Opinião

5 dicas para fazer um site mais inclusivo

Internet

Imagine o seu website preferido. Como é o layout dele? Um menu, conteúdo à esquerda e uma sidebar à direita ou vice-versa? Hoje em dia estamos tão habituados a interagir com este esquema de página que não paramos para pensar nele. Imagine agora que não pode navegar com o rato, que por alguma razão o seu rato não funciona, que só pode navegar utilizando o teclado. Torna a interação mais difícil mas claramente não impossível, certo? Agora imagine que tem de navegar neste site de olhos fechados, sem ver nada. Tem somente a ajuda de um leitor de texto e das teclas do seu computador. Parece impossível? É a realidade de milhares de pessoas com deficiência pelo mundo fora que todos os dias navegam pela Internet.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), no Relatório Mundial Sobre a Deficiência, estima que a nível mundial cerca de 15,6% das pessoas com mais de 18 anos vivem com algum tipo de deficiência. O mesmo relatório refere que “pessoas com deficiência apresentam taxas significativamente mais baixas de uso de tecnologias da informação e comunicação do que as pessoas sem deficiência”, indicando ainda que existe pouca informação disponível em formatos acessíveis.

Utilizadores invisuais, deficientes auditivos e utilizadores com alguma limitação a nível cognitivo são as pessoas mais afetas pela falta de acessibilidade na Internet. Contudo, alguém com falta de vista ao perto, com daltonismo, com dislexia ou com surdez parcial pode igualmente encontrar algumas dificuldades a usufruir de todo o conteúdo que está disponível na Internet. Como disse Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, “O poder da web é a sua universalidade. Ser acessível a todos independentemente da sua debilitação é um aspeto fundamental”. Cabe-nos a nós, como programadores, gestores de projeto e designers desenvolver soluções capazes de ser utilizadas por todos, independentemente das suas limitações. Este deve ser um ponto de grande importância, algo a ter sempre em conta, quando se cria conteúdo para a Internet.

Ao criarmos informação acessível, não só estamos a dar a oportunidade a uma fatia da população de consumir conteúdo que de outra forma não conseguiriam consumir, como a melhorar a experiência de utilização de todo o resto da nossa audiência. Como um exemplo de um tema acessível pode beneficiar todos os seus utilizadores é o uso de legendas num vídeo. Qualquer pessoa já teve uma situação em que gostaria de ver uma pelicula mas não pode o ouvir, seja por estar num transporte público sem auscultadores, numa sala com colegas, etc…

Existem diretrizes de várias organizações que guiam os programadores e gestores de conteúdo a tornarem os seus produtos mais acessíveis, que devem ser consultadas durante o desenvolvimento. Alguns pontos chave a ter em conta ao desenvolver um site acessível devem ser:

  • 1. Utilização atributo alt

O atributo alt, numa imagem de um site, é o único conteúdo que um leitor de ecrã consegue entender. Este então deverá estar sempre presente e conter uma descrição correta da imagem exibida. Ao utilizar este recurso irá também melhorar o SEO do site, pois os motores de busca também processam este atributo.

  • 2. Legendas e transcrições para áudio e vídeo

A adição de legendas a um vídeo não só iria permitir a um utilizador surdo entender melhor o conteúdo como ajudaria alguém que, momentaneamente, não pudesse ouvir o áudio do vídeo. O mesmo pode acontecer num ficheiro de áudio a ser disponibilizado. Se cada ficheiro for acompanhado de uma transcrição ou um sumário do conteúdo, nem toda a informação é perdida.

  • 3. Aplicação das etiquetas HTML somente como semântica

A maneira que uma aplicação consegue identificar o que é um título, um subtítulo, uma legenda, uma abreviatura, etc… é através da utilização das etiquetas de HTML. Se estas forem utilizadas para estilização do site ao invés de somente para semântica, torna-se mais difícil para um leitor de ecrã entender a relevância de determinado texto. A correta utilização destas tags também beneficia o site a nível de SEO.

  • 4. Utilizar mecanismos para saltar menus e tabelas

Para um utilizador invisual, ao navegar num site, deverá poder saltar menus e tabelas. No caso dos menus, ouvirá sempre o mesmo conteúdo em cada que entra. Numa tabela, um leitor de ecrã irá estar a percorrer a área inteira, lendo cada célula. Existem mecanismos para mostrar exibir um botão para este efeito que irá somente ser exibido se o site for acedido sem o CSS.

  • 5. Verificar diretrizes especiais para cada tipo de conteúdo

O Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) é um documento que conta série de diretrizes que permitem tornar o conteúdo mais percetível, operacional, compreensível e robusto. Estas diretrizes abordam cada tipo de conteúdo possível de exibir num website e alguns cuidados a adotar durante o desenvolvimento.

Existem também ferramentas, como o WAVE da WebAIM (organização focada na acessibilidade na Internet), que permitem verificar se o site que estamos a desenvolver é acessível. Adicionalmente, como programadores e gestores de conteúdo, temos de colocar-nos na pele de quem irá utilizar o que estamos a construir e refletir se o que estamos a desenvolver consegue ser consumido por pessoas que não conseguem utilizar a Internet da mesma maneira de nós.

Fontes:

Organization, W. H. (2011). World report on disability 2011 (9241564180). Retrieved from https://www.who.int/disabilities/world_report/2011/report.pdf?ua=1

Caldwell, B., Reid, L. G., Vanderheiden, G., Chisholm, W., Slatin, J., White, J., … Cooper, M. (2018). Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.1. Retrieved November 16, 2019, from https://www.w3.org/TR/WCAG21/

Rui Pedro Borges, Software Developer na Key Services – KCS iT

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