Opinião

A Reinvenção do Vale do Ave

Industria

O Vale do Ave é o exemplo de uma Região que aposta no futuro de forma aberta e participada. Numa Europa das Cidades e Regiões onde a agenda de inovação e competitividade continua a ser marcada por uma quase total ausência de envolvimento da Sociedade Civil, o contexto da Agenda de Mudança protagonizado pelos diferentes actores desta região portuguesa é um exemplo que merece ser saudado. A Estratégia do Vale do Ave é uma estratégia feita a pensar no futuro. Um Contrato de Confiança assente na convicção de que ainda é possível. Ou seja, um exemplo que fará renascer a aventura do conhecimento numa região que sempre acreditou em si e que faz do compromisso inteligente entre a inovação e a tradição como a base da sua competência.

Em tempo de acelerar a mudança de modelo sócio-económico do país, no quadro duma globalização competitiva exigente, o Vale do Ave está aos poucos a fazer o seu trabalho de casa. As marcas da desindustrialização dos sectores tradicionais no Vale do Ave são hoje uma evidência empírica atestada pelos elevados índices de desemprego e existência dum clima de desmotivação social colectiva sem precedentes. Pairam no ar sintomas de uma silenciosa pré-agitação social e o exemplo de “concertação estratégica” entre os actores locais (Município, Universidade, Empresas, Sociedade Civil) para responder à crise é um exemplo a seguir. Há que apostar no regresso ao futuro e confiar que vale a pena a aposta.

O Vale do Ave protagoniza uma Agenda para o Futuro. Empreendedorismo e Inovação Social são palavras-chave numa “acção para a mudança” assente em alguns “operadores de modernidade” que têm reforçado verdadeiras “redes de cooperação estratégica globais” a partir das competências locais. O Vale do Ave está cada dia que passa a glocalizar-se através da dinamização de IDE de Inovação (Saúde, Polímeros, TIC) para o Ave Park, com a colaboração activa da Universidade do Minho e de outras Empresas de referência da região. Mas não esquece também o papel da aposta na requalificação das Competências das pessoas com acções-piloto de sucesso como a Formação em TIC em parceria com multinacionais de referência.

A aposta competitiva em curso, em linha com os mais recentes “guidelines” da Estratégia EU 2030, é a base para uma Cidade Aberta onde Cultura e Participação são a base para uma Sociedade Civil forte. Guimarães Capital da Cultura 2012 foi há uns anos sem dúvida o Ponto de Encontro entre todos aqueles que sabem que não se consegue agarrar o desígnio do desenvolvimento estratégico sem um compromisso forte entre competitividade e coesão. Como em Lisboa e na Europa, no Vale do Ave as pessoas são a chave duma atitude participativa na criação de valor com impacto transacionável nos grandes mercados globais.

O Vale do Ave é uma Região Aberta pois sabe integrar de forma positiva os seus cidadãos. Um Espaço onde se vive em cada momento presente a ambição dum futuro que se constrói com a participação de todos e onde se inventam novos conceitos de cooperação nas diferentes áreas da intervenção cívica. O Vale do Ave é já por isso hoje uma Região Aberta onde o multiculturalismo social constitui o principal desafio para a reinvenção duma ideia participativa que se tem que saber adaptar ao tempo. A Estratégia do Vale do Ave veio para ficar. É uma aposta de todos os que sabem que o futuro se constrói já hoje no espaço duma sociedade aberta centrada nas ideias.

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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