Opinião: António Saraiva

A medida da nossa ambição

Foto: REUTERS/Rafael Marchante
Foto: REUTERS/Rafael Marchante Pessoas, Rossio, Lisboa, Portugal

Numa conjuntura externa mais desfavorável, que abordei neste espaço na semana passada, os resultados económicos de Portugal do segundo trimestre prestam-se a análises divergentes.

Se, por um lado, podemos valorizar o facto de termos travado (por enquanto) a tendência de desaceleração da atividade económica que vinha a desenhar-se desde o pico atingido há dois anos, por outro lado, um crescimento de 1,8% é manifestamente insuficiente face às nossas ambições e às nossas necessidades.

Se é possível dizer que, em virtude dos maus resultados das grandes economias do centro da Europa, Portugal reforçou a trajetória de convergência com a média europeia, também é verdade que um crescimento de 1,8% é um resultado medíocre quando comparado, por exemplo, com os 5,1% da Hungria ou mesmo com os 2,3% da nossa vizinha Espanha.

Se o investimento, de facto, continuou a impulsionar o crescimento do PIB, é certo que desacelerou significativamente. Aliás, em comparação com o primeiro trimestre, o investimento caiu 3,7%.

Se o crescimento se mostrou mais equilibrado, devido ao comportamento das importações, que desaceleraram fortemente, não será de omitir que, há seis trimestres que as importações crescem a um ritmo superior ao das exportações e que a balança comercial se manteve deficitária pelo terceiro trimestre seguido (depois de registar excedentes consecutivos durante três anos, entre o terceiro trimestre de 2015 e o terceiro trimestre de 2018).

Se o peso das exportações no PIB registou um novo máximo histórico (44,4%), o crescimento das nossas vendas ao exterior foi o mais fraco nos últimos três anos (com exceção do último trimestre do ano passado, devido à greve do porto de Setúbal).

Se a produtividade, finalmente, está a aumentar, isso deve-se ao abrandamento da criação do emprego, não à aceleração da produção.

Poder-se-á dizer que alguns veem o copo meio cheio, enquanto outros o veem meio vazio. Quanto a mim, penso que a referência para avaliar o desempenho da economia deve ser a medida das nossas ambições, não a dos nossos temores. Comparemo-nos com os melhores exemplos, não nos contentemos com menos. E se as perspetivas são desfavoráveis, é altura de as contrariar, fazendo diferente, fazendo melhor.

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