Opinião

A Nova Agenda das PME

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Fotografia: Reuters REUTERS

A Economia Portuguesa precisa de um novo Choque. E compete às Pequenas e Médias Empresas (PME) a liderança do Processo de Mudança. Impõem-se PME capaz de projetar no país uma dinâmica de procura permanente de criação de valor e aposta na criatividade. Num tempo de mudança, em que só sobrevive quem é capaz de antecipar as expectativas do mercado e de gerir em rede, numa lógica de competitividade aberta, as PME não podem demorar. Têm que se assumir como atores “perturbadores” do sistema, induzindo na sociedade e na economia um capital de exigência e de inovação com mais ambição. No mundo da Economia Digital e da Indústria 4.0, as PME têm que saber dar o exemplo.

As PME têm que se assumir como o ponto de partida e de chegada de uma nova dimensão da competitividade em Portugal. Assumido o compromisso estratégico da aposta na inovação e conhecimento, estabilizada a “ideia coletiva” de fazer do valor e criatividade a chave da inserção das empresas, produtos e serviços portugueses no mercado global, compete às PME a tarefa maior de saber protagonizar o papel simultâneo de actor indutor da mudança e agregador de tendências. A Economia Digital desempenha nesse âmbito um papel central, pelo efeito de modernidade estratégica que provocam em termos internos e externos. As PME têm que saber fazer o compromisso entre a modernidade digital e tradição física, apostando na criação de valor inteligente com dimensão partilhada.

As PME têm que se assumir em Portugal como um Ator Global, capaz de transportar para a nossa matriz social a dinâmica imparável do conhecimento e de o transformar em activo transaccionável indutor da criação de riqueza. Para isso, as PME têm que assumir claramente, no quadro dum processo de mudança estratégico, o papel de inovação que os três T – Talento, Tecnologia e Tolerância – provocam. Destes, a Tecnologia – com ênfase para as TIC – são nos dias de hoje a chave de uma nova aposta que deverá ser capaz de construir uma nova cadeia de valor assente na excelência. A Nova Agenda das PME é muito a Agenda de futuro da Economia Portuguesa.

As PME terão também que conseguir fazer apelo à mobilização efetiva dos Talentos. É inequívoco o sucesso que nos últimos anos se tem consolidado na acumulação de Capital de Talentos de Norte a Sul, nos diferentes Centros de Competência que proliferam pelo país. Chegou agora o tempo de dar a estes Talentos dimensão global, no aproveitamento das suas Competências e na geração de criatividade e valor que eles podem induzir. Duma forma sistemática, arrojada mas também percebida e participada. A Economia Digital é neste contexto mais uma vez o factor que poderá e deverá fazer a diferença estratégica para o futuro, através de redes colaborativas com a participação de universidades e centros de inovação.

As PME são um desafio à capacidade de mudança de Portugal. Porque as PME são um agente de participação colaborativa voltado para o futuro, o sucesso com que conseguir assumir este novo desafio que têm pela frente será também em grande medida o sucesso com que o país será capaz de enfrentar os exigentes compromissos da Globalização e do Conhecimento. As PME têm que assumir dimensão global ao nível da geração de conhecimento, valor, mas também de imposição de padrões sociais e culturais. Têm que se assumir como operadores de modernidade com uma agenda permanente de criação de valor global. As PME têm que ser o grande Ator da Mudança que se quer para Portugal.

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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