À meia dúzia é mais caro

Dinheiro e filhos são duas realidades incompatíveis - os dois conseguem viver na mesma casa. Os filhos desprezam o dinheiro, não lhe dão o devido valor e não descansam enquanto não acabam com ele. Há os consumistas e depois há os instigadores dos consumistas: os filhos. Eles convertem qualquer tostão num saco de gomas e acham que as verdadeiras provas de amor paternal são as que custam um balúrdio de massa, como viagens, toda a secção de jogos, telemóveis e informática de uma mega loja, jantar fora todos os dias e tudo o resto que os amigos têm ou gostavam de ter, mais os primos dos amigos e outros de quem ouviram falar. Por eles, nós falíamos para os enriquecer. Como? Vão levantar dinheiro, seus forretas. Há caixas com dinheiro espalhadas por todo o país, e nós, pais, só não compramos tudo o que eles querem porque somos do contra, egoístas ou simplesmente porque somos pais - dizemos não, porque sim.

Os filhos crescem mas as coisas não melhoram. Pioram. E passamos a ser notas ambulantes que vagueiam por casa. Eles crescem em proporcionalidade direta com a nossa sinistra transformação em bancos. Em bancos falidos, ainda por cima, sem complacência do Estado, que nos deixa cair sem pedir intervenção de um Fundo de Resolução para pais falidos.

O MB Way é um dos principais responsáveis pela aceleração da falência dos pais. Antigamente, há uns meses, dávamos o dinheiro em mão, e cada roubo consentido era uma solenidade. Era preciso levantar dinheiro com antecedência, havia tempo para perguntar sobre o destino daquelas notas e, muitas vezes, podíamos recusar porque "o multibanco não tem dinheiro...", por exemplo. Até exigíamos troco, imaginem. Agora, eles ligam e já não pedem dinheiro, dizem "preciso de um MB Way...", assim, à cara podre, porque estão numa situação de vida ou morte - os amigos vão todos às pizas - e o MB Way é a única salvação. E lá vai o aviãozinho, a gozar connosco, e a voar com as nossas notinhas.

E é por tudo isto, por uma questão de poupança, que é importante ter muitos filhos. Explico: o bom das famílias grandes é que não há dinheiro para dar aos filhos. Os pais das famílias numerosas são, como se sabe, tontinhos, mas temos um trunfo que os outros não têm: raramente temos dinheiro. E porquê? Porque mais importante do que o dinheiro são os irmãos. É uma coisa que costumamos dizer. "Ah, não se queixem por não irem à Disney ou por não terem o iPhone 12, vocês têm cinco irmãos o que é uma riqueza maior". Nós convertemos bifes de lombo, viagens, telemóveis, etc. em filhos. Os miúdos ficam loucos. Qualquer criança vende a irmã mais nova por um BigMac, já se sabe, mas aí a culpa já não é nossa, é do novo bebé usurpador.

Filhos e dinheiro são incompatíveis, é um facto. Por isso, mais vale ficarmos nós com o dinheiro e com os filhos. O truque passa por não misturar as coisas. E eliminem o MB Way. Hoje.

Jurista

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