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Opinião. O divórcio

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Em média, 19% dos novos produtos e 15% dos novos processos das empresas de bens manufaturados dos EUA são baseados em investigação académica

A tese Triple Helix refere que a interação entre universidade-indústria-governo é a chave para a inovação numa sociedade baseada no conhecimento (knowledge-based society).

A origem de gigantes tecnológicos como Google, Lycos ou Genentech, entre outros, têm em comum o facto de terem origem nas universidades. Historicamente, a Europa, e especialmente as universidades portuguesas, têm vivido separadas do mundo dos negócios. Em Portugal, a investigação “pura”, por oposição à que é direcionada às empresas, tem tradicionalmente beneficiado de maior prestígio do que a pesquisa científica aplicada. As universidades, tradicionalmente, ensinam os seus estudantes a “como pensar” e não em “como fazer uma diferença” ou “como criar valor”. Esta é a verdade não só nas ciências e nas humanidades, mas também na gestão, onde o curriculum universitário vai mais no sentido de como gerir empresas, em vez de caminhar no sentido de as criar.

Spinoffs são caracterizadas como empresas nas quais as qualificações académicas, resultados de investigação, métodos científicos e outras capacidades desempenham um papel fundamental. Spinoffs são também descritas como empresas que ajudam a comercializar novos métodos científicos, novas tecnologias ou os resultados de investigação gerados ou as capacidades adquiridas pelo fundador do negócio numa unidade de investigação governamental ou numa universidade.

Em média, 19% dos novos produtos e 15% dos novos processos das empresas de bens manufaturados dos EUA são diretamente baseados em investigação académica, principalmente em indústrias de alta tecnologia, como é o caso da indústria farmacêutica, e em desenvolvimento de instrumentos e processamento de informação.

Algumas das empresas criadas no seio do MIT incluem gigantes como a Intel, Genentech, Bose, 3Com, Texas Instruments, Hewlett-Packard ou a Gilette.

Se apenas uma universidade pode criar spinoffs que gerem receitas de cerca de uma vez e meia superiores ao PIB de Portugal, será que não é possível que as as instituições do ensino superior (IES) em Portugal tenham, em conjunto, 10% do empenho do MIT? Basta isso para que o nosso PIB aumente cerca de 15%! Certamente uma coisa para pensar.

Portugal está agora a presenciar uma revolução potencial com o novo Regime Jurídico de Ensino Superior. Resta saber até que ponto o novo regime pode promover o espírito de criatividade e criação de empresas. Um primeiro passo é a clarificação do papel das instituições de ensino superior depois da criação da empresa: quais são as suas responsabilidades, os seus deveres e as contrapartidas? A criação de spinoffs das IES deve ter como objetivo a criação de riqueza social e não só o overhead que as IES cobram pela prestação de serviço dos seus docentes! E deixo aqui uma ideia em concreto – porque não indexar o financiamento das IES às startups criadas? É uma sugestão, entre outras…

Professor catedrático, Universidade de Évora

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