A procura contínua de fontes de energia e os feedback-loops

É sabido que um dos grandes objetivos para a sustentabilidade em prol do planeta é encontrar soluções verdes e limpas que, de alguma forma, travem as alterações climáticas de forma que a longo prazo possamos salvaguardar os recursos da Terra.

O crescimento industrial, o aumento da procura e qualidade de vida o aumento global da população fomentou um apetite voraz por energia, onde queimar petróleo, carvão e gás era o único caminho. Nos dias de hoje, o caminho que mais se fala é outro: o da descarbonização - porque felizmente temos as renováveis.

Ao invés de queimarmos combustíveis fósseis, o planeta agradece que possamos utilizar as nossas próprias fontes de energia e de recursos renováveis. Aliás, só com estas fontes evitamos cair nos chamados feedback-loops. Estes círculos viciosos acontecem quando temos que utilizar mais energia, ou seja, quando temos que ligar mais vezes o aquecimento ou arrefecimento por força das alterações climáticas e, enquanto o fazemos, aumentamos o nosso consumo de energia. Se esta não for renovável, vamos alimentar o círculo vicioso e agravar ainda mais o clima. O mesmo acontece num incêndio florestal que, além de libertar gigantescas quantidades de dióxido de carbono para o ar - carbono que foi armazenado ao longo de vários anos e décadas nas árvores -, elimina árvores que estavam a converter esse carbono em oxigénio. E existem muitos outros feedback-loops.

Isto reforça a necessidade de produzir eletricidade renovável. A nossa própria eletricidade é um doo grandes exemplos: só num ano temos 365 dias que se traduzem em 8.760 horas de oportunidades, porque temos o Sol e o Vento disponíveis para nós, e que podemos aproveitar de forma gratuita. Por isso, de uma vez por todas, devemos tirar 100% proveito destes recursos e incorporá-los nas políticas governamentais dos países, nas empresas e no consumidor, de uma forma exponencial, assumindo a missão de contribuir ativamente, mas também rapidamente, para a transição energética e ecológica. A Terra continua e continuará a dar-nos oportunidades for free e cabe-nos a nós aproveitá-las e retribuir o gesto, produzindo fontes saudáveis para o planeta.

Infelizmente sinto que este contributo está longe de acontecer porque estamos a caminhar de forma lenta para o objetivo. Afirmo inclusive que não tem acontecido nada em muitos mercados e atrevo-me a dizer que aplicar a sustentabilidade tem sido o grande desafio com que a sociedade se depara nos dias de hoje. Todos se dizem green, mas a corrida aos fósseis é um exemplo claro do oposto. Assistimos a paradigmas, que pensávamos que tinham sido superados na Europa e que não eram sequer tidos em conta em alguns pontos do mundo, mas com a atual guerra ficou claro que não foram ultrapassados e que afinal também os europeus estão aquém do que seria esperado. Não é em vão que ouvimos falar da dependência do gás russo, por isso tenho de repetir: aplicar a sustentabilidade é o grande desafio da atualidade.

Há intenção de melhorar? Há. Não duvido. Acredito que muitos que estão no mercado nacional e internacional querem efetivar as teorias da sustentabilidade, mas atingir metas requer ir além do compromisso e nisso falhamos. Porque esta missão será desculpada por uma pandemia e por uma guerra e nisto perdem-se mais de dois anos. Conjunturas obviamente conturbadas, mas que não devem ser o motivo para atrasar a mudança de paradigma, de processos, de regulamentação, de políticas ou da implementação de ações. Pelo contrário, a atual conjuntura deve ser impulsionadora de boas práticas e despertar ainda mais para a urgência em salvaguardar os recursos do planeta porque há pontos da Europa, em que não é possível fazê-lo porque a prioridade é outra, a mais importante que temos, a de salvar vidas.

Não tenho dúvidas que na guerra contra as alterações climáticas perdemos todos. Nós, de forma indireta porque temos apenas um planeta para viver e a Terra, que sofre diretamente um pouco todos os dias com a nossa "caçada" aos recursos que em nada se coaduna com o que nos comprometemos.

João Amaral é Country Manager Portugal e Chief Technology Officer (CTO) do Grupo Voltalia

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