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Opinião. A Farra dos Guardanapos

paris

O grupo jantava, vestido de gala, num restaurante de luxo em Paris, um hábito do casal Cabral-Ancelmo

Em 2012, o blogue de Anthony de Oliveira, o governador do Rio de Janeiro de 1999 a 2002 conhecido na vida pública de radialista e de político como Garotinho, publicou um texto e uma fotografia que ficaram conhecidos pela legenda “A Farra dos Guardanapos”.

No texto, na foto e na farra, os protagonistas eram Sérgio Cabral, que chegaria mais tarde, de 2007 a 2014, à chefia do mesmo governo do Rio, a sua mulher Angela Ancelmo, o dono da construtora civil Delta, Fernando Cavendish, e os secretários de Cabral à época, Wilson Carlos (área do Governo) e Sérgio Côrtes (área da Saúde).

O grupo jantava, vestido de gala, num restaurante de luxo em Paris, um hábito do casal Cabral-Ancelmo que, soube-se depois, viajou 264 vezes ao estrangeiro durante os sete anos de gestão do Rio e fazia o caminho de meia dúzia de quilómetros entre o apartamento e o escritório no helicóptero do governo.

O jantar tornou-se farra porque lá para o fim da reunião, num daqueles momentos de alegria que as refeições bem servidas e bem regadas proporcionam, ainda para mais quando se dão em restaurantes de alta qualidade e num cenário tão deslumbrante como a noite parisiense, os homens do grupo decidiram abraçar-se e colocar os guardanapos de linho à volta da cabeça, tipo piratas, para a fotografia – e Ancelmo e as outras senhoras presentes registar em foto os seus sapatos Louboutin comprados naquela mesma tarde.

Afirmava Garotinho no seu blogue, e esse é o ponto, que a aparentemente inofensiva festa à grande e à francesa da troupe de Cabral foi paga pelo dinheiro dos contribuintes.

Ora, como passados três anos, em 2015, o seu sucessor à frente dos destinos do Rio decretou situação de “calamidade pública” no estado, em virtude de uma crise financeira sem precedentes, em que escolas, esquadras e hospitais fecharam ou passaram a trabalhar a meio gás e funcionários do governo atuais e antigos vivem com salários em atraso, as autoridades entraram em campo para investigar.

E, com efeito, dos alegres comensais, quatro homens – Cabral, Cavendish, Carlos e Côrtes – e uma mulher – Ângela Ancelmo – acabaram presos.

Cavendish, o empreiteiro, foi o primeiro membro da “Farra dos Guardanapos” a ser detido, na Operação Saqueador, sob acusação de desvio de 370 milhões de reais dos 11 mil milhões faturados em contratos com o poder público, principalmente com o Governo do Rio sob a batuta do colega de farra Cabral.

Côrtes, o secretário da saúde da gestão de Cabral, tornou-se o último “pirata” preso, no âmbito da Operação Fatura Exposta: está na cadeia desde há um mês, por ter fraudado licitações de próteses num total de 300 milhões de reais.

Pelo meio, o braço direito do governador, Wilson Carlos, tal como o seu chefe, Cabral, e a mulher deste, Angela Ancelmo, por desfalques superiores a 100 milhões de dólares dos cofres públicos revelados na Operação Lava-Jato são desde dia 17 de Novembro inquilinos da prisão de Bangu.

Ah, falta Garotinho: o homem que denunciou a “Farra dos Guardanapos, foi preso na véspera de Cabral, dia 16, por de acordo com a polícia comprar votos em Campo de Goytacazes, cidade onde a sua mulher era prefeita.

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