Opinião

One way and two way decisions

Empreendedorismo no centro do debate
Empreendedorismo no centro do debate

A rentrée é como um ano novo funcional, é a altura do início dos novos ciclos, e o momento em que muitas empresas começam a tomar as grandes decisões.

Se há algo que a realidade nos tem mostrado nos últimos meses/anos é que a esta pode ser pior que a ficção e que mesmo líderes de grandes nações (ex. Reino Unido com o brexit) ou de grandes empresa (ex. Facebook com cambridge analytics), negligenciam o impacto que grandes decisões, dificilmente reversíveis, podem ter para futuro das suas organizações.

O dilema de muitas decisões chave, está frequentemente enraizado na ambiguidade que existe por um lado entre a necessidade de ceder ao nosso ego, e o medo de perdermos o nosso protagonismos e relevância atávica, e por outro lado a capacidade de ouvirmos as novas tendências e as verdadeiras necessidades do mercado, e o nosso instinto mais saudável.

A rentrée é como um Ano Novo funcional, é a altura do início dos novos ciclos, e o momento em que muitas empresas começam a planear o próximo ano, tomar as grandes decisões, concentrar esforços na última etapa até ao final do ano civil ao mesmo tempo que preparam o orçamento e o plano estratégico para os próximos 12 a 15 meses.

Para qualquer empreendedor, e na verdade para a maioria das empresas sem recursos infindáveis, o foco é essencial e para isso é preciso termos claro qual a razão pela qual existimos. É preciso saber olhar para o resultado da nossa evolução e não ter medo de tomar decisões rápidas e acertadas, mesmo que impliquem questionar algumas pedras basilares e obriguem a uma profunda reestruturação da organização.

O foco muitas vezes significa que o nosso mercado actual pode não ser suficiente para as nossas ambições de crescimento, e para tal é necessário produtizar, estruturar processos, pensar numa estratégia mais global e olhar para outros mercados.

O crescimento orgânico é normalmente um desafio para a maioria das organizações, no entanto a criação de parcerias estratégicas pode acelerar a entrada em novos mercados ou indústrias, sem ter que recorrer a grandes investimentos. A escolha dessas parcerias e forma como adaptamos a nossa estrutura organizacional a essa nova realidade é determinante para o sucesso de parcerias mais duradouras.

Reestruturações e foco implicam muitas vezes a mudança relevante de recursos, e por mais duro que possa ser, é importante ter a coragem de se agir de forma rápida e assumir as consequências que possam ter no curto prazo, com o objetivo de focar nos benefícios futuros.

No entanto, por mais ágil que haja necessidade de ser, é importante respeitar as equipas, gerir ativamente os investimentos envolvidos, pois mesmo o final de contratos e as compensações envolvidas podem traduzir um investimento na sustentabilidade futura da organização, e um momento chave da cultura da empresa.

A proximidade das equipas, assegurando a manutenção da sua autonomia, é nestas etapas mais importante do que nunca. Revisitar e transmitir o propósito e adn das organizações, a intuição confiança dos founders e a sua visão para a equipa, será um importante contributo para ajudar a compreender a mudança, sarar eventuais feridas, e poder corrigir rapidamente potenciais tensões ou processos interrompidos, para depois se poder voltar a dar confiança de forma mais orgânica e fluida.

O orçamento de base zero, é um ótimo exercício para permitir materializar a nova dinâmica da empresa, para eliminar maus hábitos, e fazer refletir os investimentos relevantes que nos vão fazer crescer.

Cabe ao líder o papel de ajudar na articulação e atualização da visão, ter capacidade de tomar poucas mas decisões críticas ao longo do tempo, e ao mesmo tempo capacidade de estar atento e intervir para resolver as maiores tensões do sistema, fazendo crescer os elementos chave da organização, e evitando as más decisões irreversíveis – (in)felizmente, nem mesmo os grandes líderes são infalíveis.

Cofundador e CEO da Beta-i

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