Uma Agenda Estratégica para o Mar

Neste novo ano precisamos mais do que nunca de ter um sentido estratégico de Ambição e de Confiança. A recente atribuição do Prémio Pessoa ao Tiago Pitta e Cunha, que em vários contextos ao longo dos últimos anos tem feito um trabalho de excelência na promoção do Mar como Marca Estratégica, mostra que esta pode ser um bom exemplo duma aposta para o futuro. O Mar tem que ser percecionado cada vez mais como um fator de mobilização da nossa economia e sociedade para um desígnio de excelência, focado na construção de valor e na integração em redes internacionais inteligentes. A agenda estratégica para o Mar poderá e deverá ser muito a Agenda de uma Nação voltada para o futuro.

Não se pode conceber o desígnio estratégico da competitividade sem atender à dimensão essencial da coesão social, factor central do equilíbrio do desenvolvimento e da justiça entre os diferentes segmentos da sociedade civil. Quando se fala da economia do mar, mais do que relevar a avaliação das condições naturais de aproveitamento desta riqueza que o país tem, o que importa é definir as bases de uma Vantagem Competitiva Estratégica assente no papel dos diferentes actores que se articulam com este recurso estratégico. Desta forma, constroem-se as bases para um futuro sustentado do ponto de vista económico e social.

A afirmação duma Vantagem Competitiva do Mar constitui um claro desafio a um compromisso mais do que necessário entre competitividade e coesão social, voltado para os desafios estratégicos que se colocam ao país. Importa, no quadro da evolução global de Habermas, reforçar a identidade dos territórios e das organizações. A força estratégica da História e de "marcas centrais" como os Oceanos para a marketização internacional do país é um activo consolidado e através da viagem ao longo do país isso aparece-nos reforçado. Trata-se de fazer da Identidade um Factor de Diferenciação Qualitativa Estratégica numa Rede Global que valoriza cada vez mais estes Novos Activos.

No quadro competitivo da Economia do mar, Portugal tem que passar a integrar efectivamente as Redes Internacionais de Excelência e Competitividade. Só sobrevive ao Desafio Global quem souber consolidar mecanismos de sustentabilidade estratégica de valor e aqui os Actores do Conhecimento no nosso território têm que apresentar dinâmicas de posicionamento. Potenciar uma verdadeira Economia do Mar implica dominar o paradigma da Informação. Na Sociedade Aberta do Conhecimento, o jogo da Informação é central na consolidação de plataformas de competitividade e na melhoria dos padrões de coesão social.

Na Economia do Mar, o Investimento é a porta do futuro. Não o investimento a qualquer preço. O Investimento no conhecimento, nas pessoas, na diferença. Um acto de qualificação positiva, mas de clara universalização. É essa a mensagem da aposta no terreno. Quando se consolida o trabalho de cooperação ao longo do país,, envolvendo tudo e todos, está-se claramente a fazer Investimento no futuro do país. A fazer das pessoas verdadeiros actores do conhecimento capazes de agarrar o complexo desafio das Parcerias Estratégicas, onde a Economia do Mar se assume como um acelerador de mudança. A Nova Agenda do Mar é muito a Nova Agenda da Nação.

(Nota: O autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico)

Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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