Alerta Portugal, preparem-se para o impacto

Uma semana para esquecer. Quando os ânimos se levantavam, as esperanças arribavam e os empresários já viam a luz ao fundo do túnel, fomos abalroados pelo comboio britânico, com Londres a pôr-nos na lista dos mal comportados e a fechar a torneira de turistas que representa um quinto das receitas do setor em Portugal.

Os cancelamentos em catadupa e as férias encurtadas dos muitos que tentam voltar a casa antes de começar o prazo que obriga a quarentena é apenas uma parte do problema. Com a lista do corredor verde a ser revista de três em três semanas, a probabilidade de, até julho, os britânicos debandarem para outros destinos de verão é gigante. O que significa mais um verão perdido, com efeitos brutais no turismo e na restauração, na economia de um país de tal maneira dependente do turismo como o nosso.

As más notícias não ficam por aqui. Nem sequer se esgotam na forte possibilidade de Lisboa não avançar para a próxima fase de desconfinamento - ou mesmo regredir, porque continuamos a fazer contas aos casos positivos, em vez de os pesar com a quantidade de testes feitos, com a longevidade da positividade, com os parâmetros de gravidade (que nos mostram internamentos estáveis e mortes perto do zero).

Nesta semana, as piores notícias chegaram de Bruxelas, com a inflação da zona euro a fixar-se já no patamar considerado ideal para a região. Perante a média de 2%, o BCE apressou-se a descansar as hostes. Mas as declarações de Christine Lagarde devem ser lidas com cuidado: "Não chegou a hora de começar a travar", disse a presidente do BCE. Mas a probabilidade e a evolução média da recuperação na Europa indica que não levará muito tempo a levantar o pé do acelerador, a abrandar nas políticas expansionistas de compra de dívida, por exemplo.

A inflação e o fim desta necessidade de controlar juros e permitir endividamento a baixo custo é boa notícia - sinal de que a recuperação está aí e a maioria dos Estados-membros estão perto de voltar ao galope. Mas não para Portugal, como sempre atrasado e em contraciclo, com previsões de crescimento anémicas e desfasadas da média da região, com uma dívida pública gigante, com grandes e persistentes necessidades de financiamento e a inflação a recuar a uns pífios 0,5% - longe da média de 2% da zona euro.

Os ingredientes para a tempestade perfeita estão reunidos e o fecho da via verde do Reino Unido pode ser o gatilho para tempos muito, muito difíceis.

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