Opinião: Carlos Brito

A hora dos empreendedores

Fotografia: Mihuel A. Lopes/Lusa
Fotografia: Mihuel A. Lopes/Lusa

Só os que estiverem dispostos a encarar o futuro nas suas próprias mãos é que terão possibilidade de sobreviver

No 2.º trimestre deste ano Portugal conheceu uma queda histórica do seu PIB. Pior do que nós só Espanha, França e Itália.

Se fosse político da oposição, a primeira coisa que faria seria pedir contas ao Governo pelo descalabro; se estivesse envolvido na governação diria que o problema decorre da dependência da nossa economia face ao turismo, um setor particularmente fustigado pela crise pandémica, e da má performance das economias com quem temos mais relações comerciais – só aqueles três países absorvem mais de 40% das nossas exportações.

Como não sou político, nem na oposição nem na governação, a questão que coloco prende-se antes com o que fazer para sairmos desta situação. Não faço a pergunta ao Governo (outros a farão por mim) mas aos cerca de 10 milhões de portugueses: o que é que cada um de nós está disposto a fazer?

Uma coisa é certa: neste contexto, que é não só altamente adverso mas também incerto, mais do que nunca Portugal precisa de empreendedores. Isto é, de pessoas capazes de encontrarem soluções inovadoras que deem resposta a desafios inesperados com base em recursos eventualmente ainda não inventados. Ou, se o estimado leitor preferir algo mais simples, o País precisa de gente com espírito de iniciativa.

É necessário que esse espírito não se restrinja aos que estão à frente da administração pública central, regional e local, nem aos que lideram as milhares de empresas, sejam elas grandes, médias, pequenas ou micro. Essa atitude é pedida também aos trabalhadores por conta própria e de outrem, aos desempregados, aos estudantes, aos reformados, enfim, a todos.

Sei que não é fácil. Mais simples é deitar as culpas para terceiros e reivindicar apoios e subsídios. Mas felizmente (não é gralha, é mesmo “felizmente” que quero dizer) o desafio é de todos. O que significa que só os que estiverem dispostos a encarar o futuro nas suas próprias mãos é que terão possibilidade de sobreviver. Aos outros caberá aguardar pelo destino e, parafraseando Fernando Pessoa, esperar que lhes ofereçam “o bilhete que há de ter a sorte grande”.

Quando vejo responsáveis por este País inebriados com os milhares de milhões de euros que aí vêm – virão? – fico a pensar que estão mesmo à espera do bilhete sorteado. Estarão à altura de o utilizar bem?

Para que daqui por dez anos não estejamos a lamentar mais uma oportunidade perdida, precisamos de três coisas que qualquer manual ensina aos alunos do 1.º ano das licenciaturas em Economia ou Gestão: planeamento, ação e controlo. Será assim tão difícil?

 

Carlos Brito, vice-reitor da Universidade Portucalense

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