opinião: Joana Petiz

Apostar nos nossos

Foto: Bruno Simões Castanheira
Foto: Bruno Simões Castanheira

É na nossa economia, nas nossas empresas e pessoas que temos de apostar.

Mais de três anos passados sobre a votação do referendo e a menos de dois meses da data marcada para a saída, não há quem saiba dizer o que vai acontecer. O brexit é uma incógnita tão grande quão surpreendente foi a votação dos britânicos para deixar a União Europeia. E a chegada de Boris Johnson à liderança do país veio escurecer ainda mais as nuvens de tempestade que se vêm acumulando sobre a Europa.

O discurso inflamado que muitos tomavam como fogo de vista é afinal bem demonstrativo das verdadeiras intenções do primeiro-ministro britânico. O plano é sair, sair já, e idealmente sem acordo. O que acontecerá no dia 1 de novembro?

A mudança não será radical e imediata, mas antecipa-se uma verdadeira dor de cabeça para quem tem negócios com o Reino Unido – e sobretudo para quem não tem dimensão que lhe permita uma adaptação mais suave. Uma coisa é certa: quando o Reino Unido deixar de estar entre os Estados-membros, haverá novas taxas que inviabilizarão as trocas comerciais de uma boa fatia de pequenas e médias empresas portuguesas com Londres. Considerando que é este o maior destino das exportações de serviços e o quarto maior recetor de todas as nossas vendas para fora, é um caso sério que se apresenta. Quando acrescentamos ao cenário uma Europa politicamente instável, os sinais de fragilidade económica que os parceiros europeus mais fortes já não conseguem esconder e uma guerra comercial entre as duas maiores potências mundiais, fica mesmo difícil ver um só raio de sol a romper a escuridão.

De onde pode vir essa semente de melhores tempos? Sem estrutura para influenciar o que está lá fora, resta-nos mudar o que está ao nosso alcance. É na nossa economia, nas nossas empresas e pessoas que temos de apostar. Não só procurando caminhos novos, como aconteceu na grande recessão, mas esforçando-nos para sermos os melhores, para darmos o máximo, para ganharmos relevância num contexto de convulsão que não temos força para evitar. Só focando-nos cá dentro podemos produzir mais e melhor, para termos verdadeiras hipóteses lá fora.

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