CES 2017

Alexa, a grande vencedora do ano

Assistente virtual, Amazon Echo, foi o best seller deste Natal. Fotografia: REUTERS/Peter Hobson
Assistente virtual, Amazon Echo, foi o best seller deste Natal. Fotografia: REUTERS/Peter Hobson

A voz da assistente digital da Amazon esteve por todo o lado na CES 2017. Não se ouviu falar de Siri nem de Google Assistant; a empresa de Jeff Bezos parece ter voltado a "amazonar" o mercado.

Numa estação de televisão local em San Diego, há duas semanas, um repórter falava de uma história engraçada que aconteceu com uma criança no Texas. A família tem um dispositivo Echo, da Amazon, que é alimentado pela inteligência artificial da Alexa – assistente digital por voz. Para o activar, basta dizer o nome: “Alexa, encomenda cinco filtros de água por favor”, ou “Alexa, qual é a distância entre Los Angeles e São Francisco?”. Só que no caso da menina texana, a assistente encomendou “acidentalmente” uma casa de bonecas bastante cara e dois quilos de bolos. O repórter, Jim Patton, comentou de forma enternecida “Gosto tanto da miúda, a dizer ‘a Alexa encomendou-me uma casa de bonecas’.” O que é aconteceu a seguir? Os Echo dos espectadores que tinham a televisão ligada na XETV ouviram a palavra mágica, “Alexa”, e tentaram encomendar casas de bonecas.

O canal reportou uma enchente súbita de queixas, porque os Echo dos utilizadores responderam ao comando que não era para eles. A Amazon tem uma política muito flexível com o cancelamento e devolução de encomendas acidentais, mas o caso espelha um problema que tem de ser resolvido: os Echo não distinguem as vozes dos pais, crianças, donos ou visitas. Suponho que haverá cada vez mais casos de crianças a tentarem encomendar brinquedos e guloseimas via Alexa, às escondidas, se os pais lhes disserem que não à primeira.

Mas isto é um problema que só acontece em escala, e é precisamente isso que a Amazon está a conseguir conquistar com a Alexa. A assistente inteligente foi uma das grandes vencedoras da CES 2017, que decorreu em Las Vegas no início de janeiro, mesmo sem uma presença directa. É que foi quase impossível assistir a apresentações e lançamento de produtos sem ouvir uma referência à integração com Alexa. Desde smartphones a carros e lâmpadas, a simpática voz feminina da Amazon parece ter vencido a da Siri, da Apple.

Começou logo com o novo frigorífico da LG, o Smart InstaView, que tem a Alexa totalmente integrada – falar com o frigorífico pode parecer idiota, mas se ele puder encomendar as mercearias da semana enquanto faz um café, a conveniência ultrapassa a estranheza do processo. Outra gigante da electrónica de consumo, Samsung, apresentou o seu robô aspirador Powerbot VR7000 com Alexa lá dentro, uma grande arma contra a Roomba. E a construtora automóvel Ford adicionou a assistente da Amazon no computador de bordo dos carros que correrem a plataforma Sync 3. ;

Depois houve a lâmpada C by GE, as colunas de som Omaker Wow, as televisões da Seiki e da Element, a extensão para tomadas inteligente WeMo Mini da Belkin, o sensor de temperatura e humidade First Alert, as colunas Bluetooth Lithe Audio, e a lista continua. Surgiram até representações robóticas da Alexa, como o Lynx da Ubtech Robotics e o Hubble Hugo. Estava literalmente por todo o lado. Quanto mais o ecossistema cresce, mais as marcas querem estar neste e não noutro. O HomeKit da Apple poderá nunca realmente levantar voo, e as tentativas de concorrência de outros grandes nomes – a Google é o mais evidente, com o seu dispositivo “Home” e o “Assistant” – podem já estar condenadas. A retalhista de Jeff Bezos, ao que parece, voltou a amazonar o mercado.

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