Opinião

Mercados em 2018: É possível pedir mais?

Bolsa de Lisboa valoriza 10% desde janeiro

Com expectativa de subida dos juros, o investimento em obrigações a taxa fixa é de evitar; mas as ações e commodities deverão valorizar ainda mais.

Os mercados acionistas arrancaram 2018 em grande estilo. A maioria das bolsas registou a melhor primeira semana da década. Ao mesmo tempo, um conjunto de ativos, normalmente bons indicadores da confiança dos investidores e das expectativas de crescimento, registam valores não vistos há algum tempo. O petróleo está em máximos de três anos e o cobre atingiu o valor mais alto em quatro anos. E até o Business Climate da zona euro registou o nível mais elevado desde 1985!!!

Mas uma semana não faz um ano. O que será razoável esperar em 2018? O crescimento global deverá acelerar para 3,7%. E o risco mais provável será o das revisões em alta. Ou seja, um crescimento global de 4% não será impossível.

As taxas de juro deverão subir, especialmente nos prazos mais longos, à medida que os bancos centrais dos países mais desenvolvidos retirarem os estímulos.

Esta normalização monetária deverá originar alguma pressão no mercado obrigacionista, onde a exposição a taxa fixa será de evitar, e eventualmente nos spreads de crédito que se encontram já em níveis bastante comprimidos. Escapam, no universo obrigacionista, as obrigações de emergentes, que não só oferecem rendimento mais elevado, o que serve de amortecimento caso as taxas de juro subam mais que o esperado, como também beneficiam de um dólar previsivelmente enfraquecido.

Quanto aos mercados acionistas, embora os níveis de valorização sejam bastante elevados historicamente, a Europa, o Japão e os emergentes deverão comportar-se melhor do que os EUA.
As commodities deverão valorizar ainda mais, com destaque para o petróleo, suportado pela conjugação de um aumento da procura global e do controlo da oferta orquestrado pela OPEP e pela Rússia. Para já, o shale produzido nos EUA não está a ser um fator determinante no desequilíbrio entre a oferta e a procura. Veremos por quanto tempo.

Um euro e um iene mais fortes do que o dólar norte-americano parecem também estar no alinhamento, considerando os desequilíbrios que a reforma fiscal norte-americana vai ter nas finanças públicas e no endividamento.

Um cenário globalmente muito positivo que aqui e ali será testado pela evolução das expectativas de inflação e de uma subida de taxas de juro mais agressiva do que o descontado, pelas valorizações bastante elevadas dos segmentos de risco e pelos riscos políticos que movem os mercados no curto prazo.

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