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Frederico Costa
Frederico Costa

O valor dos dados proprietários num mundo focado em privacidade

A publicidade digital teve um papel crítico na democratização da internet e em torná-la aberta e acessível a todos. Para o continuar a ser, a publicidade tem que se adaptar a um contexto em que a privacidade dos consumidores está a montante de tudo o resto e em que as famosas "third-party" cookies vão deixar de ser a principal fonte de dados do ecossistema. Há um conjunto de soluções "cross-targeting", automatizadas e baseadas em medição que vão ajudar os anunciantes a tirar o devido partido dos seus dados proprietários (first-party) e estar mais bem preparados para o futuro.

Artur E Côto
Artur E Côto

O Governo da decisão: o equilíbrio necessário

Nos últimos anos, os processos de decisão bancária têm sido escrutinados pelas mais variadas partes. A prestação dos bancos nas moratórias parece ter sido um sucesso. Num contexto em que o Aviso n.º 3/2020 do Banco de Portugal enfatiza especialmente as estruturas necessárias para suportar o processo de decisão e em que as decisões têm impactos significativos no curto e longo prazo, é fundamental que as instituições financeiras possam tomar decisões incorporando esses efeitos, para além dos aspetos estritamente escritos na regulamentação.

Duarte Líbano Monteiro
Duarte Líbano Monteiro

A chave digital do sucesso rumo à retoma

Será prudente falar em retoma? Será possível ter um pensamento positivo quanto ao futuro, enquanto ainda estamos longe da imunidade de grupo? O início do desconfinamento, lento e cuidadoso, poderá dar alguma esperança às empresas. Bem como o anúncio do Governo de estar a preparar o prolongamento do apoio à retoma progressiva até setembro, o que ajudará, decerto, muitas delas. Não nos vamos iludir, o caminho ainda é longo.

Fernando Dias
Fernando Dias

O que pode uma bomba de calor fazer pela sustentabilidade da sua casa?

Comecemos por alguns dados e facto importantes sobre o consumo de energia. Segundo dados recentes, atualmente perto de 40% da energia consumida na Europa é para aquecimento ou arrefecimento de espaços, o que faz com que esta seja uma das áreas de foco no que diz respeito à implementação de tecnologias que possam suportar a redução da pegada de CO2. No caso de Portugal, no que diz respeito à climatização dos espaços, sobretudo os habitacionais, a realidade não é nem a mais confortável para quem lá habita, nem a mais eficiente. A sustentar isto, está os resultados do relatório do CENSE (Center for Environmental and Sustainability Research), publicado no passado mês de janeiro, que indica que os países do Sul da Europa, como Portugal, Itália e Grécia, Malta e Chipre, apesar de terem invernos menos rigorosos quando comparados a países do Centro e Norte da Europa, "têm taxas de excesso de mortalidade no inverno consideravelmente superiores a países nórdicos como a Finlândia e a Suécia". Segundo este relatório, a combinação entre problemas de eficiência energética das habitações e dos equipamentos usados, baixos rendimentos e preços de energia elevados, faz com que para quase dois milhões de portugueses seja difícil aquecer a casa no inverno ou arrefecê-la no verão.

Oliver Röpke
Oliver Röpke

Dar ímpeto à Europa social

A proposta de diretiva relativa a salários mínimos, atualmente em debate, reveste uma importância política crucial. Trata-se da iniciativa emblemática da Comissão no domínio da política social, anunciada pela presidente Ursula von der Leyen logo no início do seu mandato. A proposta não está isenta de controvérsias, tal como se previa no caso de um dossiê tão importante. O CESE aprovou, por larga maioria, um parecer favorável à proposta, mas as opiniões dos seus membros também divergiram. Porém, na sequência do parecer do Serviço Jurídico do Conselho, que dissipou dúvidas iniciais relacionadas com a base jurídica da proposta, é possível, agora, encontrar soluções para evitar qualquer interferência negativa nos sistemas de negociação coletiva nacionais.

Jaime Quesado
Jaime Quesado

A Internacionalização Inteligente através das Multilaterais

Com esta pandemia estamos obrigados a repensar o futuro. A Internacionalização Inteligente é fundamental na Nova Agenda Económica para Portugal e deverão ser as empresas a liderar o processo de afirmação da competência portuguesa no mundo global. Impõem-se neste processo empresas capazes de projetar no mundo uma dinâmica de procura permanente da criação de valor e aposta na criatividade. Têm que se assumir como actores perturbadores do sistema, induzindo na sociedade e na economia um capital de exigência e de inovação com efeitos na criação de valor para o futuro. A Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção ( PTPC) através do projeto Multi AEC, está a dar um contributo importante para esta agenda com uma nova aposta n0o papel das multilaterais e das oportunidades lhe associadas.

Filipe Morais
Filipe Morais

A urgência de legislar

A pandemia chegou há mais de um ano para alterar todos os nossos hábitos. Travou a economia, restringiu a liberdade de movimentos para defender uma questão sanitária e obrigou a que fossem encontradas novas soluções, com o teletrabalho a ser a mais eficaz nas profissões que o permitem, graças a todas as novas tecnologias. Há um ano que o teletrabalho foi a solução para proteger grande parte dos trabalhadores e manter empresas, principalmente as de serviços, a funcionar. Há um ano que se criaram condições de exceção para que centenas de trabalhadores mantivessem os seus empregos a partir de casa e há um ano que a urgência do teletrabalho levantou questões e dúvidas: que apoios têm e que proteção devem ter os trabalhadores nesta situação e que até agora têm estado protegidos pelas medidas do estado de emergência que hoje acaba.

Carlos Oliveira
Carlos Oliveira

Brighter Future - Decidir o futuro com base em factos

O mundo e o mercado de trabalho estão a evoluir a grande velocidade, mas a educação e a aprendizagem não estão a acompanhar essas mudanças. Vivemos um período de rápidas transformações na sociedade, que exigem um conjunto de novas competências. A pandemia apenas acelerou esta tendência que já se fazia sentir há muito, mas que é hoje ainda mais evidente. Assistimos ao surgimento de um elevado número de novas profissões, a evoluções significativas em profissões antigas que requerem novas competências, e a outro conjunto de profissões que conhecemos mas que estão a tornar-se obsoletas ou vão mesmo desaparecer num futuro próximo.

Patrícia Akester
Patrícia Akester

Dia Internacional da Trabalhadora: Balanço da (des)igualdade de género após um ano de Covid

A Covid-19 desencadeou uma profunda crise a vários níveis, incluindo qual dano colateral, "o maior retrocesso para a igualdade de género da última década" (Sofia Sprechmann, Secretária-Geral, Care International) - igualdade de género entendida como equidade de direitos, de responsabilidades e de oportunidades entre homens e mulheres, invocando o princípio estabelecido na Declaração Universal dos Direitos do Homem segundo o qual todos os seres humanos nascem iguais em dignidade e direitos, sem distinção de qualquer espécie, incluindo género.

Inês Teotónio Pereira
Inês Teotónio Pereira

O mundo que me faz rir

E voltou tudo. As lancheiras, os piolhos, as atividades, as festas, as alergias e os amigos. A vida a querer ser aquilo que era. Ponho-me a pensar em como eles eram e como estão agora, depois de um ano aos solavancos, perto demais uns dos outros e longe das novas pessoas que não chegaram a entrar nas suas (nossas) vidas. Fomos sempre os mesmos e por isso eles já não são os mesmos. Estou a vê-los de longe e não são os mesmos. Estão mais crescidos e abatidos. Este ano cresceram comigo a assistir, coisa que nunca tinha arriscado fazer. Antes eles estudavam, saiam, e eu na minha vida. Ao fim do dia, as coisas práticas dos recados, as discussões, as obrigações e os risos. Era um dia atrás do outro e nenhum era igual ao anterior. Rotinas não casam com isto. Uma vida em modo de montanha russa que começava quando abria os olhos e só acabava quando os pregava numa série e a uma hora em que já eram horas de me ir deitar. Sorria sempre quando os deixava e ainda mais quando chegavam de volta a mim. Mas nunca fiquei pasmada a olhar para eles, dia após dia, a ver tudo. É como fixar uma flor a crescer - alguém já experimentou? Conseguem ver uma flor crescer? Pois eu vi. Este ano vi. E, olhem, não tenho saudades. Gosto mais de os ouvir a contar as coisas, de imaginar aquilo tudo e, de repente, de dar por eles: "olha, cresceu tanto". Assim, com orgulho de mãe, com vaidade da boa. Mas ver tudo ao pormenor não é para mim.