Opinião: Luís Miguel Ribeiro

Ainda o défice de articulação entre o mundo académico e o empresarial

Fotografia: Sergei Ilnitsky/EPA
Fotografia: Sergei Ilnitsky/EPA

Continuamos relativamente bem na produção de conhecimento, mas mantemos a dificuldade em transformar esse conhecimento em valor económico

Em junho, a Comissão Europeia divulgou o Relatório da Inovação – European Innovation Scoreboard 2019 – onde Portugal se mantém como “Inovador Moderado”, embora refletindo uma forte melhoria, posicionando-se já perto do grupo de países classificados de “Inovadores Fortes”.

O nosso país continua a pontuar acima da média europeia em alguns indicadores, nomeadamente nos que têm a ver com as co-publicações científicas internacionais ou com a introdução de inovação por parte das PME ao nível dos produtos, processos, modelo organizacional e marketing. Os domínios mais fracos continuam a estar muito associados aos impactos económicos da inovação, materializados em indicadores relativos às exportações de bens em setores de média e alta tecnologia e de serviços intensivos em conhecimento e às patentes.

Ou seja, continuamos relativamente bem na produção de conhecimento, ainda que com défices na articulação entre os sectores público e privado, mas mantemos a dificuldade em transformar, de forma significativa, esse conhecimento em valor económico. Este contexto impõe uma maior articulação entre o Sistema Científico e Tecnológico e as Empresas, que continua “a ser um problema por resolver”, como dá nota o estudo Avaliação do Contributo dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento para as Dinâmicas de Transferência e Valorização do Conhecimento, promovido pela Agência para o Desenvolvimento e Coesão.

A promoção desta maior ligação entre o mundo académico e o mundo empresarial deve constituir um desígnio. A aposta na inovação e no capital humano são essenciais ao acréscimo da produtividade, competitividade e ao aumento do potencial de crescimento da economia portuguesa.

Neste âmbito, destaco o relevante papel que as Associações Empresariais representam, quer enquanto entidades de intermediação entre os “dois mundos”, potenciando a translação de conhecimento, quer na melhoria das competências dos recursos humanos, em particular dos ativos, tendo em vista a sua adequação aos crescentes desafios que as empresas, as regiões e o país têm pela frente.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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