A certeza da incerteza continua...

Exige-se maior determinação das políticas públicas, para que não se perca todo o ganho alcançado

Nesta forte recessão estamos a assistir a uma queda abrupta de componentes do PIB que privilegiamos como suporte de uma estratégia de crescimento sustentado. Portugal regrediu na Intensidade Exportadora para o nível de há uma década atrás, praticamente o mesmo por altura da entrada na então CEE.

É evidente a necessidade de melhorar este indicador, para se atingir a meta de 53% em 2030.

Exige-se maior determinação das políticas públicas, para que não se perca todo o ganho alcançado, fruto do enorme esforço das empresas desde a última crise económica e financeira.

Não podemos negligenciar as enormes dificuldades que também atravessam os nossos principais mercados de exportação. Por maior que volte a ser o esforço das empresas, no imediato, a evolução da sua atividade está condicionada pela dinâmica negativa do mercado internacional, face ao elevado grau de abertura da economia.

No imediato, temos de atuar no que estará mais nas “nossas mãos” e no nosso alcance.

Exige-se um esforço conjunto de todos, no sentido contribuir para a criação de riqueza, a manutenção e criação de emprego e, consequentemente, para a melhoria do nível de vida e bem-estar.

Importa valorizar e estimular a produção e procura de bens e serviços com elevado grau de incorporação nacional, ajudando à substituição de importações e à redução da dependência do fornecimento de determinados mercados.

Importa apostar na reindustrialização, oportunidade de Portugal para o aproveitamento do encurtamento e relocalização das cadeias de valor europeias, na (re)qualificação dos ativos e na melhoria substancial das infraestruturas de conectividade, cujos investimentos há muito previstos têm sido sucessivamente adiados, como a ferrovia para o transporte de mercadorias e os Portos.

Portugal é um dos países da OCDE onde é exigido maior esforço fiscal e onde esse esforço mais tem aumentado. Simultaneamente, mantém um dos mais baixos níveis de qualificação da população ativa.

A estes constrangimentos juntam-se outros que persistem para a atividade empresarial. Temos de ser capazes de os eliminar ou reduzir substancialmente. Só assim se abrirão melhores perspetivas para a fase da recuperação, que com toda a certeza sabemos que continua muito incerta.

Neste sentido, abordarei no meu próximo artigo um conjunto de medidas a propor em sede do Orçamento do Estado para 2021.

 

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)

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