A Inteligência Geográfica como suporte à Campanha Eleitoral

O tema das eleições legislativas intercalado com a situação epidemiológica de Portugal e do mundo, tem dominado o panorama das notícias dos últimos tempos. E, se por um lado a covid é incontornável pelo profundo impacto que teve e continua a ter nas nossas vidas, a verdade é que o tema quente é agora a chamada dos portugueses às urnas dia 30 de janeiro, dois anos após as últimas Legislativas.

Já, alguma vez, pensou na forma como se monta uma campanha eleitoral? Ou seja, no planeamento estratégico e operacional que está por trás do caminho que cada candidato faz?

Do lado dos eleitores, o que chega é já o resultado de ações de natureza política e publicitária, em forma de cartazes com mensagens alinhadas e caras afáveis; flyers cheios de promessas; comícios e mais uma série de iniciativas partidárias cujo intuito é comum a todos: obter a adesão às candidaturas e conquistar o voto de cada um. Na verdade, é toda uma máquina que assegura que uma campanha é efetivamente bem conduzida, já que a forma como esta decorre é absolutamente fundamental para o sucesso do candidato em questão.

Numa campanha eleitoral, temos dois lados: o Estado como organizador do evento e de toda a atividade eleitoral, havendo neste momento o desafio do voto antecipado, o qual implica em função das inscrições que as pessoas fazem, uma afetação a locais onde as pessoas podem ir votar; e os partidos que, por sua vez, têm estratégias, planos de ação, ideias e mensagens a passar, direcionadas a determinadas pessoas em territórios com características particulares. É já visível que o processo eleitoral é algo eminentemente geográfico, ou seja, a geografia determina por completo todo este processo.

Na verdade, se olharmos para o planeamento de uma campanha, constatamos que há muitas coisas que podem e devem ser feitas com sistemas de informação geográfica, uma vez que estes são ferramentas eficazes e eficientes na gestão dos meios, sendo de referir que este tipo de solução é útil tanto para os pequenos partidos (cujo planeamento e economia de meios tem de ser muito bem gerida), como para os grandes partidos já que, desde que usada no contexto certo, a tecnologia permite uma otimização na adequação da mensagem à localização das pessoas em determinados territórios.

No planeamento de uma campanha, há variadíssimos aspetos a ter em conta... por exemplo, um dos primeiros é saber o número de voluntários que há e os sítios onde os alocar, ou seja, há que saber a distribuição dos voluntários para os pôr a agir no terreno, e aqui é essencial colocá-los em sítios e horas estratégicos, sabendo de antemão que é ali que passa o público-alvo que interessa "atingir", estações de comboio e barcos, escolas, superfícies comerciais, equipamentos de saúde, são locais privilegiados de presença e contacto com a população.

Outro aspeto igualmente importante é a colocação de cartazes e outdoors, que tem de ser feita tendo em conta a mensagem e o respetivo local. Colocar um outdoor com uma mensagem sobre saúde para seniores junto de uma universidade pode não ser a melhor forma de rentabilizar o potencial que os outdoors têm! O mesmo se aplica a MUPIS e pendões, o local onde os colocamos em função da mensagem e do nosso publico alvo é fundamental. O trajeto feito pelas caravanas tem também de ser pensado, sendo essencial que haja uma otimização dos percursos, de forma a garantir que passa somente nas localidades e nos locais onde temos a visibilidade que realmente interessa.

Ora, acabei de fazer referência a três (de tantos outros) parâmetros, que uma campanha tem de abranger e em todos eles há um ponto comum: a importância de ter acesso a informação geográfica fidedigna e detalhada. E isto consegue-se somente através da utilização dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) que, em segundos, permitem visualizar dados através de mapas e cenas 3D, e que ajudam a responder a questões como "Naquela localidade, onde estão as principais bombas de gasolina, escolas ou estações de comboio?". Na adequação da mensagem do candidato ao seu eleitorado é fundamental responder a perguntas como "Quais as ruas especificas onde houve mais acidentes?", "Junto da zona residencial, quantas creches existem?", entre muitas outras. Este tipo de informação quando presente num sistema de informação geográfica diz-nos precisamente o que deve ser dito à escala local, em vez das generalidades que muitos candidatos dizem quando desconhecem a realidade em que querem intervir.

Em suma, os SIG são a ferramenta ideal para trabalhar todas as nuances de uma campanha eleitoral, oferecendo não só economia e eficiência no planeamento de meios, mas também algo que é imprescindível: proximidade e credibilidade, pois só conhecendo a fundo os locais, a população que lá vive e as suas "dores", é que se consegue passar a mensagem certa e devidamente direcionada. Em última instância, diria que os SIG têm o poder de dar mais confiança e credibilidade a todo o processo eleitoral, podendo mesmo ser decisivos para a decisão de voto dos eleitores.

Rodrigo Gonçalves da Silva, Sector Lead - Defesa, Segurança e Mar da Esri Portugal

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