Opinião: Luís Miguel Ribeiro

A inevitável aposta na Indústria

Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Precisamos de um novo Programa orientado para a indústria: um PEDIP 5.0, adaptado a um paradigma diferente, mais tecnológico, circular e digital

Falar sobre os desafios do relançamento da economia na gradual abertura que se avizinha é já um lugar comum. Tive a oportunidade de, numa recente entrevista, procurar colocar na agenda o tema da urgência da reindustrialização da economia nacional. Mais do que uma urgência é também uma inevitabilidade, se queremos uma trajetória de forte crescimento económico e de criação de emprego a médio e longo prazo.

Este processo tem que ter em vista o regresso de indústrias deslocalizadas, bem como o desenvolvimento de novas indústrias mais intensivas em conhecimento e capital, por forma a reforçar e diversificar a produção e oferta portuguesa com elevado grau de incorporação nacional, e retirar o país da dependência de outros mercados de abastecimento, nomeadamente fora da Europa.

Temos experiências do passado bem-sucedidas, com o PEDIP, que desenhou uma estratégia específica de apoio ao desenvolvimento industrial, com uma visão moderna dos fundamentos da competitividade empresarial que ainda hoje permanece válida.

Precisamos de um novo Programa, com uma alocação intensa de recursos dos Fundos Europeus Estruturais – nunca inferior a dez mil milhões de euros, sob a forma de subvenção não reembolsável a 100% ou com taxas de cofinanciamento muito próximas de 100% -, orientado para a indústria: um PEDIP 5.0, adaptado a um paradigma diferente, mais tecnológico, circular e digital.

Um PEDIP 5.0 que integre as seguintes dimensões: Tecnológica (Inovação, I&DT); Competências (Formação e Requalificação); Eficiência Empresarial (Produtividade e Competitividade); Financeira (Capitalização e Diversificação das Fontes); Entidades Associativas de Apoio à Indústria. Que funcione em contínuo, com tramitação simplificada e célere, e com forte envolvimento das Associações Empresariais, designadamente na sua regulamentação.

Um Programa que, numa década, permita aumentar o peso do VAB industrial no VAB total da economia a uma média de 1 ponto percentual ao ano, atingindo 28% no final do próximo quadro financeiro de apoio.

Como a ação tem de ser imediata, importa realocar já uma fatia de 20% do valor não executado pelo Portugal 2020.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Nazaré da Costa Cabral. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Linhas de crédito anti-covid ainda podem vir a pesar muito nas contas públicas

Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens

Apoio a rendas rejeitado devido a “falha” eletrónica

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Só 789 empresas mantiveram lay-off simplificado em agosto

A inevitável aposta na Indústria