Acautelar riscos num Livro Verde

Em Portugal já várias empresas estão a adaptar os seus escritórios à nova realidade do teletrabalho. Muitas acreditam que este novo paradigma veio para ficar e estão a investir no redesenho dos espaços.

O teletrabalho não exige só um novo tipo de escritórios e uma nova cultura empresarial, como pode requerer uma legislação laboral adaptada, apontam vários especialistas nesta área. O Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho, um guia para mudanças nas leis laborais, vai ser apresentado aos parceiros sociais no dia 31 deste mês. Mas o governo já fez saber que não quer uma revolução nas regras do teletrabalho, embora admita ajustamentos, para acomodar situações em que o trabalho é desempenhado fora das instalações das entidades empregadoras por acordo entre as partes, com modelos híbridos e também com medidas para evitar que sejam sobretudo as mulheres a ficar em teletrabalho.

A ver vamos se um penso rápido será suficiente para estabelecer as regras necessárias. O governo quer encaminhar o debate para o Livro Verde Sobre o Futuro do Trabalho, uma forma de responder aos partidos que preparam projetos de alterações à lei para mudar as regras do teletrabalho, entre os quais o Bloco de Esquerda.

Após a reunião com os parceiros sociais, agendada para a próxima quarta-feira, o Livro Verde deverá ficar em consulta pública. Este pode não ser o tema mais popular e atrativo para mobilizar cidadãos ou empresários, mas é importante que ninguém se arrede da discussão, uma vez que moldará a forma como passaremos a trabalhar nos próximos anos. E tendo em conta que Portugal é, cada vez, mais uma economia de serviços, é precisamente este setor que tem tido a oportunidade, e ao mesmo tempo a dificuldade, de gerir equipas de trabalho à distância.

Do lado dos empregadores, 59% acreditam no teletrabalho a longo prazo como solução, contra 22% que não veem essa possibilidade com bons olhos, segundo um inquérito da plataforma digital Fixando, que consultou cerca de 1300 empresas e trabalhadores inscritos na sua rede. Segundo este inquérito, "patrões e trabalhadores estão em sintonia quanto à eficácia do teletrabalho, resultante da recente experiência imposta pelo confinamento da covid-19". Para 45% dos patrões a produtividade até aumentou.

Havendo alguma sintonia quanto à eficácia do teletrabalho, resultante da recente experiência imposta pelo confinamento, importa agora acautelar o risco de invasão da vida privada e familiar que, por força das circunstâncias, se mistura cada vez mais com o trabalho. O tema do equilíbrio entre vida pessoal e profissional não deve ser romanceado, mas levado a sério, sob pena de a força de trabalho ficar num estado de esgotamento tal que demorará a reunir forças quando for, de novo, necessário ligar os motores para acelerar a caminho da recuperação económica.

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