7 sugestões para converter as formações presenciais em formações à distância

Tem nas suas mãos a responsabilidade de converter todas as suas formações presenciais para o formato de formação à distância? Aqui estão sete recomendações com base na nossa experiência.

1. Identificar o que pode ser convertido... ou o que não pode

Alguns temas que pareciam impossíveis de abordar num contexto de formação à distância foram convertidos com sucesso nos últimos meses.

Mas, em alguns casos, quando a formação tem um caráter muito prático ou comportamental, manter os objetivos pedagógicos na formação à distância pode ser difícil.

Recomendamos que adote um princípio dos projetos ágeis: mais vale fazer menos, mas fazer melhor.

Imagine a seguinte situação: três dias de formação que incluem o desenvolvimento e treino de novos comportamentos. Pode converter os dois dias relativos à aquisição de procedimentos-chave para formato digital e manter o terceiro dia em formato presencial, dedicado apenas ao treino prático.

2. Apostar nas interações humanas de valor acrescentado

Após identificar os aspetos que vai transformar, terá de repartir os objetivos pedagógicos entre atividades síncronas e assíncronas. De facto, formação à distância não é sinónimo de ausência de interações humanas! Este tipo de interação desempenha um papel essencial no processo de aprendizagem.

No âmbito da formação profissional/técnica, permite obter o feedback de um ou vários especialistas sobre uma nova prática profissional. Já em formações comportamentais, contribui para o debate de opiniões dentro de um grupo, o que ajuda a questionar as nossas crenças e algumas das nossas rotinas mentais (o famoso conflito sóciocognitivo).

As interações humanas permitem também que a formação à distância seja encarada como um ponto de encontro, que desperta o engagement e aumenta o tempo dedicado ao percurso de aprendizagem. Estas interações humanas são, portanto, incontornáveis, mas devem ser cuidadosamente planeadas e desenhadas na formação à distância. Aquilo que está em causa é, em alguns casos, a impossibilidade de os formadores conseguirem interpretar a linguagem corporal dos interlocutores. Como tal, os formadores devem estar preparados para compensar este facto.

3. Atribuir tarefas pessoais ou coletivas a realizar entre cada virtual classroom

Os recursos assíncronos podem permitir que os formandos adquiram conhecimentos, mas, sobretudo, que implementem e consolidem as novas aprendizagens e modos de execução ou pratiquem em contexto real de trabalho.

Uma das principais consequências que o período em que vivemos nos trouxe foi a forte evolução da utilização destas atividades pré/pós virtual classrooms: Onde, anteriormente, um módulo de e-learning era visto como acessório, e era realizado, preferencialmente, sozinho e num momento à sua escolha (e, às vezes, nunca), agora este módulo torna-se num elo essencial na cadeia de aprendizagem, e é realizado em conjunto, no mesmo espaço temporal.

Foi assim que surgiram novas formas de colaboração entre pares, como o cowatching, em que os participantes realizam, ao mesmo tempo, um módulo e partilham os seus comentários em direto ou depois da visualização. As atividades assíncronas tornam-se, assim, cada vez mais... atividades síncronas!

4. Decidir como distribuir a formação ao longo do tempo

Terá agora de tomar uma decisão estruturante para a sua formação: Dividir ou Compactar.

No caso de Dividir - prolongar no tempo as partes da formação -, consegue despertar a atenção dos formandos para determinados conceitos, para além de lhes permitir praticar e identificar mais claramente as aprendizagens adquiridas e as áreas de progresso.
No entanto, há que estabelecer o custo relativo ao planeamento, uma vez que está a dividir um evento presencial em múltiplos eventos à distância.

Compactar consiste em manter o formato presencial inicial, e, portanto, realizar um percurso de aprendizagem composto por virtual classrooms e atividades virtuais ao longo de dois dias. Porém, exige maior concentração por parte do formador e dos formandos, assim como a existência de ferramentas que ajudem os formandos a aplicar as aprendizagens.

5. Capitalizar os modelos para reduzir a carga cognitiva dos formandos

Imagine a seguinte situação: entra na sua aplicação preferida e os botões que normalmente lhe permitem navegar desapareceram. Na verdade, foram alterados e encontram-se noutro sítio.

Numa formação à distância há o risco de que os formandos gastem mais energia a compreender o novo modo de interação do que a perceber o conteúdo! Numa virtual classroom pode ser tóxico.

O seu desafio é, portanto, reduzir a carga cognitiva dos formandos, com uma construção cuidadosa dos slides ou uma definição clara de cada uma das virtual classrooms, o que lhes permitirá saber imediatamente o que precisam de fazer e de que forma o podem fazer.

E a cereja no topo do bolo: isto permitirá que baixe os seus custos de conceção, através da reutilização de abordagens que funcionam.

6. Dar formação aos seus formadores em formação à distância

A animação em formato à distância é diferente da presencial: os ritmos são diferentes, há mais dificuldades na perceção da compreensão ou adesão dos formandos e, acima de tudo, é necessário dominar suficientemente o ambiente tecnológico.

A formação aos formadores deve ter uma abordagem que lhes permita dominar as funcionalidades da plataforma selecionada pela sua organização para realizar a virtual classroom. Mas também saber expressar-se "como na rádio," o que consiste em criar uma ligação à distância, emergir os formandos em situações que lhes digam algo, trazer valor e criar emoção. Por fim, acompanhá-los nas suas atividades pré e pós virtual classrooms. Isto pressupõe uma maior aproximação a contextos de tutoria e acompanhamento individual.

7. Preparar o seu backoffice

As suas soluções são apresentadas, os seus formadores estão capacitados e, como tal, está preparado para comunicar o planeamento das sessões.

Mas, atenção, a eficácia da sua ação de formação tem por base tanto a sua pertinência pedagógica, como o controlo dos seus custos de back-office. É importante garantir os processos administrativos que precedem a sua implementação, seja a gestão das virtual classrooms, inscrição, validação de presenças, avaliação da satisfação, dos conhecimentos adquiridos ou da transferência da aprendizagem.

Antes de se lançar em grande escala, teste algumas sessões para certificar-se de que a sua cadeia de valor está bem alinhada, e que a implementação não gera custos adicionais de administração.

Estas sete recomendações essenciais não têm necessariamente de ser seguidas de forma sequencial. A sua rede de participantes pode estar já muito confortável com a formação à distância, ou pode já dispor de modelos de conceção comprovados. Capitalize os seus recursos e entre na zona de flow para se dedicar ao resto!

Head of Open Courses Business Development e Multimodal Learning & Development Advisor na CEGOC

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