Destaques

Rui Martins
Rui Martins

Computação Quântica: Estado da arte e breve futuro

Existe uma certa histeria em torno da "Computação Quântica" e do que ela poderá significar a curto prazo para as nossas vidas. Com efeito, tendo em conta que tanto daquilo que hoje fazemos é feito de forma digital, com computadores e que praticamente todas as comunicações entre computadores ocorrem de forma cifrada a emergência de uma nova geração de computadores, muito mais poderosa que a atual, capaz de quebrar mesmo as mais poderosas cifras arrisca-se a ter um efeito de um autêntico terramoto digital global. Imaginemos ainda que uma dada potência autoritária como a Rússia ou a China deitam mão, primeiro antes de todos, de uma tal tecnologia e que passam a conseguirem ler e entrar em todos os sistemas dos outros países e dos seus opositores internos para estarmos perante uma distopia gerida por computação quântica. Imaginemos ainda o que seria uma Inteligência Artificial erguida em torno de uma rede de computadores quânticos para entrarmos num domínio que ultrapassa mesmo os sonhos mais altos da ficção científica.

Felizmente: os computadores quânticos ainda não são práticos nem conseguem materializar, sequer, uma parte desta ameaça ou promessa (a opção correcta depende da tendência de cada um de nós para ser mais pessimista ou optimista). Dada a escala do investimento e a novidade do campo será de esperar que sejam os Estados e, dentro destes, provavelmente as agências de informação (como a NSA norte-americana ou o "3º Departamento" ou 3PLA do Exército Popular de Libertação chinês) a conduzirem as primeiras iniciativas realmente práticas de computação quântica. Pequim tem neste momento uma aparente vantagem no campo da Computação Quântica. Em meados de 2021 físicos da "University of Science and Technology of China" (USTC) com sede em Hefei (província de Anhui) publicaram um conjunto de artigos em que admitem terem realizado grandes avanços nesta área: a transmissão de um único fotão a mais de 300 km de fira (cem vezes mais do que qualquer tentativa anterior); o aumento de capacidade num computador quântico de 76 para 113 fotões detectados (o que permitiria uma velocidade de cálculo teoricamente superior a qualquer computador clássico). Num outro artigo, os cientistas chineses apresentam o Zuchongzhi, um computador quântico com 66 qubits supercondutores que resolveu um problema com 56 qubits (ou seja: igualando o feito do Sycamore da Google em 2019). O feito do Zuchongzhi é tanto mais notável porque confirma a viabilidade da computação quântica.

Apesar destes avanços, não é crível que uma tal máquina esteja comercialmente disponível na próxima década. Contudo, no fim da mesma, ou seja, por volta de finais de 2030 é possível que algumas das cifras de encriptação hoje em uso estejam ameaçadas por este tipo de computadores tal é a sua capacidade teórica. A resposta dos EUA a estes progressos chineses foi o investimento de $1.2 mil milhões de dólares (200 milhões por ano) na "National Quantum Initiative"
(https://www.quantum.gov) lançada em 2018.

Arthi Rajan Makhija
Arthi Rajan Makhija

Fraude além-fronteiras: como as PME se podem expandir globalmente e permanecer seguras

Um em cada quatro consumidores continuará a fazer compras a partir de lojas online estrangeiras, mesmo depois da pandemia, de acordo com um recente inquérito realizado pela Ipsos , que inquiriu 13 mil pessoas nos maiores mercados de comércio eletrónico do mundo. Esta mudança ilustra que chegou o momento de todos os comerciantes assegurarem que o seu negócio se adapta à nova economia digital e se encontra pronto para competir pelo mercado global de retalho online de mais de 4,28T USD, que se espera que cresça rapidamente nos próximos anos.

Mais Opinião

João Cepeda
João Cepeda

O turismo é a nossa Porquinha Peppa

O prémio para o episódio mais bizarro da semana vai para o homem mais bizarro da política, Boris Johnson, mas desta vez com uma mensagem relevante perdida no meio do folclore mediático. Para quem não viu, o momento aconteceu na conferência anual da Confederação Britânica da Indústria, a mais importante reunião dos empresários ingleses, onde Johnson decidiu surpreender tudo e todos com um longuíssimo elogio à Porquinha Peppa. O público fez um sorriso amarelo, os media abocanharam-se à falta de bom senso e a lição, que era boa - o preconceito com que olhamos alguns negócios e setores é tóxico e ignorante -, perdeu-se pelo caminho.

Óscar Afonso
Óscar Afonso

Plano Estratégico para a Terra de Miranda

O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) aprovou, no passado dia 21 de novembro, o Plano Estratégico para o desenvolvimento da Terra de Miranda, por si elaborado, e que em breve será divulgado publicamente. Trata-se de um documento com uma estratégia estruturada, assente numa visão para o futuro do território onde primeiro nasce o sol em Portugal, e que tem uma história e uma cultura ímpares, de grande relevância no plano nacional. O objetivo passa por, no médio prazo, tornar esse território próspero, com base no potencial dos recursos autóctones, sem dependência do Estado nem pretendendo qualquer transferência de recursos do resto do país.

Joana Petiz
Joana Petiz

Medidas "casual strict" para salvar o Natal

Estamos muito melhor do que há um ano, estamos muito melhor do que os outros países, graças ao sucesso da vacinação - leia-se, aos esforços conduzidos por Gouveia e Melo, desde que a ministra da Saúde largou os comandos da operação. Os casos estão a subir mas é natural, será assim todos os invernos, dizem os especialistas, concluindo que a covid está já em situação endémica (não pandémica). Casos graves e mortes são poucos relativamente ao número de contágios - subiram os óbitos, sim: pelo documento do governo que suporta as medidas, de 9 para 15...

Inês Teotónio Pereira
Inês Teotónio Pereira

O problema do não

Miguel Esteves Cardoso é que tinha razão, todas as crónicas deviam ser sobre o problema: é tudo sobre um problema qualquer. O nosso problema de pais são os filhos, está claro, e o grande problema dos filhos é o não. Dizer-lhes que não é todo o retrato de uma geração de pais e nada tem que ver com os coitados dos filhos. E são várias as razões que se prendem com esta incapacidade de dizermos que não. A primeira e a mais estúpida de todas é não conseguirmos ver os filhos sofrer, não estamos habituados a fazer isso aos animais quanto mais aos filhos. Negar-lhes um desejo é provocar-lhes sofrimento e isso dói-nos. Tira-nos a paz. Já nos chega o dia-a-dia, as guerras no mundo, a pandemia e as incertezas das globalização para nos tirarem a paz, por isso, ao menino dizemos que sim.

Lia Barbieri
Lia Barbieri

Contribuir, inovar e ter um papel ativo no pensamento sobre futuro

Incorporar a sustentabilidade na gestão empresarial e nas políticas públicas é imperativo para se alcançar uma economia neutra em carbono e que opere dentro dos limites do planeta. Só com padrões éticos de governança e respeito pelos direitos humanos assim como condições de trabalho digno é que conseguiremos evoluir para uma sociedade verdadeiramente próspera. No âmbito económico, isto significa acrescentar valor para além da esfera financeira e garantir que existe um impacto ambiental positivo e uma contribuição social que seja justa e inclusiva.

Luis Quintino
Luis Quintino

O alarme está a converter-se numa commodity

O alarme, enquanto sistema destinado a alertar em caso de intrusão ou tentativa de furto, foi patenteado em 1853 pelo Reverendo Augustus Russell Pope, de Massachusetts. Tratava-se de um sistema simples, construído à base de sensores magnéticos conectados uns aos outros e presos às portas e janelas, ligados a um sino, que tocava quando algo neste circuito era anormal. Aliás, a palavra "alarme" é derivada da palavra arcaica do inglês médio "alarum", usada para se referir ao som de um sino. Poucos anos depois e perante o insucesso desta invenção, Pope vendeu os direitos da patente a Edwin Holmes, que, de forma inteligente, passou a comercializar o produto em Nova Iorque, uma cidade com elevadas taxas de assaltos para a época.

João AB da Silva
João AB da Silva

De peru a frango de aviário

Para tudo e preparem o peru. É hora de dar graças. Não para nós, nem para a maior parte do mundo, mas para os americanos que, chegada a 4ª quinta-feira de novembro, festejam anualmente um dos eventos mais emblemáticos da sua fundação, o Thanksgiving. Tudo começou em 1621, quando os colonos ingleses de Plymouth (Massachusetts) resolveram dedicar três dias de oração e jejum para agradecer a Deus um outono repleto de boas colheitas. Conta-se, entretanto, que a tribo nativa dos Wampanoag também se juntou à festa, contribuindo com iguarias locais - peixe, enguia, marisco e cerveja. Num ambiente de concórdia, todos desfrutaram daquele momento, colonos e nativos, ratificando um acordo de paz que só viria a ser quebrado na Guerra do Rei Filipe (1675-76).

Jaime Quesado
Jaime Quesado

Uma nova universidade para uma universidade nova

Esta crise pandémica que estamos a viver já está a alterar o comportamento da nossa economia e sociedade. Neste Novo Normal, a Universidade tem que mudar de forma drástica, tendo que saber reinventar-se e estabelecer uma nova agenda em termos do seu modelo pedagógico e na forma como se vai articular com os seus diferentes parceiros. A Universidade tem que saber protagonizar a sua própria mudança num tempo novo e num mundo mais complexo. A Universidade não pode ficar á espera. Precisamos de uma Nova Universidade capaz de perturbar o sistema e que se assuma como uma verdadeira Universidade Nova como plataforma de geração de conhecimento com valor para a economia e sociedade, num tempo em que tudo vai ser diferente.

Rui Martins
Rui Martins

BYOD. "Bring Your Own Device": 13 razões (e uma excepção) para não a implementar

Começa a impôr-se em muitas organizações a ideia de que o conceito de BYOD: "Bring Your Own Device" para as redes locais das organizações é uma "boa ideia". Para as áreas de IT e, em particular, para as áreas de suporte e segurança informática é cada vez mais difícil resistir a este impulso e a generalização do teletrabalho provocada pela COVID-19 parece ter acentuado ainda mais este movimento.

Embora seja relativamente comum e, uma forma de BYOD, encontrar colaboradores com instalações de Office 365 ou, até, de sistemas VoIP nos seus equipamentos pessoais (telemóveis) a maioria das organizações ainda resiste a estender este tipo de tolerância até aos computadores pessoais e a utilizações mais generalistas e a outro tipo de software.

Mas porque é uma má ideia implementar ou, generalizar, uma política de BYOD: "Bring Your Own Device" (com a excepção que listarei mais adiante)?

1. Uma das opções que está sempre ao dispor de qualquer área de IT é, perante uma ameaça de segurança ou uma anomalia grave do equipamento, formatar o dito e recomeçar do zero. Essa opção pode não existir no caso de um equipamento pessoal ou não poder ser executada porque depende do aval/concordância do proprietário do mesmo (o utilizador final) o que, em último caso, colocará em risco a organização como um todo ou a capacidade que este tem para cumprir as suas funções profissionais.

2. Em caso de conflitos legais o equipamento pode ter que ser entregue para arquivo até ao momento em que ocorre o processamento judicial por parte das autoridades e o utilizador do mesmo fica sem acesso ao mesmo.

3. Em caso de conflito judicial entre o colaborador e o seu empregador, o equipamento pessoal não pode ser usado como prova de um eventual comportamento culposo ou que justifique o acto legal em curso. Por outro lado, se o equipamento pessoal for usado no âmbito de um processo judicial o utilizador do mesmo poderá expor a terceiros a sua vida e dados pessoais.

5. Se uma organização adoptar uma política BYOD deve encontrar igualmente uma forma justa de compensação pelo uso por parte dos seus colaboradores dos seus equipamentos pessoais como ferramentas de trabalho.

6. Um colaborador que usa um telemóvel pessoal para as suas actividades laborais está a entregar à rede de colaboradores mas também à rede de fornecedores e clientes o seu número de telemóvel pessoal o que reduz o seu nível de privacidade e a capacidade da organização para repor o seu fluxo de trabalho em caso de uma saída intempestiva ou programada. Isto é especialmente importante em colaboradores de áreas comerciais ou de vendas porque reduz as possibilidades de as organizações serem capazes de reterem os clientes que integravam a sua carteira.

7. Se uma organização adoptar uma política BYOD alguns colaboradores poderão encarar a dita como uma tentativa de intrusão na sua vida pessoal e se já tiverem aplicações como o Outlook ou o Teams instalados nos seus equipamentos pessoais poderão reagir de forma adversa desinstalando-as o que acabará produzindo o efeito inverso ao que se pretendia obter. É preciso contudo abrir uma excepção para aplicações de autenticação que enviam SMS ou usam Apps de autenticação como o Google ou o Microsoft Authenticator e que, na falta de um telemóvel empresarial, devem ser instaladas no telemóvel pessoal. Neste caso a excepção visa proteger o computador ou o telemóvel de serviço e deve ser aberta por essa razão é porque, em última instância, defender a organização é importante para o próprio colaborador da mesma.

8. O argumento de que o BYOD é um risco de segurança porque expõe os segredos da organização à concorrência não deve ser usado para negar estas políticas porque esse risco existe sempre, mesmo usando os computadores e equipamentos da organização. Na falta de outros mecanismos de segurança quem o quiser fazer, fá-lo-á sempre e a única forma eficiente de o impedir é usar a litigação legal em todos os casos em que isso acontecer por forma a dissuadir recorrências.

9. Existem duas grandes abordagens BYOD possíveis: uma "ligeira" em que o utilizador instala aplicações no seu equipamento e outra mais "pesada" em que a organização ganha capacidade de controlo do equipamento tal como um "remote wipe" uma abordagem de segundo tipo dá à organização a capacidade de controlar a presença dos dados nesses equipamentos quando os utilizadores deixam a organização sem os devolver ou quando estes são furtados ou perdidos.

10. Em qualquer implementação BYOD é preciso de ter em conta se a organização tem algum tipo de seguro de cibersegurança (p.ex. contra danos de um ataque de ramsonware) já que tal tipo de política pode colidir directamente com algum do seu clausulado (e, certamente, aumentar o risco de segurança coberto por essa apólice).

11. Como não existe um controlo sobre equipamentos pessoais tão intenso como existe (ou deve existir) sobre equipamentos organizacionais, não é possível garantir que todos os equipamentos estão atualizados a um dado nível e, logo, será particularmente certo afirmar que a maioria não terão todas as actualizações de segurança disponíveis no mercado. Ademais serão também equipamentos muito mais expostos a riscos de segurança do que os equipamentos corporativos porque os utilizadores instalam nos seus equipamentos Apps para uso pessoal, hábitos de navegação pessoais (tais como pornografia: um meio onde os exploits e malwares são comuns). Toda esta combinação pode levar a perdas de desempenho do equipamento que afectarão o desempenho da actividade profissional desenvolvida nesses equipamentos.

12. Em termos de custos a implementação de uma política BYOD também terá impacto em duas áreas: Desde logo em termos de licenciamento necessário para a gerir e depois, nos custos na conta telefónica do próprio utilizador ou na comparticipação por parte do empregador (se esta existir). Existirão também mais custos com o aumento da actividade de suporte decorrente desta mudança organizacional especialmente se este serviço for prestado em regime de outsourcing e se esse suporte não for capaz de acompanhar o aumento de serviço ou se não for capaz de o prestar decentemente (devido, por exemplo, às circunstâncias ou condições desses equipamentos pessoais) aumentará o descontentamento dos utilizadores e cairá, consequentemente, a satisfação global dos utilizadores com a organização.

13. Qualquer política BYOD faz aumentar a quantidade de risco que a organização vai passar a suportar. Muito concretamente: aumenta o risco de perda de dados, de intrusões, de comunicações sem controlo. Mas não é só o risco que aumenta. Aumentam também os custos. Os já referidos custos de licenciamento, os custos de perda de reputação caso ocorra um incidente de segurança, a perda financeira direta (p.ex. num incidente de ransomware). Custos de multas por violação do RGPD (que podem ascender a muitos milhões de euros...).

Alberto Castro
Alberto Castro

O pior cego...

Entre 2014 e 2019, a Harvard Business Review (HBR) publicou uma seriação dos melhores executivos empresariais. No início, só o desempenho financeiro contava e Jeff Bezos era o melhor. Depois, alargaram os critérios e incluíram a sustentabilidade ambiental, a responsabilidade social e a governança da empresa, em geral (designados ESG, na gíria). E Bezos nem nos 50 primeiros ficou. As listas, porém, eram dominadas por homens e brancos. As críticas levaram a HBR a cessar a sua publicação. Evoluções e sinais de tempos que vieram para ficar.