Opinião

Luz verde no semáforo, para já

O primeiro-ministro, António Costa (E), acompanhado pelo ministro de Estado e das Finanças, João Leão (D), no final do debate parlamentar e votação do texto final apresentado pela Comissão de Orçamento e Finanças que aprova o Orçamento Suplementar para 2020, na Assembleia da República, em Lisboa, 03 de julho de 2020. O parlamento deverá aprovar hoje, em votação final global, a proposta de orçamento suplementar, que se destina a responder às consequências económicas e sociais provocadas pela pandemia de covid-19. MIGUEL A. LOPES/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa (E), acompanhado pelo ministro de Estado e das Finanças, João Leão (D), no final do debate parlamentar e votação do texto final apresentado pela Comissão de Orçamento e Finanças que aprova o Orçamento Suplementar para 2020, na Assembleia da República, em Lisboa, 03 de julho de 2020. O parlamento deverá aprovar hoje, em votação final global, a proposta de orçamento suplementar, que se destina a responder às consequências económicas e sociais provocadas pela pandemia de covid-19. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Não aprovar o orçamento seria colocar em causa a gestão do país, numa altura crítica. É importante haver esta luz verde.

O orçamento do Estado (OE) suplementar foi aprovado. Contou apenas com os votos a favor do PS e a abstenção do PSD, BE e PAN. O OES já passou, o impacto económico da pandemia ainda não.
Não aprovar o orçamento seria colocar em causa a gestão do país, numa altura crítica. É importante haver esta luz verde. Só não sabemos ainda se o sinal amarelo ou vermelho vai ainda acender-se neste semáforo. O que está previsto no Suplementar poderá não chegar para fazer face às exigências que o Estado enfrenta.

A tendência para o aumento do desemprego e a prolongada estagnação do turismo, como se pode confirmar já em pleno mês de julho, fazem aumentar as preocupações dos economistas.
Fortes preocupações surgiram também esta semana relativamente a duas grandes empresas nacionais: a TAP e a Efacec. A primeira sofreu uma espécie de nacionalização sem o ser, a segunda uma nacionalização temporária e não duradoura. A primeira é vítima da covid-19, a segunda do LuandaLeaks. Duas bandeiras nacionais, uma na aviação e outra na engenharia e tecnologia, em que foi preciso o Estado intervir para não morrerem.

Agora, falta explicar aos contribuintes o que vai ser feito numa e noutra. Na TAP o Estado ficará até quando? Será vendida depois de reequilibrada? O plano de reestruturação ainda é uma miragem e os contribuintes querem, naturalmente, saber como vão ser geridos os 1,2 mil milhões de euros de injeção estatal – e se vai ser preciso entrar mais verba, caso o apagão económico continue. Além disso, os portugueses gastaram mais 55 milhões para ficar com os 22,5% do capital que o investidor privado David Neeleman detinha, até agora, na companhia aérea.

Esses mesmos contribuintes ainda não esqueceram o que se passou depois da última grande crise financeira, nomadamente com o Banif, com o BPN, com o Novo Banco. Seria desejável que, desta vez, o rumo fosse diferente. Grandes empresas precisam de grandes líderes, independentes e com conhecimento do negócio, e de uma estratégia que responda ao urgente curto prazo, mas também ao médio e ao longo prazo. O país não aguenta mais uma espécie de Novo Banco – mesmo que tenha asas.

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