Opinião

2018 – Melhor ano de sempre

inteligência artificial inovação tecnologia

Ser português e estar a operar para o mundo desde Portugal é uma vantagem nesta revolução digital.

O ano de 2018 foi o melhor de sempre para o empreendedorismo português.

Foi o ano da consagração das startups e das empresas unicórnio como parte integrante do nosso tecido económico. Farfetch, Feedzai, OutSystems, Talkdesk e muitas outras foram nomes lidos e ouvidos diariamente. Pela primeira vez temos vários fundadores recentes de empresas como capa frequente de jornais e revistas, como líderes respeitados e seguidos, como oradores de grandes eventos e tidos por todos como empresários de sucesso. Com uma quantidade ímpar temos pela primeira vez empresas de setores ditos tradicionais a investir e a fazer parcerias com empresas de setores mais emergentes, merecendo um realce especial o exemplo da Semapa, inovador até em termos europeus, mas a Fidelidade, a Delta, a Sonae, a EDP e muitas outras têm desenvolvido programas sérios e com resultados económicos relevantes.

Banqueiros e reguladores a discutirem com startups sobre fintech, industriais a investirem em comércio eletrónico e marketing digital. Multinacionais a selecionarem Portugal para os seus investimentos tecnológicos, Google, Mercedes, BMW, VW, Altran, Bosch, etc. Criam milhares de postos de trabalho e transferência de saber fazer, atitude, procedimentos, de que tanto necessitamos. Empresas tecnológicas nacionais a contratar centenas de quadros qualificados, com vencimentos acima da média, com perspetivas de carreiras internacionais, algo inédito até então e essencial para atrair de volta muitos dos que tiveram de abandonar o país. A Farfetch já conta com mais de dois mil colaboradores em Braga, Guimarães, Matosinhos, Porto e Lisboa. O poder político, local e central acompanhou e apoiou bem este movimento, lançando medidas maduras de fomento e promoção do ecossistema – o programa Startup Portugal, com as suas centenas de milhões de euros de apoios, missões empresariais pelo mundo, programa especial de vistos e voucher para empreendedores entra em velocidade cruzeiro e torna-se um caso de estudo para vários países por todo o mundo. O Startup Visa já recebeu mais de 400 candidaturas de fora da União Europeia. O fundo 200 M recebe as primeiras candidaturas e aprova a primeira operação de 5 milhões de euros, tornando-se, assim, o fundo de coinvestimento mais atrativo da Europa. Após um processo longo e competitivo, a Câmara Municipal de Lisboa e o governo conseguem assegurar a permanência do Web Summit por mais dez anos. Um evento essencial para comunicar ao mundo o que por cá se faz e para associar a marca Portugal a inovação, tecnologia, futuro e ciência.

O ponto alto de 2018 foi o IPO da Farfetch. Pela primeira vez na nossa história um empreendedor português fez um IPO na Bolsa de Nova Iorque, o José Neves, o Cipriano Sousa e toda a equipa da Farfetch estão de parabéns. Ver a bandeira portuguesa hasteada em Wall Street é a prova de que é possível.

Ser português e estar a operar para o mundo desde Portugal é uma vantagem nesta revolução digital, o que não aconteceu nas anteriores revoluções industriais.

2018 foi um ano único, repleto de momentos altos, mas muito há ainda por fazer. Existem muitas histórias de empreendedorismo a acontecer, de sucessos e insucessos, que temos de dar a conhecer. Existem vários setores da sociedade portuguesa que ainda não se aperceberam do poder desta revolução e de como beneficiar dela.

Em 2019 vamos ouvir falar da Skyhour (NY), da Stratio (Coimbra), da Dashdash (Porto), da Sword Health (Porto) e muitas outras startups portuguesas, com muita tecnologia profunda, que estão a conseguir levantar rondas de milhões de investimento inicial no estrangeiro. Algo inédito em Portugal.
Em 2019 vamos ouvir falar da Undandy, da Eattasty, da IndieCampers, da Uniplaces, da Hole19, da 360 imprimir, da Codacy e de muitas outras que estão a revolucionar os mercados em que operam, atraindo milhões de clientes, em dezenas de países, angariando a atenção de muitos investidores internacionais.

Em 2019 vamos ouvir falar dos primeiros aceleradores de empresas internacionais a operar em Portugal, da Techstars, da 500 startups, do Founder Institute com centenas de candidaturas de empreendedores de todo o mundo a escolherem Portugal para lançar a sua empresa.

Em 2019 vamos ouvir falar de uma nova geração de investidores nacionais em capital de risco. Pela primeira vez temos fundadores como investidores. Este ano marcará o início da atividade de vários novos fundos de investimento focados nesta geração de empreendedores.

Dezenas de milhões de euros geridos pela Indico Capital, que conta com a experiência da Cristina Fonseca, cofundadora da Talkdesk, pela Faber Ventures, que conta com Carlos Silva, cofundador da Seedrs, pela Armilar Ventures, o mais experiente investidor em tecnologia de Portugal, e a continuação do bom trabalho da Bright Pixel, com Celso, cofundador da Sapo, com a Sonae IM. Essencial, também, será a presença ativa de dezenas de business angels aproveitando as linhas de coinvestimento da Startup Portugal.

Isto é o que já se sabe, imaginem o que ainda mais virá a acontecer.

O meu desejo para 2019 é que daqui a um ano possa estar aqui a afirmar que 2019 foi o melhor ano de sempre.

Empresário

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