À deriva

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa entenderam a euforia dos adeptos que quebraram todas as regras por eles impostas para controlar a pandemia, em nome da celebração de um campeonato de futebol. Compreenderam mesmo a incapacidade do ministro da Administração Interna e do presidente da Câmara de Lisboa para antecipar e conter a loucura que os levou à rua aos magotes. E desta vez, ao contrário do que aconteceu no Natal, até contiveram a tentação de culpar as pessoas pelo descontrolo que a eles cabia evitar.

Aceitariam com tanta bonomia, primeiro-ministro e Presidente, que saturação e desespero levassem os que há mais de um ano sofrem na pele os efeitos das opções por eles tomadas a ignorar as leis e a reabrir as portas dos seus negócios?

Bares e discotecas estão impedidos de funcionar desde março de 2020, milhares de pessoas foram atiradas para o desemprego - muitos desses negócios e postos de trabalho dificilmente chegarão a ser retomados. Não são considerados prioritários e nem sequer há data para que voltem a abrir.

A indústria dos eventos, os festivais, a cultura puderam apenas há um par de semanas voltar ao trabalho, com restrições brutais e perdas acumuladas ainda por calcular no seu todo. Cafés, restaurantes, lojas e centros comerciais são mantidos a meio gás, sujeitos aos horários, à lotação e às regras de funcionamento impostas pelo governo. Regras que penalizam toda a economia, incluindo as atividades que nunca chegaram a parar.

Sem circulação de pessoas, com as famílias a perder rendimentos ou receosas de vir a sofrer cortes, de cair no desemprego quando se fechar a torneira dos apoios, não há consumo. E sem consumo, não há empresas, não há economia que resista.

Nesta semana, Bruxelas notou que a recessão foi mais pesada em Portugal do que na média da zona euro, muito por causa da "elevada dependência" do turismo. E as vacinas, reconhece a Comissão, pouco ou nada vão ajudar à retoma dessa atividade nos tempos mais próximos, condenando Portugal a ficar ainda mais para trás. O INE revelou que o segundo confinamento caiu com mais força sobre os empregos permanentes, com uma perda líquida de quase 50 mil postos de trabalho. Nada que leve os nossos governantes a arrepiar caminho e levantar restrições para dar algum fôlego à atividade económica, confiando na responsabilidade de quem não quer arruinar o seu negócio, aniquilar o seu emprego, para voltar ao trabalho com as devidas cautelas.

Preferem abandonar Portugal a uma marcha lenta, enredado numa dependência de subsídios que ameaça manter as empresas de mãos atadas, a ver fugir para longe a boia da retoma, do emprego, da riqueza. E deixar cada vez mais doente um país já marcado por crescimentos anémicos, subjugado às esmolas e à boa vontade dos demais. Um país cada vez mais nas mãos do Estado.

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