A mobilidade do futuro moldada por uma pandemia

A pandemia teve impacto em praticamente todos os aspetos das nossas vidas. Alguns desenvolvimentos têm sido súbitos e involuntários, tais como distanciamento social, uso de máscaras, paragem dos transportes públicos, restrições às viagens, entre outros. Para outros, apenas acelerou a adoção de comportamentos que já ganham tração, tais como a digitalização de compras, bancos, veículos de mobilidade partilhada e muito mais.

Além disso, as pessoas estão hoje mais inclinadas a tomar decisões conscientes sobre o que vestem, o que comem e quanto impacto as suas escolhas têm sobre o ambiente.

O surto da pandemia da covid-19 resultou numa mudança tanto nos padrões de viagem pendulares, como pessoais. A título de exemplo, durante os períodos de confinamento, onde a circulação de carros era menor, senão quase inexistente, recordo-me de ver muitas pessoas a andar a pé, de bicicleta ou trotinete nas estradas. É inegável que a pandemia trouxe muitas mudanças nas rotinas das pessoas e que alguns destes hábitos vieram para ficar.

Acredito que várias destas mudanças nos hábitos de consumo continuarão, tais como a escolha de um meio de mobilidade mais sustentável para viagens de curta distância entre casa e o trabalho, como uma trotinete, ou uma bicicleta elétrica, algo muito visível já nos dias de hoje na cidade de Lisboa, por exemplo.

No entanto, para incentivar a esta transição de hábitos, precisamos de infraestruturas que apoiem a micromobilidade e a tornem num serviço mais cômodo e simples para os utilizadores. A falta de segurança é um entrave para quem quer usar bicicletas e trotinetes nas cidades e, embora a micromobilidade tenha descolado globalmente, a maioria das cidades tem sido lenta nesta adaptação e na redefinição dos espaços públicos para que estejam preparados a receber os novos hábitos de deslocação dos cidadãos.

Os primeiros passos neste sentido começam com a criação de mais ciclovias, não só nas ruas com maior movimento, mas também em zonas residenciais. Trotinetes e bicicletas terem um espaço dedicado à sua circulação, cria uma maior sensação de segurança tanto para os utilizadores, como para as restantes pessoas na via pública, quer estejam a circular a pé, ou de carro.

Mas não devemos parar por aqui. Tem de se dar mais espaço às pessoas do que aos carros privados e as cidades têm de se habituar aos novos hábitos. Durante anos construímos cidades direcionadas para a circulação de carros, chegou agora a hora de mudarmos a mentalidade e construímos novas cidades, onde o foco deve ser a mobilidade sustentável e as pessoas

Andrea Vota, Public Policy Manager da Bolt

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