Opinião: Rosália Amorim

África: Menos paternalismo, mais realismo

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" Falar de futuro, de prosperidade e desenvolvimento e de sustentabilidade só será possível se a África e a Europa se sentarem à mesma mesa (...)"

“A Europa deve olhar África sem paternalismo”, disse ontem Durão Barroso no EurAfrican Forum, que decorreu no Estoril. Numa tentativa de aproximar a África e a Europa, o ex-presidente da Comissão Europeia – por sinal uma figura muita respeitada em Angola e na África em geral, pelo menos desde os Acordos de Bicesse (promovidos por Barroso enquanto secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação, em 1990) – quis deixar no ar as palavras que espelham a sua experiência na relação com os países do sul, que tanta vezes apelidamos de “irmãos”.
Duas dezenas de líderes europeus e africanos de várias áreas, desde o mundo empresarial ao político, fizeram questão de participar e fazer-se ouvir neste fórum, mostrando a relevância que tem esta relação umbilical entre o continente europeu e o africano.
O primeiro EurAfrican Forum teve, a meu ver, o mérito de relançar a discussão, após alguns anos de arrefecimento nas relações – sobretudo desde a descida do preço do barril de petróleo – acerca dos objetivos, que devem ser comuns a todos os europeus e africanos: criar relações de maior confiança, assentes na boa governação, e construir pontes entre os dois continentes que promovam uma vivência win-win (ganhar-ganhar).
Menos paternalismo e mais realismo precisa-se! Falar de futuro, de prosperidade e desenvolvimento e de sustentabilidade só será possível se a África e a Europa se sentarem à mesma mesa, a discutir os temas estratégicos individuais e coletivos, sem complexos do passado e com os olhos postos nas gerações vindouras.
Está na hora, de uma vez por todas, de aproveitar as sinergias e promover as oportunidades de negócio. O Conselho da Diáspora Portuguesa já deu o seu contributo, organizando esta iniciativa. Agora é hora de os governos atuarem e de os empresários darem mais apertos de mão e firmarem novas parcerias e contratos para que todos, em cada uma das suas geografias, possam ver e viver em sociedades mais desenvolvidas e com rendimentos per capita mais dignos.
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