Opinião

Fará o vírus parte da receita?

EPA/RUNGROJ YONGRIT
EPA/RUNGROJ YONGRIT

As preocupações com o coronavírus começam a relevar sombras no horizonte para vários setores de atividade.

A Comissão Europeia deu a conhecer as previsões de inverno, com uma redução de 0,1 pontos percentuais no crescimento do PIB europeu. Ainda assim, a boa notícia é que as estimativas para Portugal mantêm-se estáveis nos 1,7%.

Nas previsões económicas de inverno, apresentadas nesta quinta-feira, Bruxelas aponta agora para uma evolução de 1,4% do PIB em 2020 e 2021, contra os 1,5% das previsões de outono. Também a inflação é revista, com um aumento de 0,1 pontos percentuais na antevisão dos próximos dois anos, com o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor na zona euro a subir para 1,3% em 2020 e 1,4% no ano seguinte, fruto dos aumentos salariais e das expectativas de subida dos preços do petróleo.
Nada disto é surpreendente e, pelos números que foram antecipados, provavelmente não terá ainda em conta os efeitos do coronavírus.

Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, considera que, “apesar de um ambiente desafiador, a economia europeia mantém-se num caminho estável, continuando a criar emprego e a ter aumentos de salários”, mas também avisa para os “potenciais riscos no horizonte: um panorama geopolítico mais volátil, associado a incertezas comerciais”. Recomenda, por isso, aos Estados-membros, que usem esta janela de oportunidade para que insistam “em reformas estruturais e fortaleçam o crescimento e a produtividade”. Além disso, “países com elevada dívida pública”, como Portugal, devem “seguir políticas orçamentais prudentes”, avisa o senhor Dombrovskis.

Tudo se pode complicar ainda mais se o covid-19 (nome oficial atribuído ao coronavírus) tiver um impacto económico tão grande quanto se começa a antecipar. Uma das estimativas aponta para um impacto que pode chegar a um ponto percentual no crescimento do PIB da China, sobretudo no primeiro trimestre – e claro que esse pequeno grande ponto percentual afetará o crescimento mundial. Os dados são da Euler Hermes, acionista da Cosec – Companhia de Seguro de Créditos, presente em Portugal.

De acordo com o estudo Coronavirus outbreak in China: Risks of supply chain disruption increase with time, o mais provável é que a China consiga recuperar em um ou dois trimestres, mas vai precisar de ser ajudada por políticas de apoio à produção.

A elasticidade e a capacidade de recuperação da China são bem diferentes das da Europa e as preocupações começam a relevar sombras no horizonte para vários setores de atividade.

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