A saúde mental deve ser uma preocupação das organizações

O que é? De acordo com a OMS, a "saúde mental é um estado de bem-estar no qual um indivíduo compreende as suas próprias habilidades, consegue lidar com os stresses quotidianos, consegue trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para a sua comunidade". Ou seja, é muito mais sobre aquilo que conseguimos fazer, do que o simples facto de não se estar doente.

A OCDE estima que ao longo da nossa vida, uma em cada duas pessoas sofrerá de um distúrbio de saúde mental, afetando mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo. Estamos a falar de 13% da população global. O custo total para a economia mundial, ascende a 6 triliões de dólares, porém os países investem menos de 2% do orçamento da saúde no combate a esta calamidade, apesar de cada dólar investido na promoção da saúde mental gerar um retorno de 4 dólares. As empresas são feitas de pessoas e com o crescimento das preocupações no que toca à sustentabilidade, podem ter um papel decisivo na melhoria do bem-estar dos seus colaboradores e da sociedade em geral.

Porque é importante hoje? A pandemia Covid-19 veio acelerar a prevalência de situações como a depressão e ansiedade (OCDE, A benchmark for Healthcare systems, 2021), ao mesmo tempo que veio interromper os serviços essenciais de saúde mental em 93% dos países. Aqui em Portugal, é um problema que impacta sobretudo mulheres (46% mulheres vs 26% homens), pessoas na faixa etária dos 19-29 anos (50%) e agregados de baixos rendimentos (42% < 1000€/mês) de acordo com o estudo "Saúde mental em tempos de pandemia", do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), de janeiro deste ano.

Mas e o que é que as empresas têm a ver com isto? Tudo. No mesmo estudo do INSA, as pessoas afirmam que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o acesso a cuidados psicológicos e as suas expectativas futuras foram comprometidas. Quando as pessoas são menos resilientes, os negócios também sofrem. Em Portugal, estimam-se perdas anuais totais de 3,2 mil milhões de euros, o que representa em média 0,9% do volume de negócios das empresas.

Além do impacto financeiro, a gestão de topo deve considerar a diminuição da motivação, desempenho e produtividade, do compromisso dos colaboradores com a organização e o trabalho, da imagem e reputação positivas da organização, o aumento do absentismo, presentismo e dos custos de saúde. Por outro lado, o aumento dos conflitos no trabalho (os colaboradores perdem, em média, um dia por mês a lidar com estes conflitos), dos acidentes por erro humano, da rotatividade dos colaboradores e intenção de sair da organização.

O que é que as empresas podem fazer para protegerem os negócios e as pessoas?

Uma estratégia de saúde mental tem geralmente três grandes etapas: uma fase de descoberta com segmentação de necessidades, recolha de dados por entrevista, focus groups ou survey digital e identificação de insights. De seguida, define-se a proposta de valor do programa e finalmente segue-se o combate ao estigma, através da capacitação da equipa de recursos humanos, managers e comunicação.

O objetivo é implementar um plano de prevenção e melhoria do bem-estar mental. De acordo com a nossa experiência, estes planos têm quatro grandes dimensões:

1. Prevenção: soluções digitais (recursos de resiliência e mindfulness), campanhas pedagógicas sobre comportamentos saudáveis e inquéritos aos colaboradores para medir o pulso da organização.

2. Acesso a tratamentos e coberturas: programa de assistência aos colaboradores (EAP), rede de benefícios de saúde, soluções para áreas de especialidade (ex: dependências), opções ou ferramentas de cuidados virtuais e negociação de inclusão de tratamento psicológico no seguro de saúde.

3. Apoio no âmbito do trabalho: formação para managers, apoio entre colegas, formação profissional e recapacitação, e programas de regresso à atividade laboral.

4. Apoio fora do trabalho: horário de trabalho flexível, períodos sabáticos, trabalho à distância e soluções de bem-estar físico, financeiro e de estilo de vida.

Por último, o que estão a fazer as multinacionais?

As boas práticas passam pela aposta na prevenção - ouvir os colaboradores, identificar oportunidades e necessidades, estabelecer parcerias com fornecedores de ferramentas de ajuda e webinars. Adicionalmente, é importante trabalhar nas políticas corporativas em temas como horário flexível, dia sem reuniões, limitação de notificações, organização do trabalho presencial, deslocações e trabalho remoto como um benefício.

Finalmente, reforçar o apoio às equipas com EAP, promover formação de managers, campanhas de saúde mental, identificação de exclusões nos seguros, cobertura de saúde mental e vigilância de situações de dependência.

Um plano de saúde mental robusto é um benefício diferenciador, potenciador de produtividade, atração e retenção de talento e sustentabilidade do negócio.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de