2021 entre a incerteza e a esperança

Queremos acreditar que a recuperação será a palavra de ordem dentro de poucos meses, mas a incerteza continua.

Vamos entrar em 2021 entre o impacto da segunda vaga da pandemia e a esperança posta na campanha de vacinação que se inicia dentro de dias.

Queremos acreditar que a recuperação será a palavra de ordem dentro de poucos meses, mas a incerteza continua bem patente na disparidade entre as mais recentes projeções de crescimento económico, divulgadas neste mês.

A OCDE, incorporando já o impacto do recente ressurgimento da pandemia, reviu em baixa a intensidade da recuperação em 2021, de 6,3%, para apenas 1,7%, significativamente abaixo dos 3,6% previstos para a área do euro.

O Banco de Portugal, dias depois, avançou com a previsão de um crescimento de 3,9%, da mesma ordem de grandeza da que o Eurossistema aponta para a área do euro.

Mesmo assim, trata-se de uma revisão em baixa, refletindo o impacto negativo da evolução da pandemia no quarto trimestre de 2020, com uma nova queda em cadeia do PIB que, assume o Banco de Portugal, irá perdurar no primeiro trimestre de 2021. Espera-se depois que, com a diminuição das medidas de contenção, em Portugal e nos principais parceiros comerciais, a atividade acelere ao longo do resto do ano.

Permanecem, no entanto, muitas questões em aberto.

Em primeiro lugar, qual será o ritmo da progressão da pandemia no início do ano, a rapidez da vacinação em larga escala e o seu sucesso no controlo da doença?
Em segundo lugar, qual será o impacto da crise sobre a capacidade produtiva? Isto é, qual a resistências das empresas? Quantas conseguirão sobreviver e em que condições? Quantas estarão aptas a retomar plenamente a sua atividade quando a procura puder ser reestabelecida? O Banco de Portugal chama ainda a atenção para os desafios decorrentes do aumento do endividamento e do risco de crédito...

Em terceiro lugar, a recuperação será condicionada pela dimensão, rapidez e eficácia das medidas de política económica que forem colocadas no terreno.
O conjunto das medidas anunciadas pelo governo em novembro e reforçadas e alargadas em dezembro vem, embora tardiamente, no bom sentido, nomeadamente pela sua componente a fundo perdido, há muito reclamada. É preciso torná-las mais robustas, eficazes e abrangentes. É preciso operacionalizá-las com urgência.

É necessário desenvolver e aprofundar não apenas o Plano de Recuperação e Resiliência, mas toda uma estratégia económica que vise a preservação do tecido produtivo existente e a reorientação do nosso modelo de desenvolvimento, enfrentando os problemas que travam a produtividade e o crescimento da nossa economia.

Não será ainda, certamente, em 2021 que o PIB regressará ao nível anterior à crise. Acredito, no entanto, na força das empresas para acelerar o relançamento da atividade económica e, como no terceiro trimestre deste ano, ultrapassar as previsões dos analistas.
É esta a vontade das empresas.
É este o meu desejo para o ano que vai começar.

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