A inovação no ensino superior com recurso a uma aprendizagem experiencial

Muito se tem falado nos últimos meses em inovação na área de educação em Portugal, sendo que geralmente este termo aparece invariavelmente associado a tecnologia e a ferramentas tecnológicas de ensino-aprendizagem.

Considerando a tecnologia e as plataformas tecnológicas como elementos importantes no processo de transformação, a mudança implica, contudo, colocar o estudante no centro do novo paradigma pedagógico, redefinindo igualmente o papel e o perfil do corpo docente e das próprias instituições de ensino.

Na base de criação das primeiras universidades estava o pressuposto do acesso ao conhecimento por parte de estudantes (18-24 anos) que buscavam um diploma oficial (licenciatura) como garantia de integração de uma determinada área profissional ao longo de toda a sua vida ativa. A experiência de socialização tinha como foco aulas presenciais e o contacto com docentes considerados “mestres” e autoridades inequívocas nas suas áreas de especialização.

O mundo mudou e as necessidades, as aspirações e os perfis dos estudantes são hoje substancialmente diferentes. Se no passado a prioridade era o acesso ao conhecimento, nos dias de hoje a busca pelo desenvolvimento de competências e pelo domínio de ferramentas (tecnologia) assume-se como objetivo de referência. Com a disponibilidade e potencial de acesso a informação vasta sobre toda e qualquer área profissional, o papel do docente terá forçosamente de se reinventar rumo a um cenário de cocriação, de partilha, de construção e de contribuição permanente para o ecossistema de cada área de conhecimento.

Na nova perspetiva “Lifelong Learning” assentará necessariamente o conceito “Experencial Learning” que se traduzirá na consideração do processo de aprendizagem enquanto ato experiencial em detrimento da abordagem tradicional de um conjunto de sessões em sala de aula. Na base do referido processo está o triangulo dinâmico “Building Experiences – Developing Skills – Creating Happiness”.

Partiremos do pressuposto da criação de um conjunto de experiências enriquecedoras das várias etapas do “student journey” que poderão ocorrer essencialmente em 3 contextos: Sala, Internet e Mercado. No âmbito destes 3 conceitos passaremos a considerar componentes presenciais “face to face”, online (e-Learning) e hibridas (b-Learning). A construção de experiências pedagógicas visará fundamentalmente o desenvolvimento de competências globais rumo à felicidade de estudantes, familiares e futuras entidades empregadoras.

No âmbito do processo de inovação serão ainda derrubadas barreiras de inflexibilidade científica e pedagógica. O futuro passará por metodologias “Hybrid Flex” que deverão ser construídas segundo a lógica “Learning by Doing” e de acordo com a perspetiva “Project Based Learning”. O objetivo final deve ser o sucesso e a integração profissional imediata de novas competências no mundo profissional e para que isso aconteça o estudante deve passar por um processo imersivo com relação similar com as práticas diárias das várias áreas profissionais sem descurar a individualidade e as necessárias componentes criativas dessas mesmas áreas e que poderão ser igualmente exploradas através de modernas aplicações de “Gamification”, “Design Thinking” ou “Role Playing”.

Pedro Mendes, diretor do IPAM Lisboa

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