Opinião

“Vá para fora cá dentro” daqui até à Nova Zelândia

Fotografia: João Silva/ Global Imagens
Fotografia: João Silva/ Global Imagens

Da nossa coragem e confiança vai depender a recuperação económica nacional, que reverte a favor de todos.

Há o risco de 60 milhões de pessoas caírem em pobreza extrema por causa da pandemia, estima o Banco Mundial. Por cá, as filas para o Banco Alimentar nunca foram tão longas. As famílias portuguesas estão a perder rendimento todos os dias desde março: 3,9 mil milhões de euros simplesmente desapareceram, apurou a Deco. Cada família perdeu em média 944 euros. E a perda de rendimento alargou-se a 70% dos agregados.

Esta crise tem-se caracterizado pela escassez de oferta e procura. Todos os negócios sofrem o impacto do vírus e o desconfinamento terá de ser prudente e gradual. Da nossa coragem e confiança vai depender a recuperação económica nacional, que reverte a favor de todos.

Os turistas dificilmente vão chegar. Apesar do recuo do governo, ao permitir aviões com lotação máxima – difícil de entender face a tantas regras e ao distanciamento imposto -, os viajantes terão ainda receios de sair da sua zona de conforto. Este ano, os portugueses terão de ser turistas dentro do seu país. Nunca como agora o slogan “vá para fora cá dentro” teve tanta importância.

Mesmo aqui, os medos continuarão a ser muitos e não há que ter vergonha, mas acredito que o conforto de ficar por perto do Serviço Nacional de Saúde dará alguma confiança que fará crescer a vontade de fazer viagens na nossa terra.

Longínqua mas igualmente exposta ao turismo, a Nova Zelândia anunciou uma medida que merece reflexão: a semana de quatro dias. A proposta é da própria primeira-ministra. Acredita que libertando os trabalhadores para teletrabalho um dia por semana, poderão agarrar nas suas famílias e aproveitar três dias para sair e fazer algum turismo interno. Acautelando o risco de contágio e com menos dinheiro no bolso, ficar será boa solução para muitos.

Para outros, os privilegiados que não viram o rendimento afetado pela pandemia, fica a hipótese de fazer cá dentro as habituais férias de luxo, sem olhar à carteira. Em Portugal há dos melhores e mais sofisticados produtos e serviços para gozar férias de sonho e os mais ricos podem ajudar o turismo.

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