Opinião

A hora da Europa

Comissão Europeia, Bruxelas (REUTERS/Yves Herman)
Comissão Europeia, Bruxelas (REUTERS/Yves Herman)

Agora que os planos de recuperação começam a ser apresentados pelos países em Bruxelas, começa verdadeiramente hora da Europa. E esta é a grande oportunidade de apostar num verdadeiro Modelo de Desenvolvimento que seja partilhado sob a forma de Contrato Estratégico entre o Estado e a Sociedade Civil – os atores económicos e sociais (Municípios, Empresas, Universidades, Centros de Inovação)- e que seja a base para fazer dos Fundos uma aposta sustentada para o futuro do país. Precisamos por isso de uma Nova Agenda Europeia centrada no futuro e caberá a todos, cidadãos e instituições a responsabilidade de agilizar um compromisso estratégico centrado na criação de mais valor na economia e mais inteligência coletiva na sociedade. Disso nos fala – muito bem – o excelente 2020 Strategic Foresight Report acabado de publicar pela Comissão Europeia e que é um verdadeiro referencial para o futuro.

Os Fundos Comunitários foram concebidos como um instrumento inovador para dar resposta às novas exigências que a competição da economia global e os novos fenómenos sociais exigem ao nosso país. O balanço destes anos de Fundos Comunitários em Portugal, agora cumpridos, é muito claro: aposta sustentada na melhoria das infra-estruturas do país, numa lógica não raras vezes pouco coordenada e monitorizada (veja-se a proliferação desnecessária de parques industriais e pavilhões desportivos municipais), falhas sucessivas nas acções de formação empreendidas ao longo das três intervenções levadas a efeito, resultados muito frágeis nas áreas essenciais da inovação, conhecimento e competitividade. Ou seja. Passado este tempo todo Portugal é um país de auto-estradas com menos coesão territorial e crescentes desigualdades sociais numa Europa em grande indefinição de identidade. E com esta pandemia tudo tem que mudar.

Os Fundos Comunitários não podem ser interpretados pelos atores nacionais como mais um instrumento financeiro utilizável para dar cobertura a uma crescente falta de financiamento nos circuitos tradicionais. Em tempo de crise financeira, impõe-se mais do que nunca um verdadeiro choque operacional que conduza a mudanças claras e necessárias: desativação das atividades empresariais sem valor, aposta maciça numa formação / educação que produza quadros reconhecidos pelo mercado, fixação de investimentos e talentos nas regiões mais desfavorecidas, criação de um contexto competitivo moderno voltado para a criatividade das pessoas e a qualidade de vida das cidades.

É por isso que a aposta numa Estratégia Coletiva para o futuro tem que ser a marca desta Nova Agenda Europeia. Um sinal de aposta nas políticas do conhecimento, centradas em territórios inteligentes e apostas na dinamização de verdadeiros “trabalhadores criativos”. Ideias muito simples e claras e para as quais mais não é necessário do que um pacto de cumplicidade estratégica e convergência operacional entre todos os que têm responsabilidades – atores públicos, empresas, Universidades e Centros de Saber. Os Fundos Comunitários não podem ser interpretados como um mero instrumento conjuntural de resposta a uma crise estrutural mas antes como uma aposta estrutural capaz de alterar a conjuntura no futuro.

Portugal não perder esta oportunidade de alteração do seu paradigma de desenvolvimento estratégico através da dinamização de uma Nova Agenda Europeia. Em tempo de profunda crise financeira, têm que ser mecanismos de reforço da utilização inteligente dos recursos associados à nossa Integração Europeia, Os Fundos Comunitários têm duma vez por todas que se assumir como um factor estratégico de convergência positiva do país face aos novos desafios duma economia global complexa e exigente. Esta é de facto a Hora da Europa e também muito a nossa hora.

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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