Opinião

A i-revolução da i-sociedade

Pedro Ribeiro, Vice-President Engineering Bosch Termotecnologia
Pedro Ribeiro, Vice-President Engineering Bosch Termotecnologia

A Internet das Coisas está a criar um novo mundo quantificável e mensurável onde pessoas e empresas podem gerir os seus ativos de maneira mais otimizada e tomar decisões mais oportunas e mais bem adequadas. Este novo mundo conectado traz mudanças fundamentais para a sociedade e para os consumidores.

Ao “sentir” o ambiente ao nosso redor, a IoT vai criar muitas melhorias práticas no mundo que nos rodeia, aumentando a nossa conveniência e segurança e, ao mesmo tempo, a eficiência energética e o conforto. A IoT é já uma nova fonte de criação de riqueza.

De acordo com a Cisco, havia 13 mil milhões de dispositivos conectados à Internet até 2013. Até 2020, estima-se que esse número chegue aos 50 mil milhões. À medida que esta se torna uma realidade mais presente no nosso dia-a-dia, a inteligência, a comunicação, a predição a análise e a decisão vão ser ativadas em cada “coisa”.

Para se perceber a dimensão e a velocidade a que a Internet das Coisas evolui e conquista as mais diversas áreas é necessário colocar em cima da mesa até a parte menos óbvia da nossa existência neste contexto, começando pelo nosso corpo. O potencial associado às várias possibilidades da IoT começa na capacidade de dispositivos nos fornecerem informações sobre a nossa atividade, saúde e condição físico. A esse nível, é já possível, em alguns casos, prevenir determinados acidentes de saúde, assim como fazer uma melhor gestão da nossa atividade, repouso e sono. Temos, por isso, a possibilidade de contar com um assistente de saúde 24 horas por dia, 7 dias por semana. Outros dispositivos que não os individuais são capazes de monitorizar pessoas em edifícios e perceber se algo de errado está a acontecer, aumentando o nível de segurança de bens e pessoas.

Trazer a Internet das Coisas para dentro de casa é outra das tendências que se verifica. Basta para isso recuar às várias apresentações das maiores marcas durante a CES – a maior feira de tecnologia do mundo – que passaram, essencialmente, pelo lançamento de produtos e tecnologias que permitem o controlo até da roupa que temos no armário ou da comida que temos no frigorífico. Mas o potencial da IoT associado a edifícios vai muito para além do simples eletrodoméstico. Através da capacidade analítica e preditiva dos dispositivos é possível tornar a gestão de energia mais eficiente, e mesmo remotamente é possível controlar os sistemas de aquecimento, arrefecimento, iluminação e segurança contra incêndios.

Ainda na área da eficiência energética e da preocupação ambiental, os dispositivos conectados, como é o caso do smartphone, em associação com a utilização de aplicações vão fornecer leituras do nível da poluição e tornar a utilização dos transportes mais eficiente, baseados na partilha.

A IoT permite e permitirá de forma cada vez mais eficaz e eficiente, obter leituras em tempo real de campos, florestas, oceanos e cidades, com detalhes sobre os níveis de poluição, humidade do solo e extração de recursos. Esta obtenção de dados ao segundo e de forma consistente possibilita a antecipação de potenciais problemas e de uma tomada de decisão mais direcionada a cada problema. Este domínio é particularmente sensível e importante nos dias que correm. As questões ambientais são um problema global e a internet das coisas, pode e deverá ser a solução para parte desta complexa equação.

Na realidade, a Internet das Coisas proporciona infinitas possibilidades de conexão. Ainda assim, não é possível prever e entender, com precisão, qual vai ser a dimensão e o impacto real nas nossas vidas. É uma matéria polémica, que abre as portas para muitas oportunidades e desafios. Com as decisões que vamos tomar hoje, temos a possibilidade de influenciar o futuro das próximas gerações.
A questão da segurança é, por isso, a mais premente de todas. Estamos numa era de telemetria, uma época em que geramos informação com quase todas as nossas ações e este cenário levanta questões de confidencialidade e privacidade tanto a nível individual, como das próprias organizações.

Dados do Verizon Data Breach Investigations Report 2018 mostram que em 87% dos ciberataques acontecem em questões de minutos, mas que só 3% desses ataques são detetados nesse mesmo período de tempo. O que também demonstra este relatório, é que hoje, são poucas as empresas preparadas para este tipo de realidade e que são menos ainda as pessoas conscientes dos perigos associados à partilha de dados e informações pessoais.

À medida que Internet das Coisas vai ganhando terreno, o potencial para soluções inovadoras, mas também perigosas aumenta quase tão rapidamente quanto os próprios dispositivos conectados. O desafio está em conseguir que o caminho seja traçado no sentido de solucionar problemas e não em criá-los. No entanto, há um fator que não conseguimos controlar e que se prende com o advento de mudança. Não importa que dispositivo se tenha, a IoT certamente moldará o futuro das sociedades modernas.

Pedro Ribeiro é vice-president Engineering na Bosch Termotecnologia SA

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