Opinião: Rosália Amorim

Opinião. OE 2018. A pressão da esquerda

MÁRIO CRUZ/LUSA
MÁRIO CRUZ/LUSA

Poderíamos estar pior? Poderíamos, mas a superação das baixas expectativas não faz de Portugal um campeão económico

Já sabemos que António Costa sabe manobrar bem a geringonça. Mas cederá às pressões da esquerda em matéria de orçamento de Estado para 2018, por forma a não perder a aderência à realidade?

Os bolsos dos portugueses estão cheios de otimismo, mas o dinheiro que lá encontram, sempre que remexem os bolsos, é praticamente o mesmo de há dois anos. O controlo do défice e o crescimento do PIB são ainda curtos para grandes aventuras orçamentais ou cedências partidárias e, para ajudar, a dívida não para de crescer. É tudo uma questão de gestão de expectativas. Poderíamos estar pior? Poderíamos, mas a superação das baixas expectativas não faz de Portugal um campeão económico, competitivo e produtivo.

Os empresários, ouvidos todos os dias pelo DinheiroVivo, como é o caso hoje do industrial do calçado e presidente da APICAPS Luís Onofre, queixam-se da falta de mão-de-obra, da baixa produtividade, da necessidade de flexibilizar os impostos que recaem sobre as horas extraordinárias e às quais têm de recorrer sempre que há picos de produção e da falta de trabalhadores bem formados e especializados. É assim nesta indústria e noutros setores, que se lamentam do mesmo. Se o OE 2018 pretende ser sinónimo de caminho para o futuro deverá ter em conta esta realidade, esta necessidade urgente de melhorar os instrumentos que ajudam uma economia a ganhar robustez.

Os partidos, de esquerda ou direita, não podem nunca esquecer-se de que uma economia não se constrói apenas com funcionários públicos, famílias elegíveis para o rendimento mínimo garantido ou pensionistas, numa ótica assistencialista. Constrói-se sim com empresas fortes, com trabalhadores motivados e com patrões que investem e traçam estratégias de crescimento em vez de perderem tempo com custos de contexto do país.

Ainda sobre o Orçamento de Estado 2018, nesta edição vale a pena ler o texto de RicardoReis (ao lado nesta página), sobre o papel das cativações no OE e como esse efeito pode ter iludido os portugueses. Daqui até 13 de outubro, dia da apresentação do OE 2018, devemos ficar particularmente atentos.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Inspeção Geral das Finanças tem inquérito a decorrer.

IGF detetou ilegalidades de 1900 milhões de euros em 2016

Patrick Drahi lidera grupo Altice. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Acionistas da dona do Meo apresentam queixa por “informação falsa ou enganosa”

Fotografia: JOSÉ COELHO/LUSA

OE2018: Aprovado aumento extraordinário de 6 ou 10 euros nas pensões

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Conteúdo TUI
Opinião. OE 2018. A pressão da esquerda