixa evidente os problemas de escassez de talento que o mercado de trabalho atravessa. Em Portugal, o valor alcança os 60%, três pontos percentuais acima do valor registado em 2019.

Inês Teotónio Pereira
Inês Teotónio Pereira

A realidade paralela onde vivem os pais

A educação já não é o que era. Antigamente ninguém fumava ou bebia, obedecíamos aos pais, estudávamos quando chegávamos a casa e existiam poucas crianças e jovens com más notas. E as poucas que existiam com más notas, compensavam a falta de sucesso escolar com humildade seguindo a máxima, hoje em desuso mas muito citada pelos pais de todo o mundo, "se não estudas vais trabalhar para as obras como no meu tempo". Se soubessem as pessoas que trabalham nas obras devido à falta de sucesso escolar, estudavam mais, é o que ainda digo aos meus filhos. Era costume as pessoas não se deitarem nos sofás - sentavam-se de costas direitas, em ângulos próximos dos 90 graus como as suas avós e bisavós; também não mordiscavam as almofadas enquanto assistiam a séries ou telenovelas e levantavam-se cedo. Assistiam a programas culturais e sabiam o que se passava no mundo: a clássica crise do Médio Oriente, o saudoso Muro Berlim, o IRA, a ETA e a fome em África que tantas consciências abalaram. Aos 10 anos toda a gente tinha lados, hoje têm Instagram.

Eduardo Silva
Eduardo Silva

A geração "millennials" deverá continuar a impulsionar as bolsas

Os anos de 2020 e 2021 foram anos completamente revolucionários para a indústria financeira. Durante anos, o mercado acionista foi alimentado pela geração dos babyboomers, que agora apresentam um perfil nitidamente mais conservador, com investimentos em produtos de risco médio/baixo. Contudo, nos últimos anos, uma geração de jovens altamente qualificados e amantes das novas tecnologias, conhecidos por pertencerem à geração dos "millennials", alimentaram aquele que é já o maior Bull Market da nossa história. Mas não foi só a geração dos "millennials". A geração Z, aliciada pela promessa de riqueza rápida oferecida pelos mercados acionistas, e sobretudo pelo mercado de criptomoedas, também entrou no mundo dos investimentos.

Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida

Re-industrialização da Europa: um perigo para Portugal

Nas últimas décadas o mundo assistiu a uma desindustrialização dos países desenvolvidos e a uma transferência da produção para os países com baixos salários e sem ou com níveis baixos de assistência social. Portugal foi, obviamente, um dos países escolhidos para acolher fábricas de multinacionais de países desenvolvidos. Assim temos em Portugal investimento estrangeiro materializado na presença de muitas multinacionais com instalações industriais (Volkswagen, Renault, Boch, Siemens, Continental Mabor, Nestlé, etc.) e várias empresas agroindustriais.

Eduardo Castro Marques
Eduardo Castro Marques

Teletrabalho: cenas dos próximos capítulos…

Antes da covid-19, o teletrabalho, que já se encontra previsto na lei desde 2003, não tinha expressão significativa no tecido laboral português e europeu. Dados da Eurofound mostram que em, em 2015, só se contavam 8% de teletrabalhadores em Portugal, o que colocava o nosso país na cauda da Europa. Por razões sobejamente conhecidas, a pandemia veio alterar radicalmente este cenário, registando-se vários períodos em que o teletrabalho deixou de ser exceção para passar a regra, imposto aos empregadores e trabalhadores por via legislativa. Tanto assim foi que muitos autores consideraram estarmos a assistir ao "triunfo" do teletrabalho, sobretudo pela desmistificação de certos aspetos, designadamente os relacionados com a produtividade, os custos e o enquadramento dos trabalhadores nas estruturas empresariais.

André Mesquita
André Mesquita

Fim das moratórias: Podem o renting e o factoring ajudar a diminuir o impacto para as empresas?

Mais tarde ou mais cedo, este dia ia chegar... No dia 1 de outubro, acabaram as moratórias. As empresas vão ter que voltar a pagar os créditos, depois de um ano e meio protegidos pelas moratórias criadas pelo Governo para ajudar a diminuir o impacto da pandemia nos seus negócios. Portugal foi um dos países europeus onde mais se recorreu a esta medida, com a qual muitas empresas conseguiram adiar de forma temporária o pagamento das prestações dos seus empréstimos, aumentando assim o prazo de reembolso. Mas, e agora, com o fim das moratórias de créditos como vai ser para as empresas? Como vai ser para aquelas empresas que procuraram apoios para conseguirem atravessar este ciclo económico recessivo?

Carina Daúde
Carina Daúde

Mudei de equipa! E agora? Os desafios da Mobilidade interna

Mudei de equipa! Após vários anos ligada ao Recrutamento de perfis especializados, consegui concretizar o objetivo de diversificar a minha experiência, integrando a equipa de Consultoria da Neves de Almeida HR Consulting. Esta área apresenta um conjunto de desafios muito diferentes e isto fez-me refletir sobre vários temas, desde a importância da Mobilidade interna, aos seus benefícios, mas sobretudo, sobre a sua necessidade dentro das Organizações.

Gonçalo Ribeiro Telles
Gonçalo Ribeiro Telles

E a soberania da União Europeia?

Em teoria, a decisão do tribunal polaco deveria servir como estocada final na saída de um país que ao longo dos últimos anos sempre demonstrou que estava a mais na União Europeia. Além do desrespeito pelas normas do projeto europeu, o poder político na Polónia é a antítese dos valores europeus e da democracia no século XXI. Mas à falta de qualquer alternativa para a expulsão de um Estado-Membro nos tratados e na impossibilidade de uma auscultação a breve-prazo ao povo polaco, porventura dos poucos momentos em que realmente se justificava partir para um referendo com urgência maior, faz sentido recuar até ao último alargamento. É aí que está a causa e consequência direta daquilo que hoje se vive com a Polónia e não só.