A revolução digital pela mão do e-commerce

A revolução digital tem vindo, nos últimos anos, a transformar as formas de consumo, de trabalho e mobilidade, entre outros aspetos do nosso quotidiano. Particularmente no consumo, o e-commerce está a conquistar um espaço cada vez mais sólido no dia-a-dia dos consumidores e, também, das marcas.

No fundo, o e-commerce veio trazer a revolução digital ao setor da distribuição e do retalho, que rapidamente teve de se adaptar para responder às necessidades do consumidor digital, além de ter aberto uma porta, acessível a todos, para um serviço mais personalizado, imediato, prático e facilitado, sem colocar em causa a eficácia do mesmo.

Mas o que dizem os números sobre esta realidade em Portugal? Verificamos, ou não, mudanças no comportamento dos e-shoppers (consumidores digitais) a nível nacional? Em primeiro lugar, os dados do mais recente Barómetro e-Shopper da DPD, relativo a 2021, levam-nos a crer que existe um crescimento do e-commerce: nos últimos dois anos, o mercado ganhou novos e-shoppers, especialmente em 2020 - registando mais 8% e refletindo o impacto da pandemia - e novamente em 2021, com mais 2% de consumidores portugueses a efetuar compras online.

Ainda que abaixo da Europa, o certo é que a média de consumo em Portugal demonstra potencial de crescimento, tendo 86% de todas as compras online sido realizadas por e-shoppers regulares, um aumento de 6% face a 2019. Por outras palavras, verifica-se um número crescente de consumidores que encontra no e-commerce uma solução segura e eficaz para as suas compras, permitindo poupar tempo, dinheiro, sem esquecer o stress que surge muitas vezes associado às compras em lojas físicas, e que, desta forma, é reduzido.

Através destas conclusões, torna-se cada vez mais difícil negar o impacto positivo que a digitalização e a tecnologia têm trazido para o comércio, quer para quem compra, como para quem vende. Se por um lado as marcas/empresas têm um alcance maior, podendo chegar a consumidores de diferentes geografias, por outro os consumidores têm uma maior flexibilidade e um maior catálogo de produtos à sua disposição.

Além disso, outro fator importante remete para a sustentabilidade associada a este modo de compra. Sendo este um tema cada vez mais top of mind, verifica-se que os consumidores apresentam uma maior sensibilidade para este aspeto, optando por soluções que garantam uma entrega verde e amiga do ambiente. De acordo com as conclusões do mesmo Barómetro, 70% dos inquiridos revelaram ser mais provável optarem por um retalhista com opções de entrega "verdes".

Uma dessas opções, que acredito que virá cada vez mais a ganhar força nos próximos tempos, são os lockers (ou cacifos inteligentes). Há portugueses que já começaram a optar por esta solução para a entrega e recolha das suas encomendas, deslocando-se a um centro comercial perto da zona onde vivem e que lhes seja mais conveniente, sendo que em 2021 esta opção já representou 3% da preferência dos consumidores - apesar de parecer pouco expressivo, estima-se que este tipo de delivery venha a aumentar nos próximos anos. Ao optar pela entrega em lockers, é possível concentrar vários artigos num mesmo local e, consequentemente, proporcionar uma distribuição mais sustentável, ao reduzir o número de deslocações e as emissões poluentes.

Importa reconhecer também que, por via do e-commerce, e reforçando as ideias acima, torna-se mais viável garantir que a variável da sustentabilidade está presente, pois os consumidores podem optar por uma marca/empresa que garanta uma entrega sustentável, através, por exemplo, da utilização de veículos elétricos.

Não obstante o potencial de crescimento que observamos, é necessário ter em conta que, em 2021, menos de 8% do retalho resultou das vendas online em Portugal, por contraste à média europeia de 13%. Além disso, dois terços das vendas online no nosso país provêm do estrangeiro, enquanto noutros países esse valor não passa de um terço. Isto significa que os operadores de e-commerce sediados em Portugal ainda têm um caminho a percorrer no que toca a desenvolver as suas vendas online, um potencial que deve ser aproveitado com políticas comerciais e de marketing mais ambiciosas.

O facto é que tem sido interessante observar a mudança de comportamento dos consumidores: desde os mais curiosos aos mais reticentes e desconfiados que acabam por encontrar no comércio eletrónico uma solução fidedigna e que responda às suas necessidades. Ainda que Portugal possa ser um "novato" e esteja ainda a dar os primeiros passos nesta realidade do e-commerce, tudo indica que, num futuro não muito distante, este termo se vá tornar familiar aos ouvidos da grande parte dos portugueses.

Não quer isto dizer que este modelo de compra e entrega de encomendas substituirá totalmente o papel das lojas físicas. Significa antes que, eventualmente, estas duas soluções acabarão por andar (ainda mais) de mãos dadas, coexistindo e complementando-se, sempre com o objetivo final de responder às diferentes necessidades dos diferentes tipos de clientes. E, ainda que seja difícil e arriscado fazer previsões quanto ao futuro e aos desafios que a evolução digital terá guardados na manga, parece-me fiável acreditar que o e-commerce veio para ficar e que terá ainda muitas "cartadas" para jogar e para inovar.

Olivier Establet, CEO da DPD Portugal

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