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Esta semana cumprem-se 500 dias desde que no início da pandemia tive a ideia de promover uma rede colaborativa com gestores, académicos e outros especialistas que têm feito parte do meu percurso pessoal e profissional nos últimos anos para partilharmos ideias, visões e desafios para o futuro. Quinhentos dias depois depois a oportunidade de fazer um ponto de situação sobre o futuro a partir de um presente que já não é o mesmo que pensávamos ter. Este é o tempo de continuarmos a acreditar e de ter um sentido de confiança estratégico para o futuro. This is the time to share and have smart ideas for a better future. Será esse o lema também daqui para a frente.

Charles Leadbeather, um dos mais interessantes pensadores na área da inovação, ficou célebre pela frase - "We are what we share". Esta frase é muito clara - nós somos muito aquilo que somos capazes de partilhar e ao fazê-lo estamos claramente a dar um sinal muito positivo em relação à nossa integração numa sociedade que se quer aberta e focada no futuro. A sociedade de que nos fala Karl Popper e em que muito acreditava Diogo Vasconcelos, um empreendedor e campeão da inovação que muito marcou uma geração portuguesa e era também amigo de Charles Leadbeather.

Esta crise pandémica que estamos a viver veio-nos obrigar a ficar confinados por questões de segurança. Mas este confinamento não significou nenhuma necessidade de deixar de partilhar ideias ou de participar no espaço público de que nos fala Daniel Innerarity.

Pelo contrário. Nunca como agora foi tão importante reforçar a dimensão interpessoal das nossas relações humanas com um sentido muito claro de estar em rede e ter uma atitude positiva para aprender com os outros e partilhar com os outros a nossa visão das coisas e o conhecimento que temos e que deve ser a base de uma reflexão conjunta inteligente sobre os desafios que temos pela frente.

Como muito bem defende Geoff Mulgan, precisamos de uma nova inteligência coletiva que nos habilite a ser mais competentesm naquilo que fazemos e a injetar um maior capital de confiança nos ecossistemas em que nos vivemos. Com esta crise, tudo passou a ser diferente e nada passou a ser igual. E importa ser criativo na forma de se estar e se ser, como muito bem defende Tom Peters nas suas abordagens tão desafiantes no mundo da gestão. É esta a mensagem que temos procurado dinamizar e reforçar como a base para uma nova agenda mais igual num mundo que mudou depressa e onde tudo passou a ser diferente.

As organizações em que estamos são muito o que nós somos. E apesar desta nova revolução digital que está a alterar a cadeia de valor dos negócios e a agilizar a dinâmica das articulações em rede, a capacidade de antecipar o futuro é algo que continua muito a depender do sentido de oportunidade e de abertura para ser inovador e eficiente. A partilha de informação e de conhecimento deve ser um contexto e um conceito que emerge desta capacidade natural de sermos livres e podermos contribuir com ideias para uma maior qualidade das nossas instituições e uma maior realização individual dos cidadãos. Nós somos muito o que partilhamos e nós vamos continuar a partilhar porque acreditamos no futuro e queremos fazer parte dele.

(O autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico)

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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