A excessiva assimetria territorial do poder de compra

O país precisa de uma estratégia de crescimento, promotora da redução das assimetrias. É necessário criar riqueza e dar atenção às empresas

Esta semana, o INE divulgou o “Estudo sobre o poder de compra concelhio”, referente a 2017, relativamente ao qual vale a pena sublinhar e refletir sobre alguns resultados.

Em relação ao indicador per capita do poder de compra, no contexto das sete regiões NUTS II, apenas a Área Metropolitana de Lisboa apresenta um valor superior à média nacional.

Por outro lado, dos 308 municípios, apenas pouco mais de 10% têm um poder de compra per capita superior à média do país, com Lisboa a apresentar mais do dobro da média nacional - o valor mais alto e bem distante do mínimo registado por um município da Região Autónoma da Madeira (45% abaixo da média nacional).

Importa igualmente realçar a situação observada no indicador percentagem de poder de compra, com as regiões NUTS III Área Metropolitana de Lisboa e Área Metropolitana do Porto a concentrarem, conjuntamente, mais de metade (51,6%) do poder de compra, bem acima do peso da sua população (44%). Porém, este resultado global esconde diferenças substanciais nestes dois territórios, que mais uma vez vale a pena sublinhar e refletir. A discrepância entre a percentagem do poder de compra e a percentagem da população residente é significativamente elevada na Área Metropolitana de Lisboa - concentra 34,2% do poder de compra e 27,5% da população. Já na Área Metropolitana do Porto a correspondência é muito próxima (17,5% e 16,7%, respetivamente).

A excessiva assimetria territorial do poder de compra é também muito clara quando olhamos à escala municipal, com metade do poder de compra nacional concentrado em apenas 22 municípios e três quartos em 64 municípios.

É uma situação que nos deve inquietar, sobretudo porque estes números não são muito diferentes dos da última edição do estudo, referente a 2015.

O país precisa de uma estratégia de crescimento, promotora da redução das persistentes assimetrias. Para distribuir, é necessário, em primeiro lugar, criar riqueza, pelo que, mais uma vez, deve ser relevado o foco no importante papel das empresas. Só com condições favoráveis à sua atuação será possível fixar atividade e promover o bem-estar das populações.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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