Opinião

A hora das mulheres

O primeiro painel de investidoras do She Tank, a versão feminina do Shark Tank (Julie Hopkins/Camera Creations)
O primeiro painel de investidoras do She Tank, a versão feminina do Shark Tank (Julie Hopkins/Camera Creations)

É muito difícil para uma mulher que quer lançar uma startup conseguir financiamento tradicional e convencer capitais de risco a apostarem nela

Nem a feminista mais teimosa pode negar que o progresso dos direitos das mulheres nas últimas décadas foi algo de extraordinário e que este é o melhor momento da história para se ser mulher. Ainda que a derrota de Hillary Clinton tenha sido sentida como um passo atrás, o que aconteceu no último ano nos Estados Unidos abriu caminho para a nova vaga da revolução feminista. A luta agora não é pelo direito de votar, viajar sozinha ou abrir uma conta no banco. Agora é por paridade salarial e igualdade de oportunidades. E é isso mesmo que se está a organizar na sociedade civil norte-americana, com a ambição de ter um efeito global.

“Há muitas mulheres em posições de influência. Infelizmente, as suas vozes não são tão respeitadas e elas não são pagas conforme o seu valor”, declarou o mayor de West Hollywood na segunda conferência anual “Live, Love, Thrive”, que decorreu este fim de semana. John Heilman foi um dos homens a participar no evento, que tentou condensar em dois dias conversas inspiradoras, lições de empreendedorismo, dicas de investimento e ainda a estreia do She Tank – uma versão feminina do Shark Tank.

A ideia é que investidoras e empresárias bem sucedidas de todo o país ouçam o pitch de empreendedoras com boas ideias de negócio e as ajudem com investimento e/ou mentoria. Vai haver uma série online a seguir o She Tank pelos Estados Unidos fora e mais tarde, se ganhar tração, um programa televisivo no mesmo estilo da versão original.

Tudo isto é giro em termos de entretenimento, mas a sua génese tem contornos mais sombrios: é muito difícil para uma mulher que quer lançar uma startup conseguir financiamento tradicional e convencer capitais de risco a apostarem nela. Negócios liderados por mulheres recebem algo como 5% a 15% do total disponível. Não vale a pena sequer elaborar os motivos pelos quais isto provavelmente acontece – menor histórico de empreendedorismo? Menor agressividade a negociar? Menos tempo para dedicar em exclusivo à carreira? Menos imaginação? Tubarões com dinheiro que preferem ter um homem como CEO?

Uma e outra vez me dizem isto em entrevistas: o investimento escapa-lhes por entre os dedos, mesmo quando a ideia é boa. Ou então precisam de contratar um homem para dar a cara. As condições não são as mesmas, seja qual for o motivo. O que concluiu a criadora do She Tank, Catherine Gray, é que não vale a pena andar a choramingar. É preciso pegar no problema e arranjar-lhe uma solução.

Foi mais ou menos isto que disse Kathleen Ronald, criadora do programa “Clutternomics”, que ajuda mulheres a definirem as suas ideias e a transformá-las em negócios. “A Madre Teresa não andava para aí a queixar-se de dores nas ancas. Tinha merdas para fazer.”

Do painel sobre finanças, retive algumas dicas interessantes. “A forma como gerimos o nosso dinheiro não tem que ver com o dinheiro em si, mas com as emoções associadas a ele.” É sempre possível recuperar de um desastre financeiro e regressar a um caminho de prosperidade, disse Pegi Burdick, que lidera o programa The Financial Whisperer. “Comecem por baixo, poupando uns trocos por semana. Mas tomem ação.”

Talvez o propósito do She Tank, talvez os escândalos de assédio que estão a surgir por todo o lado, talvez este movimento que surgiu com a eleição de Donald Trump possam ser todos encaixados no que disse Kelly Lynch, fundadora da KPL Select Mortgage. “Você controla a sua liberdade financeira. Não dependa de mais ninguém.”

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