Opinião: Carlos Coelho

Portugal marca-d’ouro!

Caves do Vinho do Porto. (Fotografia: Isabel Leal/ Global Imagens)
Caves do Vinho do Porto. (Fotografia: Isabel Leal/ Global Imagens)

O vinho do Porto é a marca-embaixadora do estômago da nossa multinacionalidade. Consta que Nelson desenhou, no seu barco, o plano da Batalha de Trafalgar com o seu dedo embebido em vinho do Porto. Foi a dedo também que foi o vinho eleito para ser oficial em diversas casas reais; os franceses usam-no para começar, os ingleses para terminar e passam-no ao longo da mesa, pelo lado do coração e o resto do mundo bebe-o para sentir o sabor das encostas xistosas do nosso “Rio do Ouro”. Património Mundial consagrado pela Unesco, o Alto Douro Vinhateiro é um reino de declives, ardósias e granitos de solos instáveis, de invernos frios e verões quentes. Da força e determinação dos homens bravos, do sonho de uns e da necessidade de outros, esculpiu-se esta marca de vinho que sintetiza o ouro da nossa nacionalidade inteira. As montanhas esculpidas nos nossos “jardins da Babilónia”, resultam da força de gerações que, vencendo todas as adversidades, criaram esta marca fortificada e generosa. Das primeiras pipas de 115 galons que chegaram a Inglaterra veio o nome “vinho do Porto”, da visão do marquês de Pombal veio a qualidade, da coragem de Antónia Ferreirinha, a alma, e do barão de Forrester, o seu carácter.

Ao visionário marquês Marketeer devemos as bases desta política Marquista que permitiu que em Portugal fosse criado o conceito de marca-origem de um produto: delimitando a sua região de produção, o seu processo e local de envelhecimento. Mas desde 1756 mudou muita coisa. O que era dado como certo: a qualidade é hoje subjetiva e sujeita a uma elevada pressão desvalorizadora. A identidade é por seu lado cada vez mais preciosa, mas quem a cuida está em vias de extinção.

Temos de rapidamente extinguir o barato que nos sai muito caro e assumir que a nossa história, a nossa geografia e a nossa cultura são as castas mais valiosas do terroir da nossa marca.

As marcas são como os vinhos do Douro, não são simples de criar, nunca poderão ser baratas e nunca vai haver muitas.

Nesta “guerra” mundial comercial, onde os países são marcas e onde isso implica muito na economia, temos de fazer blends de passado com futuro.

A energia vital da marca de Portugal depende da nossa capacidade de entender, preservar e valorizar os nossos recursos endógenos e a nossa sorte é que muitos são d’ouro!

Presidente da Ivity Brands Corp e da Associação Portugal Genial

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