Opinião: António Saraiva

A automação e o futuro do trabalho em Portugal

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

"A adoção da automação poderá levar à perda de 1,1 milhões de postos de trabalho até 2030".

A CIP apresentou nesta semana um estudo sobre o Futuro do Trabalho em Portugal, elaborado em parceria com o McKinsey Global Institute e a Nova School of Business and Economics, no qual se analisa o impacto da automação na evolução do emprego. Com este estudo, conhecemos melhor, agora, a dimensão dos desafios que há muito percecionávamos.

Cito apenas três conclusões elucidativas dos esforços necessários para que se minimizem os riscos decorrentes desta transição e para que se potenciam as suas imensas oportunidades:

A adoção da automação poderá levar à perda de 1,1 milhões de postos de trabalho até 2030, com maior incidência nos setores da indústria transformadora e do comércio;

A adoção da automação e o inerente crescimento económico poderão criar entre 600 mil e 1,1 milhões de novos postos de trabalho até 2030, com especial incidência nos setores da saúde, assistência social, ciência, profissões técnicas e construção;

Pelo menos 700 mil trabalhadores necessitarão de melhorar as suas competências ou mudar de emprego até 2030.

Este estudo vem, assim, confirmar que os sistemas de ensino e, sobretudo, de formação profissional têm de dar resposta às necessidades empresariais. É o ensino e a formação que têm de se adaptar à realidade da economia e das empresas e não a realidade ao ensino e à formação. Tanto mais que não existirá crescimento sem trabalhadores capacitados para as exigências do mercado e para a realidade competitiva das empresas.

No domínio da legislação laboral, este estudo reforça a necessidade de um enquadramento adequado à adaptabilidade das empresas a mercados em constante mutação e à adoção de novas tecnologias e novos processos.

Se não formos capazes de enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que esta mudança nos traz, em termos de qualificações e produtividade, passaremos a ouvir certamente falar das vítimas da automação ou dos desempregados tecnológicos.

Se todos nos capacitarmos que a evolução tecnológica é imparável, se houver convergência de esforços do governo e dos parceiros sociais para o processo de reconversão da força de trabalho que ela exige, estaremos aptos a promover a adaptação necessária, acautelando interesses de empresas e trabalhadores. A automação poderá, então, ser encarada sem receios e impulsionar um salto significativo na produtividade das empresas e no bem-estar económico dos portugueses.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(Gustavo Bom / Global Imagens )

Englobamento agrava IRS para rendimentos ‘protegidos’ pelo mínimo de existência

(Gustavo Bom / Global Imagens )

Englobamento agrava IRS para rendimentos ‘protegidos’ pelo mínimo de existência

Salvador de Mello
( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

Saúde não pode andar “ao sabor de ventos políticos”

Outros conteúdos GMG
A automação e o futuro do trabalho em Portugal