A retenção de talento como alavanca para a recuperação económica

A propósito da transferência da tranche de três mil milhões de euros de fundos europeus, no âmbito do programa SURE, dirigido inteiramente ao financiamento de medidas de apoio e impulso ao trabalho, nos vários setores de atividade afetados pela crise pandémica, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, destacou a importância de reter mão-de-obra qualificada, essencial para a manutenção da produção capaz de enfrentar a retoma dos mercados, pós-pandemia.

Trata-se de financiamento destinado à proteção de postos de trabalho e dos trabalhadores mais afetados pela crise imposta pela covid-19, mas deverá ser entendido como ferramenta para retenção de talento e de skills, matéria-prima imaterial e valiosa para manter o investimento das empresas nos seus ativos.

Assim, impõe-se uma reflexão sobre que estratégia desenhar para garantir que os quadros mais qualificados permaneçam em Portugal? Como envolver este Ativo competitivo sabendo de antemão que são não só um motor produtivo como também formativo?

Prosseguir a aposta na qualificação crescente dos universitários, cerca de 397 mil este ano, assim como na qualificação técnico-profissional, valorizando a janela de oportunidade que a pandemia nos trouxe de podermos beneficiar de formação on-line, que se difundiu fruto de um novo mind setting de recurso à digitalização e de inovação tecnológica, enquanto parte integrante de um caminho com os olhos postos num futuro próximo

Tal obrigará, também, a um processo de aprendizagem por parte dos gestores, dirigentes e trabalhadores, numa perspetiva de criação de valor acrescentado para todas as partes envolvidas, tendo presente o aumento da competitividade das organizações, melhor qualidade de vida dos colaboradores e o exercício de uma cidadania plena.

Simultaneamente, uma boa política de conciliação da vida profissional, familiar e pessoal com formação ajustada às novas exigências do mercado de trabalho, atraentes salários emocionais e uma aposta na disseminação dos instrumentos de negociação coletiva nas organizações e consequente concertação social ativa, permitirão uma melhoria generalizada na produtividade organizacional.

Esta urgente alteração de paradigma favorece a diminuição do absentismo, o aumento da produtividade e, naturalmente, a tão necessária atração e retenção de talento.

Só um alinhamento estratégico permitirá conquistar as bases laborais para uma retoma económica, com trabalhadores mais qualificados e motivados e onde a retenção de talento é assumida como um desígnio prioritário, de Interesse Nacional.

Este será seguramente um dos caminhos que permitirá contrariar um novo fenómeno de "brain drain", à semelhança do que aconteceu entre 2011 e 2014, e que levou a que 485 mil pessoas abandonassem o país. Destes, quase 200 mil de forma permanente, com idade igual ou inferior a 30 anos, que apesar de todas as medidas de incentivo ao regresso, ainda hoje faz notar os seus impactos.

Presidente do Conselho de Administração da Gebalis//Escreve à quinta-feira

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de