Opinião

Afinal como estamos de inovação?

Fotografia: Artur Machado/Global Imagens
Fotografia: Artur Machado/Global Imagens

Deixo três sugestões aos empresários e empreendedores que pretendam criar ou expandir negócios cuja vantagem competitiva assente no conhecimento

No meu último artigo afirmei que Portugal era provavelmente o país mais inovador do mundo… no final do séc. XV! E como estamos agora? Segundo o European Innovation Scoreboard, o nosso país surge, a par da República Checa, no topo das economias europeias consideradas moderadamente inovadoras. Estamos à frente de países como a Espanha e a Itália, mas atrás de outros com quem devemos aspirar a competir como a Irlanda, Áustria e Bélgica. Isto para não falarmos dos que são considerados líderes nesta matéria como é o caso da Suécia, Dinamarca e Finlândia.

Uma análise mais detalhada revela que é nos pré-requisitos que estamos melhor, em especial ao nível da qualidade dos recursos humanos e da investigação realizada. Onde falhamos é na passagem do saber para o mercado, isto é, na transformação do conhecimento em soluções que deem origem a produtos, serviços e modelos de negócio competitivos e geradores de valor.

Como não tenho a pretensão de resolver os problemas do país em tão curta crónica, deixo, todavia, três sugestões aos empresários e potenciais empreendedores que pretendam criar ou expandir negócios cuja vantagem competitiva assente no conhecimento.

Cooperação com o meio científico e tecnológico. Em Portugal produz-se ciência a um nível, tanto em termos de quantidade como de qualidade, muito superior àquilo que é efetivamente utilizado pelo tecido empresarial. Aprofundar o relacionamento das suas empresas com as universidades e centros de investigação é uma oportunidade para todos os que ambicionam ter sucesso no mercado global.

Acesso a capital. A economia portuguesa apresenta debilidades em termos da disponibilidade de recursos destinados ao financiamento de novos negócios, tanto sob a forma de seed capital como de capital de risco. A solução é ir procurá-los onde eles existem. Essa é, aliás, uma das principais razões que levaram várias startups portuguesas a transferirem a sua sede para ecossistemas de referência, designadamente Silicon Valley, sem prejuízo de manterem os centros de desenvolvimento em Portugal.

Orientação de marketing. Em terceiro lugar há que apostar em competências de marketing que permitam uma efetiva geração de valor. Não se pode é começar por pensar em tecnologias de ponta, depois no desenvolvimento de produtos e finalmente na forma de os vender. Assim o processo está todo ao contrário. O que se deve fazer é começar por identificar oportunidades de mercado e, a partir daí, procurar as tecnologias necessárias para dar resposta a esses desafios. O bom marketing é aquele que ajuda a desenvolver soluções à medida das necessidades e expectativas dos potenciais clientes, minimizando assim o esforço de promoção e venda.

Em suma, a competitividade das empresas a longo prazo só pode assentar em dois fatores: no acesso a recursos baratos, nomeadamente ao nível da mão de obra; ou na inovação geradora de produtos, serviços e modelos de negócio diferenciados. Como Portugal não é especialmente rico em recursos naturais e, por outro lado, como não quero viver num país de salários baixos, só nos resta a opção de inovar. Este é um desígnio que deve ser assumido por todos.

 

Carlos Brito, professor da Faculdade de Economia – Universidade do Porto

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