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Acordo de Paris pode acelerar inovação em prol das pessoas e do ambiente

Acordo de Paris confirma que o modelo económico europeu e mundial está a entrar numa fase de transição assente numa economia de baixo carbono.

O Acordo de Paris, alcançado em dezembro de 2015, vem confirmar que a economia europeia e mundial está a entrar numa fase de transição para um novo modelo económico, assente numa economia de baixo carbono. O acordo evidencia dois argumentos concretos: que cientificamente é possível baixar as emissões de CO2 de forma a atingirmos, no máximo, um aumento de 2ºC do Planeta e que ainda vivemos num mundo onde é possível encontrar acordos de longo prazo.

Ao assinar o Acordo de Paris, Portugal está a concordar com uma visão de mundo onde, dentro de 80 anos, viveremos numa sociedade em que as emissões de CO2 produzidas serão sequestradas pelos solos e árvores, constituindo a floresta, as plantações florestais e os produtos daí derivados, uma solução significativa para o problema. E neste âmbito Portugal tem um potencial imenso.

Uma economia de baixo carbono, também designada por economia verde, é uma economia capaz de: gerar emprego e riqueza, promover a competitividade das empresas através da produção de bens e serviços com menor impacte ambiental. Esta frase pode parecer académica, mas as evidências comprovam a aplicabilidade do conceito numa série de empresas a nível mundial e em Portugal que já têm soluções concretas. Algumas destas soluções foram divulgadas pelo World Business Council for Sustainable Development – WBCSD através do projeto LCTPi – Low Carbon Technology Partnership Initiative e apresentadas na COP21, em Paris. Em Portugal, o BCSD reuniu um conjunto de 32 soluções no projeto Economia de Baixo Carbono – Soluções made in Portugal, que teve como objetivo identificar as soluções que as empresas membro do BCSD já têm implementadas e que estão a contribuir para reduzir as emissões de CO2 e, consequentemente, combater as alterações climáticas.

Das 32 soluções de baixo carbono, 19 são de eficiência energética, quatro de processos industriais, três de renováveis, três de serviços e três de mobilidade. Estes são apenas alguns dos exemplos existentes, sendo evidente que a divulgação deste tipo de práticas e preocupações constitui um fator relevante hoje em dia para os investidores e mercados financeiros, uma vez que revela antecipação, gestão de risco e estratégica.

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Na realidade, o Financial Stability Board criou uma equipa para propor a publicação voluntária de informação de âmbito climático que as empresas deverão disponibilizar aos investidores e sociedade em geral. O Governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, é um dos defensores desta abordagem, tendo referido, em 2015, que as alterações climáticas são um dos principais riscos sistémicos do mercado financeiro. O primeiro relatório da equipa do Financial Stability Board foi publicado a 1 de abril, estando agora num período de consulta pública. Por outro lado, também os fundos de investimento estão a reconhecer o potencial mercado associado à economia de baixo carbono e economia verde. Entre 2012 e 2014, os fundos de investimento sustentável aumentaram 61% à escala mundial, representando hoje cerca de 30% do total dos ativos em gestão. Em Portugal, a CaixaGest, lançou este mês o primeiro fundo que apenas investe em empresas com práticas sustentáveis, evidenciando assim a existência de um novo mercado que pode ser benéfico aos investidores, aos aforradores e aos nossos filhos.

Atendendo que Portugal é dos países europeus com maior capital natural que pode ser mensurável através da floresta e floresta plantada, do sol, do mar, do vento, e dos vários serviços que os ecossistemas fornecem às empresas e à sociedade, torna-se claro que caminhar para uma economia de baixo carbono pode levar ao crescimento da economia portuguesa. Trata-se de um crescimento assente na eficiência energética e no desenvolvimento de soluções que proporcionam uma vida com qualidade, e com menor impacte ambiental. E nesse sentido, Portugal tem um imenso potencial.

O BCSD Portugal felicita a assinatura do Acordo de Paris e vai continuar a desempenhar o seu papel de criação e partilha de conhecimento na área do desenvolvimento sustentável, uma vez que considera ser esse o melhor modelo económico para uma sociedade mais justa e equitativa.

Sofia Santos é Secretária Geral do BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável

 

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