Opinião

EDP, CGD… novelas mexicanas

António Mexia, presidente executivo da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes
António Mexia, presidente executivo da EDP. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

O fundo Elliott foi o último a chegar mas já quer abanar o status quo e faz tremer as paredes de vidro do edifício da elétrica em Lisboa

OPA da CTG sobre a EDP parece uma novela mexicana. Já lá vão nove meses marcados por entraves de Bruxelas e dos Estados Unidos, além do corte das rendas dos CMEC. Os chineses lidam mal com a incerteza e a mudança das regras a meio do jogo, sobretudo quando há Estado à mistura. Mas não são só eles. Investidores como Paul Elliot Singer, o mais temido do mundo segundo a Bloomberg e que lidera o fundo abutre Elliott, começam a ficar impacientes. Por isso, nos últimos dias andaram por Lisboa a falar com jornalistas – e não só – sobre manobras futuras que vão encetar por forma a pressionar o desfecho de uma OPA que parece ter nascido com morte anunciada.

O fundo Elliott tem 2,29% do capital da EDP desde outubro, foi o último a chegar mas já quer abanar o statu quo e faz tremer as paredes de vidro do edifício da elétrica em Lisboa. Para o investidor, está na hora de esclarecer e de monetizar o futuro da companhia. Para a EDP esta pressão poderá ser mais uma ajuda do que uma ameaça, no sentido de clarificar o que aí vem. Com ou sem nuvens negras no horizonte, a empresa liderada por António Mexia está interessada em saber com que linhas se cose e em apresentar ao mercado uma estratégia revista que dê confiança aos investidores que apostam na EDP e que com ela deverão permanecer. Falo daqueles com perfis de mais longo prazo do que Elliott, como é o caso do empresário milionário espanhol Fernando Masaveu, que tem 7,19%; do Mubadala Investment Company, com 4,06%; da Sonatrach, com 2,38%; ou do Qatar Investment Authority, com 2,27%. Com ou sem OPA, a elétrica quer continuar a crescer em valor e geografias, de preferência com mais renováveis no portfolio e menor pegada ecológica.

Esta semana fica ainda marcada pela novela Caixa Geral de Depósitos. Agora, é o ator Carlos Costa que entra em cena, mas logo sai, já que não vai participar nas decisões sobre a CGD. O atual governador do Banco de Portugal pediu escusa ao seu conselho de administração, uma vez que exerceu funções de administrador na Caixa entre 2004 e 2006. A escusa individual foi aceite, mas para a instituição coletiva BdP não há escusa possível.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Caixa Geral Depósitos CGD Juros depósitos

Créditos ruinosos da Caixa nas mãos do Ministério Público

A330-900 neo

A330 neo. Associação de pilotos quer ouvir especialistas na Holanda

Greve de motoristas de matérias perigosas parou o país, em abril. 
(MÁRIO CRUZ/LUSA

Nova greve dos camionistas dia 12. Pré-aviso já foi entregue

Outros conteúdos GMG
EDP, CGD… novelas mexicanas