9 tendências para um ano promissor em Saúde e Tecnologia

O curso da inovação tecnológica em 2020 e nestes meses iniciais de 2021 sofreu grandes alterações devido ao impacto da pandemia provocada pelo coronavírus. Em nenhum setor esta verdade foi tão expressiva como no da Saúde. Desde o ano passado, a inovação em tecnologias e cuidados de saúde focou-se na resposta à atual crise sanitária, e, em quase todos os casos, as tendências tecnológicas previstas foram aceleradas em décadas. Na verdade, é possível enumerar algumas que vão ganhar maior expressividade ainda este ano.

1. Expansão da Telemedicina

Perante a necessidade de adiar e cancelar consultas nos hospitais, observamos pacientes e profissionais de saúde a abraçarem novas formas de manterem o contacto. O ano de 2020 foi o da Telemedicina em todo o mundo e, em 2021, prevê-se que essa ferramenta deixe de ser usada como um recurso de emergência para passar a ser utilizada como algo vulgar no dia-a-dia de profissionais e utentes, evitando, por exemplo, deslocações desnecessárias.

2. Crescimento da adoção da Inteligência Artificial (IA) e Tecnologias de Saúde Digital

As tecnologias digitais, e principalmente a IA, vão ser ainda mais cruciais para otimizar recursos. Em 2020, foi lançado um relatório onde se deixa claro que a tecnologia é a forma de automatizar muitas das tarefas que tiram tempo aos profissionais de saúde, permitindo que estes passem mais tempo com os pacientes e consigam acompanhá-los melhor.

3. Maior atenção dedicada à "pandemia silenciosa": a doença mental

Uma pandemia sentida globalmente lembrou acerca da necessidade de também cuidarmos da mente, perante um crescimento das patologias psicológicas que o confinamento e os traumas da pandemia causaram. Em 2021, a tendência passa por reforçar os apoios disponíveis, ao mesmo tempo que a saúde mental passa a ser, reconhecidamente, algo que tem de ser prioridade nos cuidados de saúde pós-pandemia.

4. A saúde passa a ser parte de todos os aspetos da nossa vida

O regresso a um "novo normal" dificilmente será como antes, e governos, empresas e famílias terão de ajustar os seus espaços e interações a cuidados de segurança de saúde. A tendência será a de organizações continuarem a ter, na sua gestão, uma maior preocupação com a saúde dos colaboradores e utilizadores. Espera-se que a aposta na prevenção esteja mais na ordem do dia.

5. Os Hospitais deixam de ser o centro dos cuidados de Saúde

Os hospitais não podem ser o centro de todos os cuidados de saúde. Temos de ir ao Hospital apenas quando precisamos de cuidados altamente especializados e temos de ficar nesses espaços o menor tempo possível, privilegiando projetos mais descentralizados e com primazia na prevenção, que tragam os cuidados para perto dos cidadãos.

6. Primazia dos cuidados remotos

O uso da tecnologia digital permite, hoje, que o paciente faça uma recuperação, com todas as condições, em sua casa. Desta forma, libertam-se recursos para cuidados críticos nos hospitais, aumenta-se o conforto dos pacientes e famílias, e, em muitos casos, o sucesso da recuperação pelo uso de uma tecnologia mais facilmente disponível do que um profissional de saúde.

7. Aumento da escolha do paciente

A tecnologia digital veio quebrar geografias. Hoje podemos aceder a um médico no outro lado do país através de uma videochamada, ser acompanhados pelos melhores profissionais de saúde através de sensores em nossa casa, e aceder a aplicações de toda a Europa que usem inteligência artificial para nos ajudar a ter uma vida mais saudável, ou monitorizar as nossas doenças.

8. Aumento da colaboração e cocriação em inovação

A inovação durante a pandemia implicou a necessidade de profissionais de saúde, privados, e governos trabalharem em conjunto para solucionarem problemas vividos no terreno. A colaboração e criação conjunta por parte de quem vive o problema, e de quem tem o conhecimento para potenciais soluções, é o verdadeiro motor da inovação.

9. Maior preponderância das parcerias e consórcios internacionais

Esta pandemia mostrou como os países partilham desafios semelhantes em saúde. Impera, por isso, reforçar um ecossistema de saúde digital Europeu, porque só assim podemos garantir o progresso necessário ao nível da inovação. O trabalho do EIT Health nos diferentes projetos que juntam os vários agentes é um modelo para estas relações, e que terão agora um envolvimento alargado mais facilitado.

Perante a esperança de normalidade com o início da vacinação das populações, estas tendências - iniciadas em 2020 - poderão revelar como a inovação nos cuidados de saúde vai impactar a nossa vida no período "pós-pandemia", muito para além de 2021.

Miguel Amador, responsável pelo European Institute of Innovation and Technology - Health (EIT Health) em Portugal.

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