Opinião: Rosália Amorim

2019, o ano da erosão do poder de compra?

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Este último trimestre de 2018 bem como o próximo ano prometem ser um tempo desafiante de governação, sobretudo no que toca às pastas económica e financeira.

O executivo já apresentou o quadro macroeconómico para 2019, que servirá de bússola ao próximo Orçamento do Estado, e revela-se mais otimista do que o FMI, que também indicou as suas previsões para a economia nacional.

Entre os vários desafios destacam-se o crescimento e a forma como o turismo vai contribuir para o produto interno bruto, a capacidade da indústria para crescer nas exportações para os mercados europeus e fora da Europa, a necessidade de criação de postos de trabalho mais qualificados, mas também o endividamento do Estado e dos particulares e o modelo económico baseado no consumo privado.

Quase todas estas rubricas já não surpreendem, até porque, de tanto serem referidas nas notícias, já deixaram de alarmar o cidadão comum no seu dia-a-dia. Mas há motivos para preocupação do lado do consumo: a erosão do poder de compra deveria fazer soar alarmes entre os portugueses.

Não sei se todos repararam, mas, esta semana, o preço do gasóleo subiu três cêntimos e dois cêntimos para a gasolina! Encher totalmente um depósito de um automóvel familiar facilmente começa a representar 80 a 90 euros. Há 5 anos que o gasóleo e a gasolina não estavam tão caros. E, claro, isto significa subida da inflação. A nível europeu, o custo da energia e a consequente subida da inflação pressiona o BCE a aumentar as taxas de juro. É conveniente ter em conta este cenário. Para não haver erosão do poder de compra das famílias, os salários teriam de subir acima da inflação.

O aumento do preço do barril de petróleo é um desafio para a economia portuguesa, que não contemplou valores tão elevados no Orçamento do Estado do ano em curso. Quando falo em erosão do poder de compra das famílias em 2019 não me refiro só ao preço dos combustíveis, que será uma tendência, mas também à subida da Euribor, o que se traduz numa prestação mais cara paga pelas famílias pela sua casa ao banco. Isto é, a confirmar-se este cenário, lá se vai a pequena folga financeira que as baixas taxas de juro lhes tinham proporcionado, mesmo nos duros tempos da troika.

Em conclusão: estimular o crescimento da economia através do consumo privado não se antevê como uma estratégia com futuro. É preciso pensar estrategicamente no rumo do país a médio prazo, até porque as estatísticas dos ciclos económicos a dez anos não costumam enganar. Mais do que nunca, poupar deverá ser a palavra de ordem em 2019-2020, porque ninguém sabe o que vem aí no início da próxima década.

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